Disputa pela presidência divide CCS

Edson Sardinha, de Brasília (*)

A polêmica em torno da nova composição do Conselho de Comunicação Social (CCS), órgão consultivo do Congresso Nacional para assuntos da área das comunicações, deve ganhar um novo capítulo nas próximas semanas. Antes mesmo da posse dos novos membros, prevista para o próximo dia 21, os grupos com assento no Conselho já articulam a indicação do futuro presidente do colegiado.

Até agora, três nomes se lançaram à disputa: o secretário das Culturas do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso; e o presidente da Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações (Abratel), Roberto Wagner Monteiro.

A forma com que foi conduzida a eleição dos 13 novos titulares e suplentes do CCS rendeu protestos por parte das entidades da sociedade civil, para as quais são reservadas cinco cadeiras no colegiado. Os outros oito assentos são divididos entre profissionais de comunicação e empresários. A mesma proporção é obedecida na definição dos suplentes.

Capitaneadas pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), as entidades que se sentiram excluídas do processo denunciaram, em carta aberta, o desequilíbrio na nova composição e a concentração de poder nas mãos dos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).

A principal queixa está no preenchimento das vagas destinadas à sociedade civil por representantes das empresas de radiodifusão. A manobra é atribuída a Sarney e João Paulo, que teriam definido os novos conselheiros sem discutir os nomes com as partes interessadas, submetendo a proposta ao Plenário do Congresso no apagar das luzes de 2004.

Na cota da sociedade civil entraram, por exemplo, o próprio Roberto Wagner Monteiro, que também é vice-presidente corporativo da Rede Record, e o idealizador da Rede Vida, João Monteiro de Barros Filho, indicado pelo Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã.

Entre aqueles que deixam o CCS estão os jornalistas Alberto Dines e Carlos Chagas e o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Ricardo Moretzsohn. Como a presidência é destinada a um representante da sociedade civil, os setores que se sentiram excluídos do processo de eleição dos novos conselheiros estão organizando um movimento para impedir a indicação de Monteiro, cuja candidatura tem simpatia da maioria do empresariado. 

“Embora não esteja alinhado ao grupo hegemônico de comunicação do país, ele representa os interesses da grande mídia. Temos de discutir outros nomes, até para compensar essa inicial falta de equilíbrio”, diz o coordenador-geral do FNDC, Celso Augusto Schröder, designado para uma das suplências do Conselho.

A definição dos suplentes da categoria sociedade civil, aliás, é o que mais preocupa o FNDC, segundo Schröder. Entre os indicados aparecem diretores da Rede Amazônica de Rádio e TV, da Rede CNT e da TV Rádio Clube de Teresina, além do vice-presidente do Jornal do Brasil, Paulo Marinho.

Este é apenas mais um capítulo da tumultuada história do Conselho de Comunicação Social. Previsto na Constituição de 1988, só começou a funcionar em 2002. O poder do órgão também é limitado. Além de aprofundar discussões sobre temas relacionados às comunicações, ele tem apenas poder consultivo.

No final do ano passado, o CCS recomendou aos órgãos do sistema de defesa da concorrência veto à fusão entre as gigantes da televisão por assinatura Sky e DirecTV. Em 2005, as discussões devem se concentrar em torno do modelo de TV digital a ser adotado pelo país. O tema encontra-se em estudo no Ministério das Comunicações.

(*) Da Oficina da Palavra

 


1/26/2005

Tcha-Tcho [26/01/2005 - 20:14]
(Freelancer)


Ops, antes que eu tome um processo na cabeça e tenha que lavar pratos para o resto da vida... ao estudar melhor e entrar em muitos dos links encontrados pelo google, percebi que muitos apesar de terem o mesmo nome podem não se tratar da mesma pessoa... e ao contrário do que afirmei no comentário anterior não há nenhuma evidencia que o Sr. Arnaldo Niskier, secretário das Culturas do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Letras, tenha participado de "muitos conselhos" ou de nenhum... desculpo-me por qualquer inconveniente... mas continuo lamentando a composição do conselho e dos candidatos.
  

Tcha-Tcho [26/01/2005 - 19:17]
(Freelancer)


Nossa! Sugiro uma busca no google de Arnaldo+Niskier+conselho... são mais de 2000 entradas, e todos os conselhos que ele já participou (são muitos)... mas, neste momento lembro de minha vó "Se conselho fosse bom era vendido não dado", ele vende o dele, e muitos outros querem vender o seu tb... Já que é para pagar, espero que compremos o melhor para todos
  

  Talis Andrade [26/01/2005 - 18:26]

Este povo todo solto nas notas. Eu cá, desempregado. O Sarney era presidente, e o Senado queria o impeachment dele, via OAB. Presidente da República, Sarney tinha declarado que os senadores estavam promovendo terrorismo. Meu amigo Thales Ramalho telefonou pedindo opinião. Aconselhei: Diz que Sarney falou em terrorismo no sentido filosófico. Pois é, gente, esta palavrinha tão em moda pertence à filosofia no significado que Kant lhe atribuiu de Terrorismo Moral, que é a interpretação da história como decadência ou regressão. E abrange certas previsões utópicas. Difícil foi achar o livro de Kant para provar. Encontradiço, no Recife, em francês, na biblioteca da Faculdade de Direito, onde, salvo engano, o Sarney estudou, que ele começou no jornalismo no Diário de Pernambuco. O Saulo, advogado, deu uma notinha a respeito , e o impeachment foi pro Brejo. (cont)

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  Talis Andrade [26/01/2005 - 18:09]

Olha, gente, todo mundo foi contra o Conselho de Jornalistas. E todos aprovam os Conselhos Editoriais, fundados e nomeados, em cada empresa, pelos patrões. Estamos cá discutindo quem deve ir para o Conselho de Comunicação Social (CCS), órgão consultivo do Congresso Nacional para assuntos da área das comunicações. Este mesmo Congresso - como disse bem os jornais portugueses - passou "chumbo" no Conselho Cor de Rosa proposto pela Fenaj, via Governo da União. A pergunta certa é uma só: o novo CCS, a ser nomeado, vai defender a criação dos Estatutos do Jornalismo? Caso contrário, chumbo neles.

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  Fernando Fagundes Ferreira [26/01/2005 - 17:01]
(Assessor de Imprensa-INPRESS - ES - Vila Velha)


Saem Dines, Chagas e Moretzsohn para entrada de Niskier e cia!? Vejo isso como um salto qualitativo, vertical, para baixo.

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  Celso Raeder [26/01/2005 - 15:19]
(Diretor-Terceira Palavra MK e Comunicação)


Com relação ao nome de Arnaldo Niskier, sugiro a leitura da crônica do Arthur Xexéo, publicada no Globo de hoje.

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Fonte: Comunique-se 27/01/05