VIDEO EMPRESARIAL: UMA NOVA LINGUAGEM DE COMUNICAÇÃO

Há alguns anos uma nova ferramenta de trabalho - o vídeo empresarial - começou a ser usada pelas empresas como um meio eficaz de comunicar adequadamente uma determinada mensagem, seja para o público externo ou para o público interno, expressando e reforçando a imagem institucional e os valores da organização.

Resultado da evolução e adequação das técnicas de audiovisual, do comercial e da televisão, o vídeo “fala” sobre a empresa muito mais do que estaria explicito em qualquer texto, pois ao “cristalizar em imagens, música e texto a comunicação de uma empresa, espelha seu perfil, sua identidade”, afirma Sérgio Motta Mello, diretor da TV1, uma produtora de vídeo que está no mercado há três anos e meio e já produziu mais de 400 vídeos para os mais diversos fins.

E ele continua: “As múltiplas potencialidades do vídeo como instrumento de comunicação no universo das empresas já não são apenas uma previsão. Elas estão se revelando na prática do dia-a-dia. Quer dizer, os próprios profissionais de comunicação descobrem por necessidade, em situações tradicionalmente abordadas por outros meios, que o vídeo pode atingir seus objetivos ou solucionar problemas com mais eficiência do que estes meios convencionais. Além de garantir um controle absoluto sobre a transmissão da mensagem - ao contrário de uma palestra ou apresentação com slides, por exemplo -, o vídeo tem um poder único de impacto, envolvência e multiplicação, já que pode ser enviado para todo o País e o mundo. Com uma linguagem versátil, ágil e contemporânea, ele empresta à empresa que o utiliza uma imagem de modernidade.  Como as palavras-chave neste final de século dentro das empresas são participação, democracia, valorização de recursos humanos, o vídeo presta-se a uma gama imensa de utilizações, tanto em termos de comunicação interna quanto externa. E já se firmou como instrumento fundamental de comunicação dirigida”.

Surgida nas áreas de treinamento e RH, a videocomunicação foi aos poucos sendo amplamente utilizada  por marketing e relações públicas, primeiramente como apoio e posteriormente como base, tornando-se, em menos de meia década, um segmento à parte, com uma linguagem especifica e uma variedade infinita de aplicações.

Inovações para os anos 90

E o que as empresas de vídeo têm a oferecer aos profissionais de comunicação das empresas nos anos 90? “Profissionalismo”, afirma Irineu Bardi Júnior, coordenador de Projetos Especiais da Frame, outra empresa de vídeo do mercado, em atividade há menos de 1 ano. A Gerência de Recursos Humanos da Frame trabalha para este fim. “Precisamos ter funcionários e colaboradores imbuídos de um senso profissional altíssimo, cuidando, desenvolvendo e buscando soluções não só em termos de tecnologia e linguagem visual, mas principalmente em termos de atendimento, de adequação desses recursos às diferentes necessidades de cada trabalho”.

“Profissionalismo”, repete Sérgio Motta Mello. “Em geral, fala-se de inovações em termos de linguagem focalizando apenas o avanço tecnológico. Em termos de custo e complexidade, o vídeo é um produto que requer a competência de profissionais. Não dá mais para trabalhar nos esquemas amadorísticos que prevaleciam até alguns anos atrás, quando o mercado era incipiente. As empresas de vídeo poderão oferecer maior competência, maior agilidade na realização de projetos e a capacidade de otimizar, ao máximo, as verbas de produção. E mais importante - continua ele - “mais do que simples produtoras de vídeo, que realizam os produtos para seus clientes, as empresas poderão estabelecer com eles uma relação de parceria, pensando em conjunto suas necessidades de comunicação, propondo soluções e integrando o vídeo no seu dia-a-dia.

“Profissionalismo”, reforça ainda Nelson Gomes, diretor geral da Globotec, há dez anos no mercado e há três desenvolvendo trabalhos na área empresarial. “A última coisa que vendemos é vídeo”, diz ele. “A área de vídeo empresarial da Globotec tem características de uma empresa de serviço, com profissionais das diferentes áreas de comunicação desenvolvendo um produto - que é a comunicação de uma empresa com seus diferentes públicos - em estreita parceria com o cliente.” E continua: “Somente nos últimos anos, devido à grande demanda, alguns profissionais e empresas chegaram ao aprendizado capaz de dignificar a videocomunicação empresarial, partindo-se da certeza de que ela exige uma linguagem própria, apesar de também poder contar com toda a tecnologia acumulada na produção de programas de TV e comerciais”.  

A adequação da mensagem

Uma empresa vai instalar uma fábrica em uma determinada cidade e utiliza o vídeo para apresentar seu projeto e abrir um canal de comunicação com a comunidade. Outra bate um importante recorde de segurança no trabalho e quer comemorá-lo com todos os funcionários. Outra, ainda, quer apresentar “cases” para a matriz internacional ou “reports” sobre as condições econômicas e de mercados específicos do País.

Estas e outras situações podem ser apresentadas de maneira mais eficiente com o uso do vídeo. Pois, além de falar a linguagem a que o público está acostumado - a linguagem da televisão - , o vídeo pode adequar esta linguagem para um público específico, isto é, cada caso, cada empresa requer um formato e uma linguagem especifica para que se atinjam os objetivos de comunicação desejados.

De acordo com Sérgio Motta Mello, o vídeo empresarial tem de ser sempre eficiente numa relação custo-benefício. Por isto, ele não é feito para dar vazão à criatividade dos profissionais que a realizam, mas colocar esta criatividade a serviço do objetivo visado, o que requer uma grande identificação com a cultura da empresa.

Telereuniões, vídeo-releases: as mais novas aplicações

A versatilidade e a facilidade operacional proporcionada pelo vídeo possibilitam um leque imenso de aplicações que são descobertas e incorporadas ao seu repertorio a cada dia. 

Dentre as novas áreas de aplicação, que fogem ao vídeo institucional, de treinamento, de lançamento de produtos e outros mais conhecidos, Irineu Bardi, da Frame, destaca a telerreunião, que está se desenvolvendo e adquirindo melhores contornos profissionais agora  depois de mais de dez anos de existência em nosso país.”E isto se deve muito ao interesse das multinacionais, pois em seus países de origem as telerreuniões se tornaram ações rotineiras e eles precisam  incluir suas unidades aqui localizadas nesse sistema, já que as transmissões internacionais apresentam boa qualidade”, diz ele.

Já para Nelson Gomes, da Globotec, o vídeo, que tem servido para transmitir mensagens  tanto de caráter institucional quanto informático, está agora sendo usado sob a forma de “release”.

“O release é um grande exemplo de como o vídeo permite a particularização do público a ser atingido. Por meio dele, muitas empresas, agências de ralações públicas e assessorias de imprensa ‘têm conversado’ com os jornalistas na sua própria linguagem. O presidente, diretores ou executivos de uma empresa podem falar pessoalmente com os jornalistas de diversos pontos do país, de uma maneira simpática e ‘sem furos’. Atrasando ou adiantando as imagens, da fita do seu videocassete, o jornalista receberá a  informação por completo, sem perda e com qualidade”.

Outra aplicação  para o vídeo, em se tratando de imagem corporativa, é a participação em projetos culturais, acompanhando livros e eventos, ou dissertando sobre um determinado tema que poderá ser distribuído para as bibliotecas das empresas, faculdades, órgãos públicos, instituições, etc.”, conclui Nelson.  

A importância e a presença do vídeo empresarial como instrumento de trabalho das áreas de comunicação das empresas é, neste momento, inquestionável. Como diz Sérgio Motta Mello, “é curioso que muitas vezes sentamos com um cliente para falar sobre um determinado vídeo, cuja necessidade é mais óbvia, e acabamos ‘descobrindo’ juntos, que há dois ou três trabalhos mais urgentes que podem ser bem resolvidos com o uso do vídeo”.

Fonte: Relações Públicas - Publicação anual do CONRERP/SP 2a Região, 1990