VACINA CONTRA PSEUDOMONAS AERUGINOSA É MUITO EFICAZ EM PACIENTES COM FIBROSE CÍSTICA

Resultados do ensaio clínico com a nova vacina, já na Fase III,  serão apresentados pelo imunologista e coordenador do estudo  Alois Lang  durante congresso no Rio de Janeiro, no próximo dia 30.  

 A vacina deverá estar disponível no Brasil em 2006.

A bactéria Pseudomonas aeruginosa  é a grande inimiga dos pacientes  com Fibrose Cística, uma vez que todos terminam por desenvolver colonização crônica (ou infecção crônica), com as resultantes seqüelas, que se resumem em perda de qualidade de vida.

A colonização pode ser prevenida com uma nova vacina, desenvolvida na Suíça, que atualmente se encontra na Fase III de ensaio clínico, e que, no momento, vem sendo utilizada apenas experimentalmente.

Os resultados do ensaio clínico com a vacina já revelam sua eficácia, uma vez que 68% dos pacientes que a receberam continuam sem contrair a infecção durante os 10 anos em que foram acompanhados, o que acontece com apenas 28% dos portadores da doença incluídos no grupo de controle da pesquisa que não receberam a vacina.  Vale ressaltar que as vacinas que haviam sido desenvolvidas antes desta não haviam demonstrado um aumento da produção de anticorpos de boa qualidade, ao contrário desta vacina da Berna Biotech, que é um salto qualitativo importante.

O imunologista  Alois B. Lang, principal pesquisador desta vacina  desenvolvida  pelo laboratório suíço Berna Biotech, estará apresentando os mais recentes dados do trabalho,  qualificados  como  “absolutamente surpreendentes”,  durante  o  XI  Congresso Latino-Americano de Fibrose Cística, e X Jornada Brasileira de Fibrose Cística que vai acontecer de 28 a 30 de abril próximo,  no Rio de Janeiro. 

O  ensaio,  randomizado  e duplo cego, desenvolvido com 25 pacientes imunizados e 25 pacientes não-imunizados, com idades entre 18 meses e 22 anos, revelou que a colonização bacteriana dos indivíduos vacinados também aconteceu de forma mais lenta do que naqueles que estavam incluídos no grupo de controle.   O ensaio também apontou que a colonização por Pseudomonas de
fenótipo mucóide um  tipo  de   Pseudomonas   que   praticamente antecipa a perda da função pulmonar, é quatro vezes menor entre os vacinados). 

Outros benefícios  observados foram a conservação da função pulmonar (avaliada pela medição do FEV1)  e um melhor índice de massa corporal.  “Os doentes vacinados têm uma melhor qualidade de vida”, afirma  Alois Lang.

O médico destacou também a segurança da vacina, pois não foram detectadas reações sistêmicas, aspecto particularmente interessante, uma vez que o programa de vacinação é de duas doses no primeiro ano e, nos anos seguintes, de apenas uma dose anual.   O Dr. Lang também explica que  “além de ser  obrigatório seguir fielmente o cronograma de  aplicação da vacina,  que é uma injeção, também é muito importante realizar a contagem dos anticorpos antes e depois da primeira dose para se obter a comprovação da resposta”.

Para ilustrar o aumento do agente imunizador, o médico lembra que 80% dos pacientes diagnosticados com Fibrose Cística ainda  na infância chegam à  idade  adulta  já colonizados, isto é, com infecção crônica.  A prevalência é bem inferior quando a Fibrose Cística se manifesta já na fase adulta, fato que não impede, entretanto, que, com o tempo, todos acabem colonizados. “Por este motivo a imunização deveria ser  iniciada antes que se produza a colonização”,
afirma.  Portanto, o primeiro requisito para um paciente se candidatar a esta vacina é não estar infectado pela bactéria Pseudomonas aeruginosa.  Isto pode ser confirmado através de estudos microbiológicos de amostras de escarro e swab de orofaringe.

 

O infectologista também explica que atualmente está sendo desenvolvida a fase III do ensaio, em que estão incluídos 477 pacientes de 46 centros médicos da Itália, França, Alemanha e Suíça.   “O trabalho estará totalmente concluído em 2005” completa Lang.

 

Em 2006, a vacina contra Pseudomonas aeruginosa desenvolvida pela Berna Biotech deverá estar sendo comercializada no Brasil, com exclusividade, pelo laboratório Cristália, que mantém, desde o ano passado, uma parceria com empresa suíça.

 

Trata-se de uma vacina conjugada formada por 8 das 16 cepas de Pseudomonas aeruginosa, e sua utilidade é na prevenção da infecção crônica.  A vacina aumenta os anticorpos de boa qualidade contra o patógeno.

 

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