Quem diria, finalmente descobriram o setor de RP!

Isabel Rodrigues (Sex, 27 de Setembro de 2002 23:04)

Relações Públicas não é uma nova disciplina de comunicação. Existe há tempos, mas, é verdade, está sendo tratada como se fosse recém-descoberta. Hoje, é comum encontrar empresas, independentemente de sua área de atuação, contando com o importante suporte de uma agência de RP. Descobriram, e as razões são as mais variadas, a relevância dessa atividade dentro do mix de comunicação, que sempre se quer o mais completo possível. Não é por outra razão que o segmento de RP tem experimentado, ano após ano, níveis de crescimento cada vez mais amplos.
 

Essa boa performance, como não poderia deixar de acontecer, despertou a atenção das “big stars” mundiais do setor, que rapidamente trataram de aportar por aqui. Algumas chegaram com a cara, a coragem e um cliente na bagagem; outras, nem tanto ousadas, preferiram o caminho menos arriscado das parcerias. Sem clientes como moeda de troca, tinham apenas promessas a oferecer às agências locais. Muitas dessas parcerias persistem, firmes e cada vez mais fortes, revelando que as promessas estão sendo cumpridas.
 

O mercado brasileiro, obviamente, ganhou, e muito, com essa competição. As agências locais, com o acirramento da disputa, trataram de melhorar ainda mais a criatividade e a qualidade do trabalho oferecido; as multinacionais, por sua vez, que chegaram imaginando um mercado com muito ainda por fazer, foram surpreendidas com o elevado nível da concorrência local e se viram obrigadas a empreender um esforço muito maior para cumprir seus budgets. É importante salientar que as agências locais, comandadas por profissionais de reconhecida competência, há tempos realizam trabalhos que nada ficam devendo aos desenvolvidos pelas agências de grife em seus mercados de origem.
 

Essa avalanche de multinacionais no segmento de relações públicas serviu para esquentar o “burburinho” no mercado, mas nenhuma grande novidade foi acrescentada. Ressalvas devem ser feitas a apenas duas empresas, ambas americanas de origem, a Burson Marsteller e a Hill and Knoltton, que chegaram há mais de 20 anos como desbravadoras de um mercado que dava seus primeiros passos. Estas sim merecem o reconhecimento pelo muito que fizeram para o desenvolvimento da atividade de RP no Brasil.
 

Vale observar, ainda, o renascimento do interesse das grandes agências de publicidade pelo setor de relações públicas. Renascimento sim, pois muitos profissionais de comunicação hão de se lembrar dos famosos Whole Eggs e Orchestration, nomes dados por duas grandes agências de propaganda para designar o pacote integrado de disciplinas oferecido aos clientes e que incluía as relações públicas. Na época, era uma boa idéia. Mas não colou. Hoje, sem os nomes sofisticados de antes, tenta-se a mesma coisa. Desta vez, se a lição do passado foi aprendida, pode-se obter sucesso.
 

Espera-se que, com esse renovado interesse, o setor de RP tenha seu valor efetivamente reconhecido como disciplina de comunicação, bem como a relevância e a amplitude de seu papel no mix da comunicação. Afinal, muitos ainda a vêem apenas como uma redatora e distribuidora de press-releases. E isso é muito, muito pouco para uma disciplina que trabalha com os maiores patrimônios de uma empresa: sua imagem e suas marcas.

Fonte: http://www.portaldapropaganda.com/marketing/relacoes_publicas/2002/09/0001