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Internet, uma mídia feminista
Priscila Tortorette - VP
de Planejamento da A1.Brasil
(VOX NEWS) – 16/03/2006
A
internet é o espaço mais democrático que a criatividade humana
desenvolveu ao longo de sua história. Uma de suas características
mais marcantes é ter colocado as pessoas em pé de igualdade quando
se trata de adquirir, compartilhar ou disseminar conhecimento.
Para as feministas, é o esboço mais bem acabado de um mundo em que
falam mais alto a competência e o empenho. Basta observar a força
da presença feminina nos grupos de discussão nas mais diversas
áreas de interesse da sociedade moderna.
As regras do teatro social que demarcam o palco estabelecendo as
posições dos atores conforme o gênero, a raça, a origem social e o
saldo bancário, simplesmente desvanecem quando se está no mundo
virtual. Os internautas são, antes de tudo, gente disposta a se
comunicar.
Para as mulheres, que ainda batalham no sentido de serem
enxergadas como iguais, a internet é ferramenta preciosa.
Significa um novo patamar de comunicação verdadeiramente
libertária, que escapa dos filtros sociais já entupidos de velhos
preconceitos. Considerando verdadeira a premissa de que a
comunicação é a raiz dos avanços, positivos ou não, da humanidade
e que o livre exercício desse direito foi sistematicamente
escamoteado à mulher, a imensa janela aberta pela web merece
cuidadosa atenção. É por ela que entra o mais importante sopro de
renovação das relações humanas e sociais que o planeta
testemunhou.
Hoje as pessoas podem reunir-se em grupos específicos para falar
sobre economia, filosofia, arte, cuidados com a saúde, política,
sexo, amor e carreira profissional. Não precisam obrigatoriamente
se deslocar para ter acesso a informações importantes. Este é um
fator fundamental para as mulheres cujo tempo precisa ser dividido
entre múltiplas atividades. Ao participar desses grupos é possível
vivenciar a liberdade de expressão, emitir opiniões e expor a
sensibilidade feminina ao crivo de realidades muitas vezes
surpreendentes.
É importante lembrar que os grupos de discussão tendem a cada vez
mais gerar resultados concretos. Idéias inovadoras não raro saltam
desse chamado universo virtual, adquirem corpo e encontram adeptos
na dura realidade que bloqueia avanços essenciais ao bem-estar
geral. É nesse espaço que as ongs, outro campo de marcante e
decisiva presença feminina, disseminam projetos e esperança de
caráter plural.
A interatividade permitida pelos fóruns de discussão demonstra o
quanto os grandes veículos tradicionais de mídia ainda suprimem as
questões mais incômodas quando se trata de abordar a instigante
participação feminina no cotidiano do mundo. A verdadeira explosão
dos blogs na internet, com expressiva participação de mulheres,
reforça a tese de que a história delas não tem sido contada, ou
entendida, corretamente. A internet também dá voz, dá vez, libera
a pista para a decolagem.
Tudo isso ainda é muito novo, e, como toda novidade, ainda está
disponível a uma pequena parcela da população mundial. No caso do
Brasil e outros países pobres ou emergentes impregnados pela
desigualdade social, o acesso em massa ao mundo digital talvez
demore mais que o desejado. Enquanto se desenrola esse processo,
que as mulheres percebam as oportunidades em jogo, busquem
alternativas e aprendam a utilizar esta ferramenta tecnológica. É
preciso preparar o terreno para novas conquistas, aproveitar o
livre trânsito do pensamento em defesa das boas causas. A internet
está aí, à disposição. Esta é a mídia de características
democráticas jamais permitidas. Feminina por definição e plural
por vocação, a internet é o veículo perfeito para a viagem da
humanidade em direção ao futuro. |