Comunicação foi um dos grandes temas do FSM

Svendla Chaves, de Porto Alegre (*)

Mais de 90 atividades relacionadas com a Comunicação foram realizadas no Fórum Social Mundial 2005 (FSM), que teve seu encerramento nesta segunda-feira (31/01), em Porto Alegre. O grande tema, que nesta edição mereceu espaço de discussão específico, abrangeu tópicos variados, com oficinas e debates sobre assuntos como direito à informação, imprensa alternativa e controle da mídia. Como destaque entre as atividades realizadas esteve o painel “Quixote hoje: utopia e política”, que teve a presença dos escritores José Saramago e Eduardo Galeano, do ex-diretor da Unesco Federico Mayor Zaragoza e dos jornalistas Ignacio Ramonet e Roberto Savio.

Segundo a organização do FSM, 6823 pessoas foram cadastradas como imprensa, sendo 4756 ligadas a veículos de comunicação e 2067 como free-lancers; 1165 representaram veículos alternativos. Os profissionais cadastrados vieram de 70 países.

Além dos eventos do Fórum, a programação paralela também abordou a Comunicação, tendo como principais destaques o III Fórum Social da Comunicação, organizado pela Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade (Alap), e o primeiro Fórum Mundial da Comunicação e Informação (FMCI), promovido pela Inter Press Service (IPS), com apoio do Le Monde Diplomatique e Media Watch Global, entre outros.

Mario Lubetkin, jornalista e diretor-geral da IPS, mediou os debates do FMCI, concentrados em quatro grandes mesas: “Sociedade Civil, Informação e Comunicação”, “O Novo Informativo de Pensamento Único”, “É possível a mudança?” e “A sociedade da informação, mercado ou cidadania?”. Entre os painelistas, Ignacio Ramonet, que também é presidente da Media Watch Global, e o acadêmico francês Armand Matellard, além de representantes da Associação Mundial de Rádio Comunitárias (Amarc), do Parlamento Europeu, da Ciranda Internacional da Informação Independente, da ONG britânica Oxfam, do IBase e do movimento Communications Rights in the Information Society (CRIS).

Lubetkin afirma que já era o momento da Comunicação ganhar um evento próprio: ”Todos os debates que aconteceram nos Fóruns anteriores não resolveram as nossas questões de comunicação. A primeira delas é poder ter uma atuação mais ativa, articular a comunicação do Fórum. Segunda: em geral, nós não pensamos no ‘day after’, ficamos restritos aos cinco dias do FSM, precisamos ultrapassar essa barreira. A terceira é que existe uma enorme dispersão da comunicação do Fórum, que neutraliza a capacidade de lançar um conjunto de mensagens de grande impacto”.

Mais de 300 jornalistas participaram do Fórum Mundial da Comunicação e Informação, promovido um dia antes da abertura do FSM. Três linhas de ação foram resultado do encontro: a articulação de uma rede de mídia alternativa, que permita que a população seja informada o ano todo sobre o FSM; a criação de uma comunidade virtual de jornalistas, com um software inteligente, que permita aos jornalistas conhecer os diversos momentos de trabalho do FSM; e a estruturação de uma universidade virtual, na qual haja troca de conhecimentos entre a mídia e a sociedade civil.

O diretor-geral da IPS acredita que o primeiro passo é sistematizar e conhecer a mídia e os jornalistas que seguem o Fórum, para que a partir daí possam ser construídas as redes de informação. Lubetkin acredita que esta será uma forma de evitar a “desinformação” que permeia o evento: “Se você informa parcialmente sobre o FSM, você está na verdade desinformando. Se vem um jornalista para cá, que não acompanhou o que aconteceu no ano todo ao redor do Fórum, e noticia, por exemplo, que no Acampamento da Juventude tem menininhas tomando banho nuas, deixa de informar que no Fórum há mais de dois mil debates e muitas personalidades do mundo todo para discutir temas centrais. Isso sim é notícia, não a menina tomando banho. O jornalista, quando fala da menina, não está compreendendo o Fórum”.

(*) Da equipe do site Beminformado.


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Fonte: Comunique-se  01/02/05