Pedir demissão significa desistir do sonho da empresa?

            A questão não é se o funcionário deixou, ou não, de compartilhar os sonhos da empresa. O ponto fundamental é que ele está querendo ir a busca do que considera como sendo o melhor para sua vida. E, neste caso, tanto faz se ele continua partilhando dos mesmos objetivos que a empresa.
            Conheço casos em que a pessoa pediu demissão, mas continuou torcendo para que o antigo empregador atingisse os objetivos desejados. Mesmo porque, são objetivos corporativos, mas que ele se orgulha de ter auxiliado a elaborar. Logo, é importante que a alta gestão aprenda que as relações entre empregador e empregado, ainda que permeadas por uma amizade estreita e sincera, devem ser profissionais e não confundidas com a vida pessoal. Uma outra lição importante pode ser aprendida quando se analisa um exemplo.
            Um profissional chega para os dois diretores da empresa e pede demissão. O primeiro gestor recebe o pedido com ironia, comentando que ele deve pensar melhor para não jogar fora toda uma carreira que construiu na empresa. Já o segundo gestor apenas pergunta “Você está certo desta decisão? Você considera que será o melhor para sua carreira?” Ao receber a confirmação do funcionário de que se trata uma decisão ponderada e consciente, o primeiro gestor continua a ironizar com expressões do tipo “Quero ver quanto tempo levará para voltar a nos pedir emprego!”.
            Já o segundo diretor se comporta de uma maneira bem diferente que seu sócio dizendo “Se é o que você quer, vá em frente e conte com nosso apoio. E, ainda, se algum dia precisar de ajuda, não hesite em nos procurar!”. É simples. Enquanto o primeiro analisava a demissão como o fim de um processo, o segundo percebia que toda demissão é, na verdade, o início de uma nova fase do relacionamento entre empresa e profissional.

(Luciano Salamacha)