FAÇAMOS A NOSSA PARTE PARA MELHORAR O BRASIL

 

O compromisso político assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula das Silva com o desenvolvimento social do País sensibilizou toda a população brasileira. Nas ruas, percebe-se, como em outras oportunidades, grande parte do povo cheia de esperança de que os problemas notórios em nosso país estão a um passo de serem resolvidos. Mas nenhum governo, sozinho, será capaz de solucionar nossos problemas mais contundentes se não houver uma mudança de atitude do povo brasileiro. Somos um país de dimensões continentais, com abundancia de recursos naturais, porém, padecemos ainda com epidemia de dengue, corrupção, violência urbana e impunidade, entre outros males. Por que será que com toda a extensão territorial e todos os recursos naturais de que dispomos ainda somos o país do amanhã. Quando é que vamos efetivamente nos tornar um país rico, com justa distribuição de renda, erradicação do analfabetismo e das epidemias e com índices de violência em  níveis toleráveis?

Alguns dirão que somos um país enorme e relativamente novo e que ainda não atingimos a maturidade. No entanto, países como a Índia, por exemplo, têm mais de 2000 anos e continuam pobres, enquanto a Austrália, colonizada basicamente por prisioneiros ingleses, e a Nova Zelândia, quase desconhecida, há cerca de 200 anos, são, todavia, países desenvolvidos e ricos.

A abundância de recursos de que dispomos também não nos garante que seremos  um país rico. Temos que dar graças a Deus por esses recursos, porém não podemos nos esquecer do exemplo do Japão, que tem um território pequeno, grande parte montanhoso, péssimo para o cultivo, e é, porém, uma potência econômica mundial. E a Suíça, que não tem cacau, mas produz o chocolate reconhecido como o melhor do mundo., É um país de pequenas dimensões, que tem uma consolidada imagem de segurança, ordem e trabalho, que fez dele um caixa-forte do mundo.

Será que o segredo está na inteligência do povo que habita esses países? Não me parece que a explicação esteja na diferença intelectual, mas sim  na conduta das pessoas e nos princípios básicos de convivência humana e respeito. Nossos valores têm que ser repensados, ou melhor, opostamente redirecionados. Infelizmente, hoje se valoriza o espero, no sentido negativo do adjetivo. Aquele que consegue fazer  bons negócios ludibriando alguém ou de alguma forma escusa. Temos que respeitar princípios éticos em nossa convivência profissional e pessoal. O esperto a ser respeitado é aquele que consegue realizar bons negócios de forma transparente, no qual todas as partes envolvidas sejam vencedoras. É a famosa relação win-win.

Hoje, o brasileiro ainda se orgulha do famigerado “jeitinho brasileiro”, na verdade uma forma de burlar regulamentos ou leis. Devemos ter em mente que o hábito de “furar fila” é um desrespeito ao próximo, que no geral faz com que todos saiam perdendo. Compromissos são para ser cumpridos. Pontualidade é obrigação. Atrasos, sem forte justificativa, é desrespeito. Como podemos reclamar de uma polícia  corrupta se, freqüentemente, abordamos o guarda oferecendo-lhe dinheiro para a “cervejinha”? A cultura da corrupção endêmica é o mal que mais danifica a nossa imagem, afugentando investidores e parceiros comerciais. Atravanca nossos desenvolvimento, tira o alimento das mesas e a educação de nosso povo.

Como podemos nos orgulhar de nossas cidades se as sujamos, se atiramos latas de cerveja pela janela do carro, se poluímos  nossos rios e destruímos nossas florestas? O bem público é o bem de todos.

Que carioca  não tem vergonha do cheiro exalado pela baia de Guanabara, cartão-postal do Rio de Janeiro, e do lodaçal em que se transformou?

Uma nação se constrói  com muito trabalho e vontade de dar o melhor de si. Se submetemos um trabalho a um superior, temos que ter certeza de que fizemos o melhor que podíamos. É injusto e preguiçoso apresentar um trabalho em que não demos o nosso melhor, por sabermos que um superior irá revisá-lo e consertá-lo. Se todos derem o melhor de si, sairá um produto de melhor qualidade. As pessoas, a empresa e o País ganham com isso. A produtividade aumenta, Frases tais como “eu não ganho para isso” representam a total falta de vontade de mostrar superação, de alavancar conhecimentos e de efetivamente agregar valor. O reconhecimento que devemos procurar é o da nossa consciência. Todo o resto é conseqüência.

É óbvio que participação dos governos e os acertos em sua política são importantes para o nosso  progresso social e econômico. Da mesma forma, também é óbvio que se não fizermos a nossa parte, se não mudarmos nossas atitudes, não chegaremos lá. Temos que ter vontade e caráter para cumprir essas premissas básicas de funcionamento das sociedades.

Quanto mais empenho colocarmos em nossos atos, quanto mais respeitarmos os princípios éticos, mudando nossas atitude, mais rapidamente colocaremos nosso país na senda do progresso e no objetivo do bem-estar para todos. 

Jornal:Gazeta Mercantil - SP - Seção:Opinião  - pg A-3 -24/2/2003, por  Mauro Moreira, Sócio-diretor da Ernst & Young Auditores Independentes.