height=46

height=60



Definindo conceitos e papéis
As empresas responsáveis buscam
resultados muito além dos lucros

Fernando Credidio
fernando.credidio@parceirosdavida.org.br

2005! Novos desafios e atribuições. Após mais de dois anos escrevendo sobre comunicação e marketing para organizações do Terceiro Setor, recebi do Conselho Editorial da Revista Filantropia uma agradável incumbência, diretamente relacionada às atividades que desenvolvo como gestor e consultor de investimento social privado e responsabilidade social empresarial. Com isso, a partir desta edição, passo a escrever sobre esses temas. Além dos artigos, este espaço trará todos os bimestres uma novidade: a coluna Empresas que Fazem, destinada a divulgar as ações corporativas que se destacaram no mercado socioambiental no período anterior ao do fechamento da edição da revista. Então vamos lá.

Marketing social, filantropia empresarial, investimento social privado, ações de marketing de causa, responsabilidade social empresarial (RSE)... Apesar de se relacionarem, esses termos diferem conceitualmente entre si. A verdade é que eles têm sido mal entendidos e, principalmente, empregados de forma equivocada pelos gestores das organizações do Terceiro Setor, executivos de empresas e, sobretudo, pela mídia. A intenção deste artigo é exatamente orientar esses públicos em relação a tais questões que estão na pauta do dia.

Nesse contexto, a expressão que gera mais discussão é, sem dúvida, marketing social. Há pouco tempo foi publicado em um dos mais conceituados veículos dirigidos às áreas de propaganda e marketing do país que uma empresa decidiu adotar o marketing social como estratégia para vender mais produtos. Essa é infelizmente a visão que muitos têm a respeito de marketing social. Quando não associam o conceito à venda de produtos e serviços, imaginam que se trata de uma ferramenta que possibilita uma empresa associar sua marca a causas sociais. Outros vão ainda mais longe, divulgando que marketing social é aquele voltado à atividade social como ferramenta de gestão de causas e organizações sociais, no sentido de comunicar as ações dessas entidades a seus diferentes públicos, inclusive, à mídia.

Marketing social é bem diferente do que vem sendo divulgado. Uma das melhores definições a respeito do tema é a de Philip Kotler – professor emérito, consultor de grandes empresas e autor de dezenas de livros publicados em diversos idiomas –, que define marketing social como o emprego de princípios e técnicas de marketing para a promoção de uma causa, idéia ou comportamento social. Miguel Fontes, presidente da subsede brasileira da consultoria John Snow – que, entre outros projetos, mantém o portal Socialtec –, e estudioso do assunto, define marketing social como a gestão estratégica da adoção de comportamentos, atitudes e práticas que promovam o fortalecimento e a implementação de políticas públicas e a transformação social. Eu já defino marketing social como uma ferramenta de planejamento e execução de programas desenvolvidos para a promoção de mudança social, mediante o emprego dos conceitos do marketing comercial.

E com relação às demais definições? Filantropia empresarial é uma atividade que, embora necessária em alguns casos, perde espaço gradativamente em face do posicionamento que privilegia o investimento social privado. Como explica a maior parte dos dicionários, filantropia deve ser entendida como caridade e amor à humanidade. É, sobretudo, quando a empresa faz uma doação e se preocupa com a forma com que os recursos são utilizados e com os impactos sociais gerados. São ações geralmente pontuais e relacionadas ao humanitarismo.

Quando o assunto é investimento social privado, adoto a definição criada pelo Gife – Grupo de Institutos e Fundações Empresariais, como sendo o repasse voluntário de recursos privados de forma voluntária, planejada, monitorada e sistemática, proveniente de pessoas físicas ou jurídicas, para projetos sociais de interesse público.

O Marketing Relacionado a Causas (MRC), ou Cause Related Marketing, deve ser entendido como uma ferramenta de marketing e posicionamento que associa uma empresa ou marca a uma questão ou causa social relevante, com benefício para toda a sociedade e para elas próprias. Segundo Sue Adkins, diretora de Marketing Relacionado a Causas do Business in the Community, o MRC é uma atividade comercial na qual empresas, organizações da sociedade civil e/ou causas formam uma parceria para comercializar uma imagem, um produto ou serviço, sempre com benefício mútuo. É usar o poder da marca e do marketing junto às necessidades da causa e da comunidade, para se alcançar o bem-comum.

Como se vê, é um jogo de “ganha-ganha”. É indiscutível que, ao adotar o MRC, as empresas se beneficiam pela capitalização da imagem – sobretudo pela exposição por meio da mídia espontânea – por um maior incremento de venda de seus produtos e serviços e, as entidades e/ou projetos, pela obtenção dos recursos financeiros arrecadados. Nesse sentido, as corporações podem atuar diretamente com suas ações de cidadania ou se unirem a organizações da sociedade civil (geralmente, quando estas possuem uma imagem fortalecida e respeitada), em prol de alguma causa socialmente relevante.

A definição de responsabilidade empresarial foi propositalmente deixada para o final, uma vez que ela abraça as demais.

O investimento social privado, o marketing social – quando promovido por empresas –, o MRC, e até a filantropia empresarial, são braços da responsabilidade social corporativa. O Instituto Ethos defende que RSE é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira e corresponsável pelo desenvolvimento social. A empresa “socialmente responsável” é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, colaboradores, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente), conseguindo incorporá-los ao planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos, e não apenas dos acionistas ou proprietários.

A definição da Comissão das Comunidades Européias que preconiza que RSE é um comportamento que as empresas adotam voluntariamente, indo além dos requisitos legais, porque consideram ser esse seu interesse a longo prazo. Implica uma abordagem por parte das corporações que coloca no cerne das estratégias empresariais as expectativas de todas as partes envolvidas e o princípio de inovação e aperfeiçoamento contínuos.

Independentemente de definições e conceitos, o fato é que vivemos um momento em que as empresas e a sociedade se mobilizam para buscar soluções a fim de diminuir as desigualdades sociais. Parafraseando Márcio Schiavo, quando se prega a aplicação do marketing social ou outra ferramenta social pelas organizações atuantes no Terceiro Setor e empresas, não se está propondo que se dê um tratamento igualitário, por exemplo, às vacinas e aos batons ou a cremes dentais e à prevenção do câncer uterino. O que se busca é sorrisos saudáveis no rosto daqueles que adotaram uma inovação social que lhes foi disponibilizada por um programa que se tornou mais eficaz a partir do emprego das técnicas e metodologias de comunicação aplicadas ao desenvolvimento.

 

Fernando Credidio.Presidente-executivo do Instituto Parceiros da Vida de Com. & Resp. Social Empresarial, coordena a disciplina Estratégias de Comunicação para o Marketing Cultural e a Cidadania Corporativa na Faculdade Cásper Líbero e Universidade da Flórida, e o curso Management in Social Responsibility.

 

Pergunta do Terceiro Setor

Gostaria de saber se uma ONG pode emitir nota fiscal, (por exemplo, uma organização que vende artesanato).
A entidade sem fins econômicos, via de regra, é uma prestadora de serviços e, desta forma, deve obrigatoriamente requerer seu registro junto à prefeitura de sua sede. No caso da organização que tem por atividade meio a venda regular de produtos, ela deverá inscrever-se junto à Secretaria da Fazenda do estado em que está sediada e requerer autorização para a emissão da nota fiscal. Para a venda de artesanato, o regulamento do ICMS de São Paulo (decreto 45.490/2000) em seu anexo I, que trata das isenções, e no art. 31, entende que é isenta a venda de mercadoria de produção própria da instituição de assistência social ou educação, desde que a entidade não tenha finalidade lucrativa. A isenção deverá ser requerida pela entidade e reconhecida pela Secretaria Estadual da Fazenda.


Acontece

6º Simpósio Nacional de Captação de Recursos para as Entidades do Terceiro Setor
Data: 11/03/2005
Realização: Econômica Desenvolvimento Empresarial Inscrições: pelo site www.economica.com.br



Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente
O Pró-Conselho Brasil, uma parceria entre o governo federal, a sociedade civil e a iniciativa privada, lançou no fim do ano passado, em Brasília, a Campanha Nacional Fundo Amigo, que visa incentivar empresas a fazerem doações aos Fundos da Infância e da Adolescência (FIA) em todo o país. De acordo com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), em 2000, apenas 5,41% das empresas com potencial doador destinaram recursos ao FIA, apesar de o Estatuto da Criança e do Adolescente permitir a dedução do valor do imposto de renda.



Instituto Criança é Vida já atende mais de 10 mil famílias
O Instituto Criança é Vida tem bons motivos para comemorar. Em dois anos de existência, registrou crescimento de 37% no número de instituições assistidas e de 103% nas frentes de trabalho. Durante 2004, 567 agentes de saúde foram treinados e 9.904 famílias, mais cerca de 24 mil crianças, foram beneficiadas diretamente. Além disso, o projeto Criança é Vida Bebês foi um dos finalistas do Prêmio Criança da Fundação Abrinq no ano passado. O programa registrou um aumento de 230% no número de instituições atendidas na Grande São Paulo, saltando de 13 em 2003, para 43 em 2004.
www.criancaevida.org.br



Prática da responsabilidade social
A pesquisa Responsabilidade Social nas Micro e Pequenas Empresas Paulistas, realizada pelo Sebrae-SP, apresentou recomendações de como praticar responsabilidade social de resultado e divulgou os benefícios já alcançados.
www.sebrae.com.br



Pista de atletismo
Acaba de ser instalada em Niterói a primeira pista de atletismo no Brasil que possui sistema inédito com a tecnologia de instalação denominada Fast Track. A pista não possui depressões ou desnivelamentos, o que aumenta o condicionamento físico dos atletas. A pista foi entregue à Associação Niteroiense de Deficientes Físicos (Andef), que treina diversos paratletas da seleção brasileira, como Roseane Santos (medalha de ouro nas Paraolimpíadas de Sidney), Antônio Delfino (duas medalhas de ouro em Atenas) e Ádria Santos, brasileira que ganhou mais medalhas nas Paraolimpíadas de 2004.
www.andef.org.br

Agenda do Terceiro Setor
fevereiro
18/2 a 19/2/2005
18/2/2005
19/2/2005
21/2 a 22/2/2005
março
7/3 a 30/6/2006
18/3 a 15/10/2005
21/3/2005
Serviço

Guia de Mídia
O site Guia de Mídia é um anuário on-line com atualização constante e conteúdo gratuito. Ele oferece diversas listas de sites separados por temas como serviços públicos, entretenimento, defesa do consumidor e educação, além de uma área exclusiva para o Terceiro Setor. No link Sites ONGs é possível encontrar mais de 100 endereços eletrônicos de entidades ligadas ao voluntariado, responsabilidade social e filantropia.
http://www.guiademidia.com.br/

Revista Filantropia
Nem só de boas ações sobrevive uma entidade.

Atualize-se: leia a Revista Filantropia! clique aqui!

Para ser removido desta lista responda esse e-mail com o título REMOVER. Este e-mail é enviado de acordo com o 'Guia de Boas Maneiras' para e-mail marketing da ABEMD - Associação Brasileira de Marketing Direto. Clique aqui para conhecê-lo. E se adequa as nomas do Código de Ética AntiSPAM do Brasil AntiSPAM. Clique aqui para conhecê-lo.

Caso não consiga visualizar corretamente nossso informativo acesse: http://www.revistafilantropia.com.br/revista/admin/newsletter/RFOL/news23.asp