A  Síndrome do Sapo Fervido

(*) Luiz Carlos Cabrera

TENDÊNCIA

É inegável  a velocidade e a intensidade das transformações sociais, políticas e econômicas em todo o mundo, e particularmente, no Brasil, em face da nova ordem política e econômica ditada pelo Governo Color, na ânsia de tirar o País do anestésico marasmo dos últimos dez anos. É fácil,para o leitor, concordar com essa colocação como observador do nosso cenário, mas o que tem sido feito,, pelas suas empresas, para acompanhar essas mudanças tão turbulentas? Que respostas têm sido às pressões do ambiente externo? Estamos mudando a organização, sistemas de informação, sistemas de trabalho e, principalmente, o comportamento das pessoas, para enfrentar e vencer esse desafio do mundo globalizado da competitividade, de funcionários maduros e conscientes?

É aqui que entra a Síndrome do “Sapo Fervido”, que li num artigo de Charley Gill. Vários estudos biológicos provaram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa fica estático durante todo o tempo que aquecemos a água, ate que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento da temperatura(mudanças do ambiente) e morre quando a água ferve. Inchadinho e feliz. Por outro lado, outro sapo que seja jogado nesse recipiente já com água fervendo salta imediatamente para fora. Meio chamuscado, porém vivo!

Alguns de nossos empresários e executivos têm um comportamento similar ao do SAPO FERVIDO. Não percebem as mudanças, acham que esta tudo bem, que vai passar, que é só dar um tempo! E “quebram”, ou fazem um grande estrago em suas empresas, “morrendo”inchadinhos e felizes, sem ter percebido as mudanças. Outros, graças a Deus, ao serem confrontados com as transformações, pulam, saltam, em ações que representam, na metáfora, as mudanças necessárias.

Temos vários sapos Fervidos por aí. Prestes a morrer, porém boiando estáveis e impávidos, na água que se aquece a cada minuto. Sapos Fervidos que não perceberam que o conceito de administrar mudou. O antigo “Administrar é obter resultados através das pessoas” foi gradualmente substituído pelo “Administrar é fazer as pessoas crescerem através do seu trabalho”, atingindo os objetivos da empresa e satisfazendo suas próprias necessidades.

Os Sapos Fervidos não perceberam, também, que seus gerentes, além de ser eficientes(fazer certo as coisas), precisam ser eficazes(fazer as coisas certas). É que, para isso, o clima interno tem que ser favorável ao crescimento profissional, com espaço para o diálogo, para a comunicação clara, para o compartilhamento, para o planejamento e para uma relação adulta. O desafio ainda maior esta na humildade de atuar de forma coletiva. Fizemos, durante muitos anos, o culto ao individualismo, e a turbulência exige, hoje, o esforço coletivo, que é a essência da eficácia, como resposta. Tornar as ações coletivas exige, fundamentalmente, muita competência inter-pessoal para o desenvolvimento do espírito de equipe, exige saber, partilhar o poder, delegar, acreditar no potencial das pessoas e saber ouvir.

Os Sapos Fervidos ainda acreditam que o fundamental é a obediência e não a competência, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. Acordem Sapos Fervidos! Saiam dessa, o mundo mudou, pulem fora antes que a água ferva. O Brasil e a nova ordem econômica precisam de vocês vivos e prontos para agir.

* Luiz Carlos Cabrera é sócio diretor da Panelli, Motta, Cabrera & Associados.