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Rede ALCAR-14, 15 e 16 de abril 2005. GT - História das Relações Públicas
A trajetória das relações públicas na região Noroeste do RSFORMENTINI, Marcia; GAGLIARDI, André; OLIVEIRA, Tiago Mainieri de Professores do Curso de Comunicação Social da UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS
Resumo – A implantação do Curso de Comunicação Social na região Noroeste do Estado, através da UNIJUÍ, foi o marco decisivo para a otimização, profissionalização e qualificação dos meios de comunicação (rádios, jornais, emissoras de televisão, etc), assessorias de comunicação, empresas privadas e públicas e organizações não governamentais. Nesse sentido, apresentamos no artigo a trajetória percorrida na Comunicação Social e, mais especificamente, nas Relações Públicas, ressaltando assim, a importância da proposta de resgatar a história das relações públicas no País e nas suas diferentes realidades. O artigo aborda, ainda, a experiência do projeto de extensão “Relações Públicas – O Ser e o Fazer” desenvolvido desde meados de 2003 pelos professores em Ijuí e Região. Palavras-chave – UNIJUÍ, Comunicação Social, trajetória, Relações Públicas
Introdução Este artigo apresenta a trajetória percorrida na Comunicação Social e, mais especificamente, nas relações públicas, na região Noroeste do Estado do RS, a partir da criação e implantação do Curso de Comunicação Social com as suas três habilitações: jornalismo, publicidade e propaganda e relações públicas que este ano comemora seus 10 anos existência na UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS. A implantação do Curso de Comunicação Social na região noroeste do estado, através da UNIJUÍ, foi o marco decisivo para a otimização, profissionalização e qualificação dos meios de comunicação (rádios, jornais, emissoras de televisão, etc), assessorias de comunicação, empresas privadas e públicas e organizações não governamentais. Foi com o Curso e pelo seu quadro de profissionais/professores e pesquisadores que se ampliaram a aprendizagem e o desenvolvimento da área da Comunicação. O artigo apresenta, num primeiro momento, o contexto da Instituição, suas origens e evolução. Na seqüência, abordamos os 10 anos do Curso de Comunicação Social, seu surgimento, sua implantação e crescimento. Apresentamos, ainda, uma breve análise das relações públicas. E, por fim, a experiência do projeto de extensão “RP – O Ser e o Fazer”. Portanto, este artigo pretende contribuir com as discussões do GT – História das Relações Públicas da Rede ALCAR – Alfredo de Carvalho. Ressaltamos a importância da proposta de resgatar a história das relações públicas no País e nas suas diferentes realidades.
1. Contexto da UNIJUÍ Para melhor compreender as Relações Públicas no contexto local e regional, torna-se importante saber um pouco mais sobre a instituição pioneira na região onde se investiu na qualificação de profissionais da área através da criação do Curso de Comunicação Social. Conforme nos traz Brum (1998, p. 79): Em sendo Universidade, a UNIJUÍ qualifica-se como instituição responsável pela produção, cultivo e transmissão do conhecimento. Fenômeno e produto de relações sociais, o conhecimento se enraíza e encarna num determinado contexto social, econômico, político e cultural, em cujo complexo de relações adquire sentido e aplicabilidade. No concreto particular radica-se e expressa-se a universalidade. Em conseqüência, as universidades, enquanto instituições situadas espacial e temporalmente, são portadoras de projetos específicos (políticos, pedagógicos, científicos, culturais) que as diferenciam entre si, conferindo-lhes a marca própria, a sua razão de ser. Quer dizer, pelas intenções de origem de seus fundadores e por sua atuação e desdobramentos, interagindo historicamente no contexto global em que se inserem e nas suas projeções mais amplas, constróem elas a identidade distintiva.
A partir disso, podemos acrescentar que a UNIJUÍ se relaciona com a região Noroeste do estado de forma a manter uma interação na busca do desenvolvimento social e humano. Podemos afirmar que a Universidade, de uma maneira singular, também é responsável pelo crescimento e o progresso dessa localidade, cuja base agrícola foi incrementada por um contingente intelectual, técnico e político. A UNIJUÍ, portanto, se caracteriza como uma Instituição de Ensino Superior de cunho comunitário e regional; voltada para o desenvolvimento da região, buscando excelência acadêmica nos seus projetos de ensino, pesquisa e extensão, com o objetivo de formar profissionais capazes de interagir na realidade em que estão inseridos.
1.1 Origens e evolução A UNIJUÍ tem sua origem na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ijuí (FAFI), criada em 1957 a partir da convergência de duas vertentes de interesse: de um lado, a Ordem dos Frades Menores Franciscanos (Capuchinhos) do Rio Grande do Sul; de outro, os anseios da comunidade de Ijuí e região na implantação do ensino superior, que possibilitaria a qualificação de recursos humanos para o incremento do desenvolvimento (BRUM, 1998). Com quase 50 anos de experiência acadêmica nas dimensões do ensino, da pesquisa e da extensão universitária, a UNIJUÍ traz e expressa a marca do pioneirismo, sempre renovado, que caracteriza a região em que se insere e que constitui o espaço principal c mais direto de sua atuação. Outra marca de sua trajetória histórica é sua inserção específica na realidade c seu compromisso social, aberta às necessidades e demandas dos variados segmentos da região e aos desafios do seu desenvolvimento global, numa perspectiva de construção compartilhada de uma sociedade substancialmente mais justa e democrática. O ensino volta-se, principalmente, para a formação e qualificação de recursos humanos, com vistas ao desenvolvimento regional. Nos seus cursos superiores, a maioria expressiva dos alunos provém de comunidades da Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Os alunos oriundos de comunidades mais distantes, em geral, buscam a UNIJUÍ motivados pela qualidade de seus cursos e por afinidade entre seus respectivos projetos individuais e as propostas político-pedagógicas da Instituição. Em estreita relação com a pesquisa e a extensão, os programas de ensino da Universidade desenvolvem-se através de seus cursos superiores. Ao longo de sua história, a Instituição vem consolidando uma vivência democrática, que tem na educação e na integração seus eixos básicos, o que a leva a repensar continuamente o seu contexto. No decorrer desse desenvolvimento de cunho tecnológico e com o advento de outras atividades não mais somente ligadas à cultura da terra, surgiram várias outras profissões, as quais tomaram forma a partir da implementação de Cursos oferecidos pela UNIJUÍ, entre eles, destaca-se o de Comunicação Social.
2. Os 10 anos do curso de Comunicação Social da UNIJUÍ A trajetória da área de Comunicação Social - Relações Públicas na região Noroeste do estado do RS está vinculada ao surgimento do curso superior de Comunicação Social na UNIJUÍ. O referido Curso foi implantado pela UNIJUÍ em 1995 com as habilitações de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Desde o início, as três habilitações foram ofertadas juntas. Até então, a região Noroeste do estado carecia de profissionais com formação superior em Comunicação Social. Os poucos profissionais formados que atuavam na região eram oriundos, principalmente, da UFSM - Universidade Federal de Santa Maria e da Capital do Estado. Ao acompanharmos a trajetória do curso de Comunicação Social da UNIJUÍ e o mercado regional, podemos avaliar que a área de comunicação cresceu e qualificou-se sobremaneira com a inserção dos profissionais egressos da UNIJUÍ, que passaram a atuar nas empresas, organizações e veículos de comunicação. Ainda não temos dados estatísticos sobre essa realidade, mas em breve teremos resultados de estudos nesse sentido. Os professores da área estão desenvolvendo pesquisas para coletar e registrar esses dados, que poderão substanciar análises mais aprofundadas em artigos futuros. Está sendo iniciada uma pesquisa sobre o perfil empreendedor dos egressos do curso de Comunicação Social da UNIJUÍ. Esse estudo prevê a realização de uma pesquisa com os egressos do Curso de Comunicação Social da Universidade. Primeiramente, com aqueles que montaram um empreendimento na área (agência ou assessoria de comunicação), na perspectiva de analisar as características do perfil empreendedor do egresso a partir da formação acadêmica recebida (proposta político-pedagógica). Além desse estudo, pretendemos realizar uma pesquisa com os dirigentes de empresas e organizações para analisar as necessidades de comunicação e traçar o perfil dos profissionais de comunicação requeridos por elas. Para os autores da área, existem vários fatores que foram e são responsáveis pelo reconhecimento das relações públicas na sociedade. Entre esses fatores responsáveis pelo desenvolvimento e fortalecimento das relações públicas estão os cursos superiores e de pós-graduação e também as entidades de classe, como: Conselhos Federal e Regionais de Relações Públicas e Associação Brasileira de Relações Públicas. Portanto, ao falarmos na trajetória da área de RP na região Noroeste do RS, precisamos buscar a história do Curso de Comunicação Social nestes últimos 10 anos, e é esse o enfoque do próximo item.
2.1 O surgimento do Curso Em setembro de 1993 foi criada uma comissão interdepartamental para estudar a viabilidade, pertinência e conveniência da implantação do Curso de Comunicação Social na UNIJUI. A referida comissão realizou uma série de estudos, entre eles: - a realização de uma pesquisa de opinião junto à comunidade regional; - a realização de um seminário com profissionais das diversas áreas da Comunicação Social; - o mapeamento dos cursos existentes no Estado, currículos, número de alunos matriculados e de formandos por ano; - a pesquisa, via COMUT, junto às bibliotecas da Fabico (UFRGS) e Famecos (PUC) para a obtenção de relação bibliográfica na área; - a visita aos laboratórios de outras Universidades para conhecer a infra-estrutura existente e obter mais informações sobre as habilitações e cursos de pós-graduação oferecidos; - a investigação das condições materiais e dos recursos humanos existentes na UNIJUÍ para a implantação do referido curso; - e, por fim, a elaboração de parecer sobre a viabilidade, pertinência e conveniência do Curso de Comunicação Social na UNIJUÍ. Realizados os estudos, a comissão emitiu parecer favorável à implantação do Curso de Comunicação Social na UNIJUÍ, bem como definiu algumas concepções sobre o objeto da Comunicação Social e traçou algumas linhas teórico-metodológicas que pudessem servir para a elaboração de um futuro projeto de curso. Em janeiro de 1995, nomeou-se uma comissão com a finalidade de elaborar o projeto do Curso de Graduação em Comunicação Social, para ser apreciado no Conselho Universitário no primeiro semestre do mesmo ano. O trabalho dessa comissão resultou na elaboração de um projeto de curso de Comunicação Social que foi submetido à apreciação, e posteriormente aprovado. Na justificativa do Projeto Político-Pedagógico do Curso ressalta-se que a região de abrangência da UNIJUÍ seria bastante beneficiada com um Curso de Comunicação Social, mediante a ampliação e a qualificação do quadro de profissionais, bem como a formação de profissionais mais vinculados à realidade local. Em julho de 1995 foi realizado o primeiro vestibular para o curso de Comunicação Social da UNIJUÍ.
2.2 A implantação e o crescimento do Curso Na última década, a existência do curso de Comunicação Social da UNIJUÍ esteve marcada pela forte inserção comunitária regional. Em especial a área de Relações Públicas tem desenvolvido projetos de ensino e extensão voltados para diversos segmentos da comunidade. Associações, entidades beneficentes, empresas, cooperativas, escolas são algumas das organizações com as quais o Curso mantêm parcerias. Em inúmeras dessas organizações, foram realizados trabalhos na área de Relações Públicas, por meio dos quais os alunos, com a orientação dos professores puderam realizar diagnósticos e elaborar planos de ação adequados à realidade regional. A inserção comunitária na realidade regional é fundamental para o entendimento e reconhecimento da área de Relações Públicas por parte da sociedade, das organizações c das empresas. É claro que esse reconhecimento resulta de um processo lento e gradual. Sempre esteve presente junto aos professores e alunos do curso de Comunicação Social - Relações Públicas, a preocupação em evidenciar a relevância social da área. Em meados de 2000, o curso de Comunicação Social formou sua 1a turma. O reconhecimento do Curso pelo MEC – Ministério da Educação e Cultura, ocorreu em março de 2000. Em 2004, o Curso novamente passou por uma avaliação do MEC, desta vez para revalidação do reconhecimento. A curta trajetória de apenas uma década de existência garante ao Curso uma jovialidade também revelada na sua constante inovação, flexibilidade e aperfeiçoamento. Reforça esse perfil inovador, o processo de revisão da Proposta Político-Pedagógica do Curso. No segundo semestre de 2000, o curso de Comunicação Social iniciou o processo de revisão curricular, tendo em vista a necessidade de repensar seu projeto político-pedagógico, a fim de adaptá-lo às mudanças registradas nas diretrizes curriculares em nível nacional. Formou-se, para tanto, uma comissão integrada por representantes das três habilitações do curso - Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas - mais um representante dos componentes curriculares do tronco comum. Kunsch (1997), ao opinar sobre os cursos superiores na área de Relações Públicas, afirma que: (...) eles têm de assumir uma nova postura diante das exigências da sociedade contemporânea, passando por um redimensionamento de seu conteúdo básico para atender a todo espectro da comunicação empresarial, que é o mercado. É necessário qualificar melhor os professores c buscar novas alternativas para a formação mais eficiente dos futuros profissionais (p.42 e 43).
A comissão de revisão curricular encarregou-se de elaborar um diagnóstico do projeto político-pedagógico do Curso, processo que exigiu a apreciação de alguns elementos. Entre esses elementos, foram examinadas as avaliações internas realizadas em nível institucional pela UNIJUÍ, e as avaliações externas levadas a cabo pelos órgãos federais de avaliação do Ensino Superior no país. As fontes que subsidiaram o trabalho da comissão foram: a avaliação feita pelos estudantes do Curso de Comunicação Social da UNIJUI realizada no segundo semestre do ano de 2000; a avaliação dos professores que atuam no curso; referências do MEC, através das novas Diretrizes Curriculares da Área de Comunicação e suas Habilitações e das avaliações as quais o Curso submetido. E, finalmente, a experiência verificada em outras instituições. Das avaliações feitas pelo MEC destacamos que, em 1999, o curso foi avaliado por uma comissão externa, com vistas a obter o reconhecimento perante o Ministério. Naquele mesmo ano, outra comissão avaliou as condições de oferta da habilitação de Jornalismo, em função do Exame Nacional de Cursos - o Provão. Das avaliações feitas resultaram observações de extrema validade para os propósitos da comissão de revisão curricular. A estas observações, somam-se os parâmetros atualmente em vigor recomendáveis para os cursos de Comunicação Social, também elaborados por especialistas vinculados ao MEC - as Diretrizes Curriculares da Área de Comunicação e suas Habilitações. A observância dos parâmetros externos não implicou, contudo, mera e simples transposição dos mesmos na nova concepção curricular. Buscou-se, antes, o equilíbrio entre as características da região onde se insere o curso e as diretrizes gerais recomendadas para o ensino de Comunicação em nível nacional. Tal equilíbrio, como se sabe, nem sempre é fácil alcançar. Exigiu da comissão e também do colegiado do curso a observância de diversas variáveis, que vão da experiência acumulada em sala de aula às considerações sobre o mercado de trabalho, passando pela visualização das tendências em nível micro e macro-social, entre outros elementos. No início do ano de 2002, os trabalhos ligados à reformulação do curso ganharam novo fôlego. A partir da organização de seminários internos de discussão sobre os processos de gestão, dos quais participaram os professores do colegiado e os do núcleo do curso de Comunicação Social, construíram-se as características essenciais da nova proposta. Desde então, tem-se feito um trabalho sistemático de análise e redimensionamento dos conteúdos e práticas vigentes. Resumidamente, a trajetória da discussão que culminou no conceito de gestão iniciou-se a partir do conceito de comunicação integrada, que já consta nas linhas gerais do projeto original do curso, aprovado/reconhecido pelo MEC. Entendida como a articulação teórico-prática das 3 habilitações que compõem o curso - Jornalismo, Publicidade e Propaganda c Relações Públicas -, em ações que preservam a especificidade das 3 áreas, a comunicação integrada vem se consolidando especialmente nas atividades da Usina de Idéias, a agência experimental do curso de Comunicação Social da UNIJUI. Aprofundando-se mais a discussão, em seguida, observou-se a recorrência de outro elemento conceitual de extrema importância para o novo projeto político-pedagógico: o conceito de planejamento de comunicação. Entendido como a racionalização global das atividades concernentes à comunicação, o planejamento constituiu-se no conceito-chave para a etapa seguinte da síntese conceitual efetuada na discussão da nova proposta curricular. Por fim, chegou-se ao conceito de gestão dos processos comunicacionais, que passa a articular as demais linhas-mestras do projeto do curso. Essas foram as linhas gerais do debate conceitual realizado pelo colegiado e pelo núcleo de professores da Comunicação Social como base para a sua nova proposta.
3. Uma breve análise das RP Com a rápida expansão dos meios de comunicação, as tecnologias e as novas teorias, muitas fronteiras, valores, ideologias, conhecimentos e comportamentos foram difundidos e/ou reconfigurados num panorama mundial, nacional e regional. As comunicações mudaram e as instituições precisaram adaptar-se nesse contexto novo e diversificado. Compreender a amplitude das organizações, no contexto da comunicação, não é tarefa muito simples. Conforme Margarida Kunsch, pesquisadora da área de Comunicação Social, "as Relações Públicas como disciplina acadêmica e atividade profissional, tem como objeto as organizações e seus públicos, instâncias distintas que, no entanto, se relacionam dialeticamente." (KUNSCH, 2003, p. 89-90). Conforme a autora, o exercício e a prática das Relações Públicas pressupõem o conhecimento das organizações e a partir disso o planejamento das ações. É importante conceituarmos a atividade de Relações Públicas. Nesse sentido, apresentamos a definição de Fortes (1999, p.15), que a situa como sendo: o processo de gestão das ações administrativas e de comunicação, deliberadas c permanentes, de uma entidade pública ou particular interessada em estabelecer e manter diálogo, entendimento, solidariedade e colaboração com os grupos sociais a ela vinculados direta e indiretamente, para firmar o seu conceito público, que irá respaldar, facilitar e dar legitimidade aos seus objetivos sócio-econômicos.
Diferentes autores da área de Relações Públicas, ao avaliarem o desenvolvimento da profissão no Brasil, questionam sua regulamentação ocorrida em 1967. Na visão desses autores, o aspecto da regulamentação profissional por si só não garante a legitimidade da área. Para Kunsch, a profissão de Relações Públicas "precisa ter reconhecimento social para ser respeitada" (1997, p.25). A autora acrescenta, ainda, que: Não se pode negar que as relações públicas do Brasil trilharam por muitos desvios na trajetória que ela deveria ter seguido de forma natural, como profissão legalmente institucionalizada, incumbida de uma missão nobre, embora esta ainda não seja devidamente conhecida nem reconhecida. Isso tem gerado incertezas, mal-entendidos, inseguranças, dúvidas e, principalmente, uma crise de identidade. Mas, por outro lado, também aconteceram e estão acontecendo muitos fatos positivos, que sinalizam uma tendência de valorização crescente da área. Tudo depende dos rumos que forem tornados nos próximos anos pelas entidades de classe, pelo mercado e pelas escolas de Comunicação responsáveis pela formação de pessoal qualificado (p.41). Nesse sentido, várias campanhas foram idealizadas por diferentes entidades em espaços acadêmicos e profissionais, na tentativa de buscar uma melhor compreensão da atividade e de suas funções na sociedade. Com esse propósito, desenvolvemos o projeto "Relações Públicas - O Ser e o Fazer", que tenta mostrar para a sociedade essa dimensão.
4. A experiência do projeto “RP – O Ser e o Fazer” Para contextualizar a área de RP na região e o seu desenvolvimento no curso de Comunicação Social, apresentaremos a experiência do projeto de extensão "Relações Públicas - O Ser e o Fazer". A partir da compreensão de que a área de Relações Públicas está inserida no campo da Comunicação Social, desenvolveu-se uma série de ações estratégicas na busca do entendimento dos pressupostos teórico-práticos da área, e na tentativa de esclarecer a comunidade, empresários e alunos de ensino médio acerca da profissão de Relações Públicas. Nesse sentido, o curso de Comunicação Social criou e implantou em 2003 o projeto de extensão Relações Públicas - O Ser e o Fazer, que tem como objetivo dar visibilidade à área de Relações Públicas junto aos públicos: imprensa, comunidade, escolas de ensino médio, cursos pré-vestibulares e empresários de Ijuí e Região. Para tanto, o projeto contemplou ações de visibilidade e entendimento, buscando o incentivo ao envolvimento dos públicos com as questões práticas efetivadas pela área de Relações Públicas. Entre as várias ações realizadas no projeto de extensão, podemos destacar as visitas às escolas, oportunidade em que são expostas questões como: características e etapas do trabalho de Relações Públicas, espaço de atuação, perfil do profissional, mercado de trabalho, características específicas do Curso de Comunicação Social da UNIJUÍ e apresentações de áudios e vídeos produzidos pelos alunos do curso etc. No decorrer dessas explanações são enfatizadas as possibilidades e exemplificadas as aplicações das Relações Públicas numa dimensão de trabalho. Através dessa interação realizada com os estudantes verifica-se que o interesse pela profissão vem se ampliando, o que possibilita o desdobramento do projeto de extensão com a realização da Oficina RP em Ação, a qual propõe atividades específicas de Relações Públicas com ações voltadas para a escola. Essa iniciativa pretende exemplificar de forma mais clara e concreta o trabalho do profissional de Relações Públicas, proporcionando assim um maior envolvimento e compreensão dos alunos com a área. Além desse contato com os estudantes, o projeto estabelece uma relação freqüente com os veículos de comunicação. As relações com a mídia (TV, rádio, jornais impressos) permeiam princípios e comportamentos que, ao longo do tempo, nos ajudam na divulgação e visibilidade do projeto e da atividade. De maneira geral, podemos considerar que as ações realizadas pelo projeto “Relações Públicas - O Ser e o Fazer” obtiveram êxito, permitindo uma maior reflexão e compreensão da área no contexto local e regional. Na próxima etapa do projeto, pretende-se ampliar a inserção do projeto com ações voltadas aos empresários de Ijuí e região. Podemos dizer que a inserção de Relações Públicas na região noroeste é um processo em construção. Para as demais áreas da Comunicação Social, a repercussão na mídia das reportagens jornalísticas e o apelo da propaganda acabam proporcionando maior visibilidade; enquanto que, para as Relações Públicas é preciso reforçar a importância da área, profissão e atividade a fim de garantir sua permanência e seu crescimento.
Conclusão Ao apresentarmos neste artigo a trajetória do curso de Comunicação Social e das Relações Públicas, podemos afirmar que é significativo o desenvolvimento da área em Ijuí e região após a implantação do curso pela UNIJUÍ. O artigo, que teve a pretensão de contribuir com as discussões do GT – História das Relações Públicas da Rede ALCAR – Alfredo de Carvalho, resgata a história das Relações Públicas numa realidade que apresenta características peculiares. Destaca-se a abertura de novas perspectivas de atuação para a área de Relações Públicas em espaços singulares e que, tradicionalmente, não eram ocupados por profissionais da área. Ressalta-se que as características do Curso vão ao encontro das necessidades da realidade regional, no que se refere aos processos comunicacionais, reforçando o cunho comunitário da Instituição. Concluímos ainda, que com a realização do projeto de extensão “RP – O Ser e o Fazer” fomos desafiados a refletir num contexto diferenciado de um grande centro, e que a regionalização e o aspecto comunitário proposto pela UNIJUÍ nos fizeram avançar para além do ensino em sala de aula, dos aspectos teóricos e práticos, buscando outras formas de divulgação e entendimento de nossa área para públicos tão diversos.
Referências Bibliográficas BRUM, Argemiro.- UNIJUI - uma experiência de Universidade Comunitária – sua, história, suas Idéias. 7ª Edição, vol. l Ijui/RS: Editora UNIJUÍ, 1998 FORTES, Waldyr Gutierrez. Relações públicas - processo, funções, tecnologias e estratégias. São Paulo: Summus, 2003. KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. 4. ed. rev., atual, e ampl. São Paulo: Summus, 2003. ____. Relações públicas e modernidade. São Paulo: Summus, 1997. A história da FIDENE/UNIJUÍ. Documento impresso. Ijuí/RS: UNIJUÍ. Projeto Politico-Pedagógico do Curso de Comunicação Social/UNIJUÍ. Ijui: Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS, 1995. Projeto Politico-Pedagógico do Curso de Comunicação Social/UNUUÍ. Ijui: Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS, 2002.
BREVE CURRÍCULO DOS AUTORESAndré Gagliardi – e-mail: andreg@unijui.tche.brGraduado em Comunicação Social – hab. Relações Públicas pela FAMECOS/PUCRS, especialista em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS e Mestre em Educação nas Ciências pela UNIJUÍ. Professor do Curso de Comunicação Social da UNIJUÍ, adscrito ao DELAC – Departamento de Estudos de Linguagem, Arte e Comunicação. Coordenador do PROUNI - UNIJUÍ
Marcia Formentini – e-mail: marciaf@unijui.tche.brGraduada em Comunicação Social – hab. Relações Públicas pela UFSM, especialista em Comunicação pela UPF e Mestre em Desenvolvimento, Gestão e Cidadania pela UNIJUÍ. Professora do Curso de Comunicação Social da UNIJUÍ, adscrita ao DELAC – Departamento de Estudos de Linguagem, Arte e Comunicação. Coordenadora do Curso de Comunicação Social da UNIJUÍTiago Mainieri de Oliveira – e-mail: mainieri@main.unijui.tche.brGraduado em Comunicação Social – hab. Relações Públicas e Mestre em Engenharia de Produção pela UFSM e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Professor do Curso de Comunicação Social da UNIJUÍ, adscrito ao DELAC – Departamento de Estudos de Linguagem, Arte e Comunicação.
Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Processos em
Comunicação da UNIJUÍ
Autorizamos a publicação do artigo “A trajetória das relações públicas na região Noroeste do RS” de nossa autoria nos anais do GT – História das RP do 3º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho.
Ijuí, 17 de fevereiro de 2005.
André Gagliardi Márcia Formentini Tiago Mainieri de Oliveira Fonte: www.jornalismo.ufsc.br/redealcar maio 2006 |