ANJ critica "indústria do dano moral"

Ricardo Pedreira (*)

Fortaleza, 7/02 - "A indústria do dano moral", em que pessoas que se julgam ofendidas pelos meios de comunicação recorrem à Justiça para receber indenizações milionárias, sem critérios ou limites, foi duramente criticada ontem pelo presidente da Associação Nacional de Jornais – ANJ, Nelson Sirotsky, no II Encontro Regional de Liberdade de Imprensa. O evento foi realizado em Fortaleza para divulgar a Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa, criada pela ANJ com o apoio da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO.

A Rede, por meio do site www.liberdadedeimprensa.org.br, tem o objetivo de monitorar e denunciar ações contra a liberdade de imprensa no País. No evento de ontem, discutiu-se o tema "Direito à Informação x Privacidade". Ao abrir o debate, o presidente da ANJ opinou que a imprensa não pode de forma alguma denunciar e criticar de forma irresponsável, mas argumentou que, a título de defender quem se julga ofendido, a Justiça tem imposto aos meios de comunicação "condenações absurdas, em que não há limite para as indenizações".

Sirtosky argumentou que "essas indenizações inibem a imprensa livre, disseminam a autocensura, vergam economicamente os veículos mais frágeis e promovem o enriquecimento de alguns poucos". O evento de Fortaleza foi o segundo de uma série de iniciada em fevereiro em São Paulo. No dia 23 de abril, acontece o encontro de Porto Alegre; no dia 2 de maio, do Rio de Janeiro; e no dia 8 de junho, de Brasília.

A Coordenadora de Comunicação e Informação da UNESCO, Maria Inês Bastos, assinalou a importância dos jornais como formadores do hábito de leitura, elogiando os esforços que diversos jornais brasileiros fazem neste sentido: "Refiro-me à doação de jornais para escolas e a capacitação de professores e alunos para o uso crítico e criativo de materiais jornalísticos na educação, conforme o Projeto Jornal e Educação desenvolvido pela ANJ".

Em relação ao tema "Direito à Informação x Privacidade", o ministro do Superior Tribunal de Justiça Cesar Asfor Rocha, disse em sua palestra que esses dois princípios têm que conviver. "Nenhum pode se sobrepor ao outro O importante é que os meios de comunicação ajam com responsabilidade e bom senso. Para nós, juízes, o certo é que não há nenhum direito absoluto. Até mesmo o direito à vida – quando se mata em legítima defesa – não é absoluto", disse o ministro.

Como debatedores, participaram do II Encontro Regional de Liberdade de Imprensa a Diretora da Sucursal de O Globo em Brasília, Helena Chagas; o Procurador-Geral de Justiça da Bahia, Achiles de Jesus Siquara Filho; o Diretor-Editor do Diário do Nordeste, Ildefonso Rodrigues; e o Editor-Sênior de O Povo, Valdemar Menezes.

(*) Assessor de Imprensa da ANJ


Fonte: Comunique-se  8/3/05