
Os segredos da captação de
recursos
Dez dicas valiosas para profissionalizar a mobilização de
recursos de sua entidade
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Fernanda Dearo
fernandadearo@dearo.com.br
A atividade de
captação de recursos é vista no Brasil como um grande obstáculo para
a realização dos sonhos e necessidades de um mundo melhor, objetivo
geral do Terceiro Setor. Mas não é. Inspirada nas ferramentas de
marketing, a captação de recursos exige, antes de tudo, profi
ssionalismo. Ser profi ssional
implica em organização, responsabilidade, otimismo, seriedade e
foco. Não há um manual pronto, uma receita. Quem dita as regras é o
mercado, mas existem dicas baseadas na experiência que podem clarear
as dúvidas mais comuns.
1. Em
primeiro lugar, é importante esclarecer o que é captação de
recursos e para que a fazemos. Se você ou sua ONG não tem
respostas defi nidas, nem pense em começar. Captação de recursos
é uma atividade de marketing, e se você não sabe o que é
marketing, vai fi car difícil. “Marketing é um conjunto de
ferramentas e estratégias que visa atender necessidades e
desejos do consumidor” (Phillip Kottler). E quem é ele? As ONGs
têm dois tipos de público-alvo: a causa que defendem e os
possíveis patrocinadores. Por exemplo, uma entidade que luta
pelos direitos do idoso deve buscar patrocinadores que se
identifi quem com a causa, como farmácias, clubes e agências de
turismo. Já outra que defende os direitos da mulher, deve
procurar empresas do ramo de cosméticos, confecções, revistas
femininas etc. Isso não signifi ca que uma empresa de construção
não se interesse pelo patrocínio. Ao contrário, em captação de
recursos tudo é possível.
2. O que você
“acha”, infelizmente, não vai ajudar. Quem dita as regras é o
mercado. “Ah, eu acho que a empresa X vai nos patrocinar”. Não
ache! Pesquise, visite, conheça. Informe-se, leia jornais,
revistas. Entenda como as empresas funcionam, acompanhe os
editais do governo, leia novas leis, fique por dentro.
3. Crie e
pulverize sua credibilidade. Mantenha seu balanço e relatório de
auditoria em dia e coloque-os à disposição dos parceiros.
Divulgue depoimentos de quem já investiu em você. Tenha uma
página na internet com tudo isso, atividades, equipe, histórico.
4. Coloque-se
no lugar do patrocinador e faça a pergunta: “Por que eu
investiria nessa ONG ou nesse projeto?”. Se a resposta não tiver
pelo menos três razões muito boas, você está correndo o risco de
não obter sucesso na negociação. Importante: as razões devem ser
explicitadas ao parceiro. Comunicação é tudo no processo de
captação de recursos. Se você não perguntar, não vai saber o que
ele espera de você e, se você não contar sobre suas habilidades,
ele nunca vai saber.
5.
Planeje-se. Saiba aonde você quer chegar e quanto precisa
captar. Para quem não sabe, qualquer caminho está errado. E
planejamento é atividade em grupo. O captador de recursos não
escreve um projeto sozinho, ele o torna esteticamente atraente,
cria vantagens para o patrocinador e incrementa a argumentação.
6. Respeite
as etapas do processo de captação de recursos:
-
Estudo: é o momento em que você analisa o projeto ou a
ONG para estar seguro na hora da apresentação.
-
Prospecção: é a pesquisa que você fará sobre os
potenciais patrocinadores e parceiros, respeitando três
critérios básicos: a semelhança com a causa que sua ONG defende,
a disponibilidade de recursos (quem não tem recursos não pode
patrocinar) e os objetivos do patrocinador – visite o site dele
na internet, conheça sua linha de produtos e serviços, o número
de funcionários e público-alvo, verifique a região em que atua,
se já promove atividade sócio-cultural e descubra a agência de
publicidade que o atende.
-
Diagnóstico: é sua lista de possíveis patrocinadores,
com todos as informações sobre os mesmos, desde a razão social,
até últimas atividades deles no mercado.
-
Contato com o mercado: é quando você vai falar com o
possível patrocinador. O ideal é começar o contato com o
departamento de marketing. Agendar um encontro é o mais
recomendado, nada substitui o “olho no olho”, mas você deve
estar preparado para enviar um fax sobre o assunto.
-
Negociação: é o período que varia de caso para caso.
Depende de vários fatores: fechamento de orçamento das empresas
– cada uma tem seu tempo, algumas em julho, outras em outubro,
outras em dezembro; burocracia interna; mudanças de diretoria, e
assim por diante. No caso de recursos públicos, os editais já
avisam as regras, mas há fundos que estão disponíveis o ano
todo. Na hora de negociar, você deve gerar sempre muita
credibilidade e segurança, enfatizando benefícios e vantagens
que o patrocinador terá ao investir.
-
Fechamento do negócio: negociar um projeto social é
como outro qualquer, você deve manter a postura profissional. Um
contrato de parceria e/ou patrocínio deve ser assinado por ambas
as partes. O papel documenta o que foi dito e garante direitos e
deveres.
-
Acompanhamento: o captador de recursos não termina sua
tarefa quando consegue um patrocínio. Ele deve acompanhar o
investimento e a aplicação do mesmo e garantir sua boa utilização
para os fins solicitados. Nessa fase, a prestação de contas e a
fidelização do investidor devem ser contínuas.
-
Finalização e avaliação de resultados: quando o projeto
termina, é preciso avaliar se as metas propostas foram
atingidas. O sucesso de um projeto é argumento forte suficiente
para que seja refinanciado. Assim, o ciclo é recomeçado, com o
estudo sobre o novo projeto etc.
7.
Paciência. Captação de recursos é uma atividade de médio a
longo prazo. Tirando algumas exceções, se você precisa captar
para amanhã, deveria ter começado há pelo menos seis meses.
8.
Otimismo. Pode esperar, mesmo com todos os processos
respeitados, você vai ouvir alguns “nãos”. O que não significa
que você deva fechar a porta, pelo contrário: mantenha o
potencial investidor informado sobre suas atividades, envie um
boletim informativo e conquiste sua confiança e interesse. Em
longo prazo... No próximo projeto, ele já saberá quem é você e
estará certamente mais preparado. Muitas empresas, apesar da
“moda” da responsabilidade social (um assunto à parte), não
sabem lidar com o Terceiro Setor. Simplesmente pelo fato de
não conhecerem esse mercado. Então, faça-se conhecido.
9.
Flexibilidade. Um projeto ou uma idéia nunca deve ser
apresentado pronto. Isso dá a impressão de “engessamento”, sem
possibilidade de mudanças. Por isso, mostre primeiramente um
pré-projeto, nunca o projeto todo. O patrocinador sempre quer
participar da criação e é direito dele fazer isso, desde que
não desvie os objetivos principais.
10.
Valorize-se! “Ah, mas eu não tenho nenhum QI naquele
ministério. Não conheço ninguém naquela empresa.” E daí? Se o
seu projeto for interessante e você for um profissional
competente, vai conhecer rapidamente tudo que precisa. É
necessário parar com esse vício, criar coragem e falar ao
telefone. Acreditar!
Se você não
acredita em você, ninguém mais vai acreditar. Se você não acredita
na sua ONG, como vai fazer para convencer alguém a acreditar nela?
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Fernanda Dearo. Sócia-diretora da Dearo Captação de
Recursos e Marketing Social, consultora de captação de
recursos e marketing, presidente da ONG SOS Brasil,
palestrante e ministrante de cursos na área em todo o país. |
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Pergunta do Terceiro Setor |
É correto uma empresa do setor privado criar uma
associação sem fins lucrativos e utilizar seus funcionários para
gestão operacional desta instituição? Isso poderia estar
documentado por meio de contrato de cessão de mão-de-obra?
Uma empresa que cria uma associação pode utilizar seus
funcionários, porém, o trabalho deve ser voluntário. A Lei do
Voluntariado (9.608/98) dispõe que entidades sem fins lucrativos
podem ter voluntários, que deverão assinar um termo de
voluntariado. O trabalho é gratuito (cabe somente o
ressarcimento das despesas autorizadas) e não devem constar
requisitos de relação de emprego. Para que haja esta relação é
necessário comprovar que há subordinação, remuneração,
habitualidade e pessoalidade. Não há cessão de mão-de-obra, uma
vez que se trata de um contrato mediante pagamento, o que não é
o objetivo do caso em questão.
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Acontece |
6º Simpósio Nacional de Captação de Recursos para as
Entidades do Terceiro Setor
Data: 11/03/2005
Realização: Econômica Desenvolvimento Empresarial
Inscrições: pelo site
www.economica.com.br
Alunos com necessidades especiais no ensino regular
De acordo com o Censo Escolar 2004, o número de alunos com
necessidades especiais que freqüentam aulas regulares nas redes
de ensino pública e privada cresceu 28,1%. Na rede pública o
número de alunos subiu de 136.186 para 176.200.
Brasil reduz mortalidade infantil
Entre 1996 e 2003, o número de óbitos de crianças com menos de
um ano caiu, respectivamente, de 33,22 para 24,3 (por cada mil
nascimentos). De acordo com o estudo da Secretaria de Vigilância
em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, o índice positivo é
resultado de três fatores: ampliação dos serviços de saneamento
básico e de saúde, aumento dos domicílios abastecidos com água e
implantação de programas voltados à saúde da mulher.
Prêmio Aids & Responsabilidade Social Saúde Brasil
A primeira edição do prêmio idealizado pela Aguilla Comunicação,
que tem como objetivo estimular ações que promovam a melhoria da
qualidade de vida dos portadores do vírus HIV, anunciou os três
projetos vencedores. Os escolhidos foram: Barong, pioneiro em
levar orientação multidisciplinar sobre sexualidade com o uso de
um trailer; Milcaminhoneiros, projeto que realiza ações de
esclarecimento e conscientização sobre DSTs para caminhoneiros;
Mulheres Empreendedoras: Lutando contra a Pobreza, a
Discriminação e o Preconceito, que contribui para a geração de
renda e o bem-estar de mulheres afro-descendentes portadoras do
vírus. Cada vencedor recebeu R$ 10 mil para investir nos
projetos.
www.barong.org.br
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Agenda do Terceiro Setor |
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18/2 a 19/2/2005
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18/2/2005
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19/2 a 19/3/2005
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19/2/2005
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21/2 a 22/2/2005
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22/2 a 25/2/2005
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24/2/2005
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Serviço |
Programa capacita agentes de saúde pela internet
O projeto Promover Saúde, que capacitou 16 agentes comunitários
de saúde da Vila Conceição (São Paulo/SP), recebeu o Prêmio
Gestão SP – Inovação na Gestão Pública do Estado, organizado
pelo governo paulista. A idéia foi proposta pelos próprios
agentes, que sentiram a necessidade de ampliar conhecimentos
para melhorar a qualidade do atendimento prestado. A iniciativa
de inclusão digital foi promovida pela Escola do Futuro da USP,
no Infocentro Vila Conceição, uma das 67 unidades da capital
paulista integrantes do programa Acessa São Paulo, do governo do
Estado de São Paulo.
http://www.acessasaopaulo.sp.gov.br/
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