Guia
A
caça ao emprego. Os
fatos
| Mario Rodrigues |
| Justus:
"É preciso ambição e caráter" |
Com o reaquecimento da economia, teoricamente aumentam as chances de
conseguir uma boa oportunidade de trabalho. Isso não significa que a
briga por um emprego tenha se tornado mais fácil. No reality show O
Aprendiz, da TV Record, os candidatos a um emprego no grupo Newcomm
foram 26 000, segundo o "recrutador" Roberto Justus. Um
exemplo "da vida real" é um processo recente de seleção de
novos talentos da empresa de consultoria e auditoria Deloitte. Foram
recebidos 37 000 currículos, dos quais 5 000 foram escolhidos para um
teste on-line e apenas 1 500 chamados para a dinâmica de grupo. Destes,
só metade chegou à entrevista. E 307 – menos de 1% do total inicial
– foram contratados. Para passar por tantos funis, não bastam talento
e boa formação profissional. Alguns conselhos são valiosos para fazer
um candidato sobressair entre milhares, para encaixar-se no perfil
procurado nos testes ou na dinâmica de grupo e para sair-se bem na
entrevista. Os textos destas páginas trazem a avaliação de
especialistas em recrutamento sobre o que se espera de um candidato, da
elaboração do currículo à entrevista.
Como
destacar-se entre 26 000 currículos: conselhos de Justus...
Roberto Justus,
protagonista de O Aprendiz, da TV Record, compara os processos de
seleção da vida real e os do programa.
"No programa, pude avaliar melhor os
candidatos em habilidades como liderança ou compra e venda. Na vida
real, você leva em conta o currículo e muito mais o feeling."
"É preciso ambição,
capacidade de trabalhar em grupo, de liderança de delegar tarefas, caráter,
formação e bagagem. Os dois finalistas tinham isso, mas a vencedora
era uma locomotiva e tinha carisma."
...e
da aprendiz
Vivianne Ventura, vencedora
do programa, fala sobre detalhes que a ajudaram.
"Antes de tudo, procurei no Google informações
sobre o grupo, para ver onde poderia agregar valor."
"O candidato precisa reconhecer
seus pontos fracos. Teve um que disse que o dele era 'ser pontual'. Não
era um ponto fraco de verdade."
| Sucesso
na entrevista |
|
De todo o processo de seleção,
a entrevista é a fase em que o candidato tem maior
chance de mostrar que é o mais qualificado. "Mesmo
com toda a tensão, é uma possibilidade para o
candidato vender suas competências e seu perfil",
diz Karin Parodi, especialista em aconselhamento de
carreira da empresa Career Center. É fundamental fazer
antes uma pesquisa sobre a empresa. Vestir-se
sobriamente e ser pontual são normas básicas. É bom
reconhecer que tipo de entrevista está sendo usado.
Veja alguns deles.
Entrevista de
competências
É o tipo mais utilizado. O entrevistador pede
exemplos de negociações ou ações passadas. Exige
preparar-se bem antes, revendo a própria carreira.
Entrevista de
grupo
Pode ser de dois tipos: uma entrevista com vários
candidatos ao mesmo tempo (sem ser uma dinâmica de
grupo) ou um candidato com vários entrevistadores. No
primeiro caso, evite conflito com os concorrentes e
preste atenção em dicas que revelem o que o
entrevistador espera. No segundo caso, trate os
entrevistadores com igualdade, memorize seus nomes e faça
contato visual com todos, dando prioridade a quem faz a
pergunta.
Entrevista de
pressão
Coloca o candidato em situação de stress para
avaliar sua reação. O entrevistador faz comentários
inesperados, pausas e outras provocações. É preciso
lembrar-se de que é um jogo e não se deixar
desestabilizar, passando com calma sua mensagem
principal.
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| Para
passar na dinâmica |
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Atendência atual
nas temidas dinâmicas de grupo é usar menos joguinhos
e dramatizações. "Elas dão margem para eliminar
um bom candidato apenas por ele ser um pouco tímido",
diz Iara Pasian, da empresa Deloitte. Está em alta a
chamada dinâmica situacional – um problema real do
dia-a-dia da empresa é apresentado e os candidatos
devem buscar soluções para resolvê-lo. A melhor
alternativa é jamais fingir um comportamento. "As
máscaras caem durante a atividade", observa Vitor
Pascoal, diretor da Companhia de Talentos, especializada
em processos de seleção. Mas há outros pontos que
aumentam as chances.
ENTURMAR-SE: conversar
com os outros candidatos nos minutos que antecedem a dinâmica
permite traçar um breve perfil dos concorrentes e
contribui para o entrosamento durante as atividades.
ANALISAR O
TERRENO: os primeiros minutos servem de aquecimento.
É o momento de observar como agem os candidatos e até
os aplicadores do teste.
COMPREENDER OS
TESTES: entender claramente o objetivo da dinâmica
é essencial para não perder o foco.
FALAR O NECESSÁRIO:
ficar calado é ruim, mas falar demais pode ser pior
ainda. O ideal é centrar o discurso no que for
importante para a resolução do problema proposto.
Frases feitas são péssima idéia.
SER EDUCADO: deve-se
evitar interromper abruptamente alguém, entrar em
discussões ou levantar a voz.
COOPERAR: candidatos
que tentam impor suas idéias a qualquer custo
geralmente são descartados.
Fontes: Companhia
de Talentos, DBM do Brasil,
Deloitte, Dreves & Associados, Manager
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Fonte: Revista Veja 1867, 12/01/04