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O ano chega ao fim com uma série
de notícias ruins para os que apostavam na diminuição da
importância da internet como um meio estratégico no milionário
mundo da informação. Em sua pesquisa bianual, o Instituto
Gallup acaba de anunciar que a única fonte de notícia que
aumentou seu público leitor nos dois últimos anos aqui nos
Estados Unidos foi a Internet. O Gallup mostra que as maiores
baixas de audiência, neste ano que passou, foram registradas
nos canais de televisão regionais e nos jornais locais. É a
força das corporações, cada vez mais presentes em um negócio
sufocante e comandando pelos mesmos grupos. A mídia eletrônica
não escapou do fenômeno. No mesmo momento em que o Gallup
informava que 20% da população norte-americana se mantém
informada preferencialmente através dos noticiários que
inundam a internet (contra 5% em 1995), o tradicional The
Washington Post anunciava a compra da revista Slate (www.slate.com),
da Microsoft, pioneira no universo on-line, por alguns milhões
de dólares.
A família Graham, que também
controla a revista semanal Newsweek, está de olho nesta audiência
de cerca de 58 milhões de pessoas que diariamente acompanha do
computador o que acontece de mais interessante mundo afora. A
Slate é uma espécie de prima pop da Salon, sem pretensões
intelectualóides, e conta com um interessante grupo de
colaboradores, como Franklin Foer, editor da The New Republic e
autor do recente "How Soccer Explains The World". Em
entrevista para o NoMínimo, Foer, que lançou seu livro pela
Harper Collins, braço editorial do grupo de empresas do magnata
Rupert Murdoch, regente do império conservador da Fox, me disse
em agosto que, cada vez mais, "é profissionalmente impossível
evitar as grandes corporações. Mais dia, menos dia, todos nós,
inclusive você, estaremos trabalhando para elas".
De acordo com o memorando
anunciado pelos manda-chuvas do The Washington Post, Foer pode
dormir tranqüilo. Nenhuma mudança editorial será feita na
Slate, que acabara de comemorar oito outonos em sua sede em
Seattle. A edição segue sob a batuta de Jacob Eisberg e não
haverá redução, ao menos inicialmente, no corpo de 30
jornalistas fixos da revista. Desde julho o jornalão da capital
tentava abocanhar a Slate, e teve entre seus concorrentes
diretos o The New York Times, que chegou a fazer sua proposta -
também não-divulgada oficialmente, como a do Post, mas também
na casa dos milhões de dólares - para anexar a revista de Bill
Gates. Mas os sinais de que o Post viria a abocanhar a revista
ficaram claros já em setembro, quando Melinda Gates, a senhora
Bill, sentou cadeira no corpo de conselheiros do jornal dos
Graham.
A Slate tem uma visitação diária
média que varia entre 4,8 e 6 milhões. O site do The
Washington Post conta com uma média de 4,5 a 7 milhões de
leitores todos os dias. A incorporação da Slate ao catálogo
do jornalão pretende incrementar este número nos dois lados do
negócio. Detalhe final que o dá que pensar: a Slate nunca deu
lucro algum à Microsoft. Pelo contrário, trata-se de negócio
deficitário. Seu valor, o tal estimado em milhões de dólares,
é medido em prestígio. Não por acaso as ações do Post,
negociadas a US$ 26,95 até segunda-feira, hoje valem algo em
torno de US$ 960. Um Feliz Natal e bom Ano Novo para todos vocês
que, como o colunista, não possui ações do Post. Quem as têm,
certamente, já reservou seu pacote de comemorações de fim de
ano em algum resort exclusivo no Caribe. Até 2005.
(*) Foi repórter do Jornal
do Brasil, O Dia, Estado de S. Paulo e Valor Econômico. Em TV,
foi editor, roteirista e repórter dos canais Brasil e Multishow.
Vive atualmente em New York, de onde colabora para jornais e
revistas brasileiros.
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