Canal RP nº125 - 21/09/2007
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:: Mas afinal, o que é empreendedorismo?
Primeira parte
 

Em entrevista ao Canal RP, a professora Jocélia Maris Mainardi* fala sobre o empreendedorismo, suas características e a importância da introdução dessa disciplina no curso de Relações Públicas da Metodista e por que esse termo tornou-se referência para definir o perfil do profissional de RP.

1. O que se entende por empreendedorismo?
R: O empreendedorismo é um processo que faz com que uma pessoa, que tenha formação superior ou não, se capacite, muitas vezes por intuição, a desenvolver um negócio próprio. Isso tem tudo a ver com o desejo dessa pessoa em distinguir-se pelo seu status ou por ver realizada uma idéia sua. Isso tem tudo a ver com a cultura da pessoa. O empreendedorismo é algo que a gente ensina, para ajudar a desenvolver na cabeça das pessoas o desejo de criar algo novo, de lançar um serviço novo, de fazer algo diferente do que as pessoas vêm fazendo. Pode-se até dizer que, em boa parte, essa aspiração pelo novo é inata, isto é, a pessoa já nasce com esse impulso empreendedor. Isso é o que explica “n” casos de pessoas que não tiveram formação especial, que não vinham de famílias abastadas e que acabaram criando negócios, que se tornaram verdadeiros impérios, como por exemplo, Samuel Klein (Casas Bahia), os Diniz (Pão de Açúcar), os Matarazzo (indústrias). Muitas vezes, a análise da vida de muitos empreendedores revela que foram empregados de alguma empresa, mas em determinado momento encontraram um jeito especial, diferente, de analisar um serviço, de conceber um produto, descobrir um nicho ou um segmento onde poderia sair vencedor.

2. Por que a disciplina “empreendedorismo” foi incluída na matriz curricular de RP?
R: Porque a gente percebeu o seguinte: em primeiro lugar, o mercado de RP e de toda a área de comunicação está muito concentrado na terceirização, ou seja, reduzem-se os cargos internos de funcionários com carteira assinada e contrata-se uma empresa que fornece mão-de-obra treinada. Em comunicação, isso é uma realidade. Boa parte dos nossos alunos abriu próprios negócios ou trabalha para agências terceirizadas. Diante dessa nova situação do mercado, percebemos que antigamente formavam-se os alunos para serem empregados, quando o mercado de hoje está pedindo que esses profissionais sejam empreendedores, ou seja, dono do seu próprio “passe”. Você não tem uma empresa, mas você é um “profissional pessoa jurídica”, que tem uma firma aberta, mas não tem uma empresa com sede, escritórios e tal, mas você é uma empresa “sozinha” e isso é uma realidade com que todas as agências trabalham com, pelo menos, 90% do pessoal contratado. Além disso, se você acha que tem um potencial especial, se já tem uma experiência ou se identificou um nicho de mercado em que as agências não têm trabalhado, em uma cidade interior, por exemplo, ao invés de você ficar “caçando” empregos dentro de empresas, você pode abrir seu próprio negócio e, para isso, você pode usar uma salinha da sua casa ou do seu apartamento. Para empresas que te contratam, fica mais barato. A análise desse cenário fez com que a gente percebesse que, ao invés de formar o profissional para ser um empregado, era preciso formá-lo para tocar seu próprio negócio, ser dono de sua carreira e prepará-lo para que tenha condições de conduzi-la sozinho, sem ficar preso a uma única organização a vida inteira.

3. Por que este conceito tornou-se referência para caracterizar o perfil do novo profissional?
R: Além da especialização, as empresas querem pessoas com atitude, com pró-atividade. Se for um cara reativo, você certamente não terá espaço nesse mercado que quer profissionais que o tempo todo enxergue lá na frente, um analista de cenários, o cara que consegue analisar o impacto futuro de uma situação presente. Enfim, é esse olhar estratégico o que as empresas buscam e isso tem tudo a ver com o empreendedor, que faz o mundo ser do jeito que ele imagina que seja e desenvolve os meios para conseguir isso.

4. Que características definem o empreendedor?
R: Muitas características. Na verdade, cada empreendedor tem características especificas, mas certamente o que não foge à regra é esse desejo de fazer as coisas diferentes, desejo de inovar, o que caracteriza o espírito empreendedor e não conformista. Quem se deixa levar por esse espírito, sempre acha que as coisas podem ser melhores, que pode ter autonomia para tomar suas decisões, conduzir sua carreira desenvolver suas especialidades, sua competência, suas “expertises”. Alguém que sabe que é o conhecimento especifico, o know how adquirido pela sua experiência, com seus estudos, sua atualização, que irão lhe dar oportunidade de fazer sucesso. Para ser bem-sucedido, o empreendedor deve ser extremamente atualizado em relação ao mercado e às suas tendências. Existe dentro dele uma certa ambição, sabe liderar equipes, trabalhar em grupo, ter confiança em si e, ao mesmo tempo, nos outros.

5. Quando falamos em empreendedor, isso se aplica ao trabalhador dentro das empresas ou em um negócio autônomo?
R: Você pode até ser um funcionário de uma empresa e praticar o empreendedorismo. Como? Sendo uma pessoa que não se restringe a fazer o trabalho do dia-a-dia, e que está o tempo todo observando o que acontece ao seu redor, nos outros departamentos, nas outras áreas, no produto, na tomada de decisões, enfim, ela acaba percebendo tudo isso e sabe que pode tentar interferir e melhorar o seu ambiente.
(Leia a segunda parte da entrevista em nossa próxima edição)

 

*Jocélia Maris Mainardi
Graduada em Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas
pela Universidade Federal de Santa Maria/RS.
Especialista em Teorias e Estratégias de Comunicação
pela mesma instituição. Mestre em Comunicação e Cultura
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
jocelia.mainardi@metodista.br

Alana Garcia e Marília Montich
 

 


 

 

 

 

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