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Relações Públicas não é uma nova
disciplina de comunicação. Existe há tempos, mas, é verdade, está
sendo tratada como se fosse recém-descoberta. Hoje, é comum
encontrar empresas, independentemente de sua área de atuação,
contando com o importante suporte de uma agência de RP. Descobriram,
e as razões são as mais variadas, a relevância dessa atividade
dentro do mix de comunicação, que sempre se quer o mais completo
possível. Não é por outra razão que o segmento de RP tem
experimentado, ano após ano, níveis de crescimento cada vez mais
amplos.
Essa boa performance, como não poderia
deixar de acontecer, despertou a atenção das “big stars” mundiais do
setor, que rapidamente trataram de aportar por aqui. Algumas
chegaram com a cara, a coragem e um cliente na bagagem; outras, nem
tanto ousadas, preferiram o caminho menos arriscado das parcerias.
Sem clientes como moeda de troca, tinham apenas promessas a oferecer
às agências locais. Muitas dessas parcerias persistem, firmes e cada
vez mais fortes, revelando que as promessas estão sendo cumpridas.
O mercado brasileiro, obviamente,
ganhou, e muito, com essa competição. As agências locais, com o
acirramento da disputa, trataram de melhorar ainda mais a
criatividade e a qualidade do trabalho oferecido; as multinacionais,
por sua vez, que chegaram imaginando um mercado com muito ainda por
fazer, foram surpreendidas com o elevado nível da concorrência local
e se viram obrigadas a empreender um esforço muito maior para
cumprir seus budgets. É importante salientar que as agências locais,
comandadas por profissionais de reconhecida competência, há tempos
realizam trabalhos que nada ficam devendo aos desenvolvidos pelas
agências de grife em seus mercados de origem.
Essa avalanche de multinacionais no
segmento de relações públicas serviu para esquentar o “burburinho”
no mercado, mas nenhuma grande novidade foi acrescentada. Ressalvas
devem ser feitas a apenas duas empresas, ambas americanas de origem,
a Burson Marsteller e a Hill and Knoltton, que chegaram há mais de
20 anos como desbravadoras de um mercado que dava seus primeiros
passos. Estas sim merecem o reconhecimento pelo muito que fizeram
para o desenvolvimento da atividade de RP no Brasil.
Vale observar, ainda, o renascimento do
interesse das grandes agências de publicidade pelo setor de relações
públicas. Renascimento sim, pois muitos profissionais de comunicação
hão de se lembrar dos famosos Whole Eggs e Orchestration, nomes
dados por duas grandes agências de propaganda para designar o pacote
integrado de disciplinas oferecido aos clientes e que incluía as
relações públicas. Na época, era uma boa idéia. Mas não colou. Hoje,
sem os nomes sofisticados de antes, tenta-se a mesma coisa. Desta
vez, se a lição do passado foi aprendida, pode-se obter sucesso.
Espera-se que, com esse renovado
interesse, o setor de RP tenha seu valor efetivamente reconhecido
como disciplina de comunicação, bem como a relevância e a amplitude
de seu papel no mix da comunicação. Afinal, muitos ainda a vêem
apenas como uma redatora e distribuidora de press-releases. E isso é
muito, muito pouco para uma disciplina que trabalha com os maiores
patrimônios de uma empresa: sua imagem e suas marcas. |