Com que roupa eu vou? Duas
perguntas são freqüentes nos seminários que apresento sobre Marketing
Pessoal por todo o Brasil:
Para
responder às duas perguntas vou contar uma história que nos foi relatada
por uma das participantes destes seminários. Rita
buscava um novo emprego há mais de quatro meses. Naquele momento
trabalhava no departamento de informática de uma empresa de grande porte,
mas não percebia perspectivas de crescimento profissional. Isto a
desmotivava. Rita enviou diversos currículos, porém poucas foram as
ofertas realmente interessantes. Como
o costume vigente na empresa para o vestuário era de sobriedade, Rita
usava tailleurs e conjuntos
clássicos, maquilagem leve (batom claro, rímel nos olhos), saias sempre
na altura dos joelhos, acessórios elegantes e discretos, e blusas que
compunham o visual com classe e credibilidade. Todos os colegas a viam
como uma pessoa competente. Numa
sexta-feira Rita recebeu uma ligação logo pela manhã. A gerente de
Recursos Humanos de uma empresa multinacional ligou para agendar uma
entrevista para aquele mesmo dia. “Não
poderia ser outro?” – perguntou Rita a si mesma. A
empresa em que trabalhava tinha instituído o “casual
day” às sextas-feiras havia dois meses. Como Rita trabalhava
internamente sem visitar clientes externos, também aderiu àquela prática
com entusiasmo. Neste
dia, por conta do “casual day”,
Rita estava com uma calça jeans,
sapatos baixos ao estilo dockside
e uma blusa com estampa floral. Tudo perfeitamente adequado para o
ambiente casuístico da organização naquele dia. Rita
sabia que se comparecesse vestida daquela forma logo na primeira
entrevista transmitiria uma primeira impressão de descaso, desleixo e até
de incompetência. Se fosse para casa trocar de roupa iria se atrasar.
Conseqüentemente, também prejudicaria sua imagem diante de uma empresa
que a interessava muito. “E
agora, o que fazer?” – pensou novamente naquela fração de minuto. -
Podemos agendar para outro dia? – perguntou desconcertada. -
Não! - respondeu enfaticamente a gerente de Recursos Humanos - estamos
concluindo o processo seletivo e seu currículo foi muito bem indicado,
por isso estamos abrindo esta exceção para entrevistá-la hoje –
continuou. Aqui
cabe uma pausa para reflexão: o que você faria no lugar de Rita?
Coloque-se na posição dela e imagine sua reação. Era uma oportunidade
que poderia mudar sua vida profissional. Não sabemos como são os valores
desta empresa e do entrevistador quanto à apresentação pessoal, ou
melhor, quanto à vestimenta adequada para aquele novo ambiente. Também não
temos noção de como a gerente de Recursos Humanos reagiria se houvesse
um atraso para a entrevista. Muitas
dúvidas? Ótimo, pois não há uma resposta pronta, mas diversas formas
de abordar esta mesma situação. Vou apresentar duas. Uma que foi a
escolhida pela nossa “heroína” e outra que ilustrarei como
alternativa. Cabe a você, leitor, analisar ambas e sentir qual tem a ver
com seu perfil. Se possível, pense em outras respostas, mas sempre
lembrando que uma primeira imagem bem sucedida abre muitas portas. Uma
impressão ruim logo de início é muito mais difícil de ser revertida.
Portanto, a primeira impressão pode não ser a que fica, mas marca
profundamente a ponto de favorecer ou prejudicar o alcance de seus
objetivos. Vemos
isto ocorrer em nosso cotidiano com políticos, artistas, empresários,
atletas renomados e também com pessoas de nosso convívio diário.
Quantas destas pessoas tiveram suas carreiras afetadas por uma imagem
negativa causada logo no primeiro contato? Uma exposição infeliz pode
acarretar sérios danos na imagem que pretendemos construir ao longo de
nossa carreira profissional. Voltando
ao nosso caso, Rita tomou a seguinte decisão: passou em um shopping
center próximo do trabalho e comprou roupas novas e adequadas à
entrevista. Chegou no horário marcado e com uma apresentação pessoal
mais sóbria. Isto reforçou sua confiança no momento da entrevista, a
ponto dela comentar com a entrevistadora sobre a situação que passou ao
final do processo. Este comentário rendeu-lhe uma boa impressão perante
a gerente, pois demonstrou jogo de cintura, capacidade para resolver situações
inesperadas e criatividade. Aliados ao seu excelente currículo, estas
características fizeram com que Rita conseguisse o emprego e sua história
serve de benchmarking para
todos nós. Mas
você deve estar se perguntando: muito bem, mas se não houver um shopping
center aqui por perto ou condições financeiras para arcar com esta
compra? O que pode ser feito? É
aí que apresento uma alternativa. Sabemos que agendar para outro dia é
impossível. Atrasar-se logo no primeiro contato é totalmente descartável.
Uma das possibilidades é falar com o entrevistador ainda pelo telefone e
explicar a situação. Com isto você evita chegar na entrevista de forma
a causar uma surpresa para a outra pessoa. Garante também que você
conhece a importância da apresentação pessoal e respeita os valores
daquela organização. É possível transmitir uma boa impressão já ao
telefone. Para isto trate o caso com naturalidade, demonstrando interesse,
disposição e segurança. Como? Bem, isto é assunto para outro artigo. Para
concluir, lembro a famosa frase de Vinícius de Moraes: “as feias que me
desculpem, mas beleza é fundamental”. No nosso caso faço uma
importante alteração para complementar a resposta às questões
iniciais: “os despreocupados com a aparência que me desculpem, mas
apresentação pessoal é fundamental.” |