PRÁTICA DE AÇÃO SOCIAL E VIVÊNCIA NO

EXTERIOR TORNAM PROFISSIONAL COBIÇADO

 

Trabalho comunitário e uma temporada em outros países

são itens que diferenciam currículo  profissional 

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente em relação às habilidades técnicas e de conhecimento. Formação universitária, conhecimento de informática e domínio de idiomas já são pré-requisitos sacramentados pelas organizações.

Mas, agora, o assunto preferido dos consultores dos recrutadores é a atitude, ou como os especializados dos meio dizem, as competências pessoais que diferenciam um profissional do outro. “Que mais é preciso fazer para ser diferente? Ora, conta muito quem teve uma experiência de vida fora do Brasil, a quem chamamos de bicultural ou multicultural, e seja atuante em questões de cidadania, participe de ações de voluntariado”, afirma o vice-presidente de Recursos Humanos da American Express, Salvador Evangelista. Aos itens já citados, ele acrescenta ainda a facilidade de trabalho em equipe. De forma prática, histórias de participação em agremiações ou mesmo de um despretensioso trabalho universitário pode ser um diferencial.

Para o executivo, um dos responsáveis pela seleção de trainees da companhia, o fato de um profissional ter disposição para um trabalho comunitário e para uma vivência de trabalho no exterior, são indícios de engajamento e força psicológica para lidar com situações diversas. Predicativos que ele deve levar para o estilo profissional.

Sylvana Rocha, gerente educacional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), que seleciona estagiários para grandes empresas do País, também partilha da opinião de Evangelista. “Na economia do conhecimento, o foco está cada vez mais no indivíduo. Há pesquisas que mostram que nos próximos vinte anos, 80% dos trabalhos no mundo serão cerebrais e só 20% braçais”, diz. “Já há empresas que pedem como pré-requisito a contratação de estagiário a experiência de trabalho em programas sociais e comunitários”, conta. “Em um recente processo seletivo que fizemos, a empresa optou pela contratação do jovem que fazia trabalho voluntário para uma organização não-governamental nos fins de semana”, explica Sylvana. Segundo ela, as corporações atentas a essas qualidades entendem que o jovem que tem comprometimento, gosta de ir fundo em suas ações e não irá largar as coisas pelo meio.

Irene Azevedo, diretora Regional do Rio de Janeiro da Mariaca Associados, empresa que recruta executivos para empresas de grande porte, vê com bons olhos essas tendências, mas considera ainda tímidas no Brasil. Ela diz que para o alto escalão de empresas ainda não há exigência, mas quando o profissional coloca uma atividade de voluntariado no currículo, diz, conta muito a favor do candidato. “Isso evidencia que o profissional tem uma grande paixão por servir. Se ele tenta um posto em uma empresa de serviços, fará muita diferença”.

Jornal: O Estado dês.Paulo -  SP-  Seção Empregos  - pg Ce1 - 12/1/2003, por Terciane Alves