MEMORANDO Nº 009/05
 
Da: Presidência do CONFERP
Para: Conselheiros do Sistema CONFERP, Presidentes dos CONRERPs
        Profissionais e Alunos de Relaççoes Públicas, Universidades e Faculdades com Curso de Comunicação Social
        Entidades de Classe, Associações, Empresas e  Sindicatos de Comunicação Social.
 
Assunto: Remessa Carta Marie Claire
 
Prezado (a) Senhor (a)
 
Encaminho a Vossa Senhoria , para conhecimento, teor da carta remetida pelo CONFERP ao Senhor Juan Ocerin, Diretor Executivo da Editora Globo, por intermédio do 1º Cartório de Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas do Distrito Federal, em repúdio à matéria publicada pela Revista Marie Claire, na edição de fevereiro de 2005.
 
Na oportunidade não posso deixar de agradecer e parabenizar Vossa Senhoria, em nome de todos os profissionais de Relações Públicas do País, pela postura determinada em defesa de nossa profissão.
 
Abraços fraternos,
 
João Alberto Ianhez
Presidente
CONRERP/2ª 004 

Brasília, 26 de fevereiro de 2005.

 

Ao Senhor

Juan Ocerin

Diretor Executivo

Editora Globo

 

Senhor Diretor,

 

           O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Públicas que compõem o Sistema CONFERP, Autarquia Federal que tem como missão a fiscalização e a defesa da profissão de Relações Públicas, cumpre o dever, atendendo às suas funções e à grande indignação que provocou a matéria “Malandragem de Luxo”, publicada na edição de fevereiro de 2005 da Revista Marie Claire, de manifestar a maior estranheza com o lamentável texto, de autoria da jornalista Sandra Boccia, bem como sua falaciosa resposta aos diversos profissionais de Relações Públicas que protestaram contra a matéria.         

           Considerar a possível justificativa de que os entrevistados autodenominaram-se “Relações Públicas” como crível, mostra o desconhecimento primário da existência e das funções das profissões de Comunicação Social, que acreditamos estarem presentes na Editora Globo, onde se inserem não apenas as Relações Públicas  mas também as profissões de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Produção Editorial, Radialismo e outras que vêm emergindo.

           Ao ler atentamente o texto ficou-nos ainda a dúvida se sua motivação expressa uma ingenuidade profissional culposa ou dolosa.

 

            Portanto, preferimos considerar o texto como de uma “ingenuidade” culposa, já que a simples hipótese de supor ter havido dolo, nos obrigaria a recorrer à tutela do Estado, por meio do Poder Judiciário, exigindo todos os ressarcimentos sobre os danos que tão infeliz matéria veio provocar.

 

           Ao sermos obrigados a lembrar a prática correta do jornalismo, manifestamos também nossa surpresa ao observar que a publicação ouviu empresários que contratariam profissionais desse jaez – que serão responsabilizados dentro dos ritos legais - e sequer procurou nossos órgãos de classe, que existem e são estabelecidos há mais de 25 anos em endereços fixos e de conhecimento público, em várias capitais do País.  Cabe perguntar se o mesmo procedimento ocorreria se os tais “malandros” se intitulassem “repórteres da Editora Globo”.

         Ao recorrer ao filósofo Matias Aires (1705-1764) in “Reflexões sobre a vaidade dos homens e carta sobre a fortuna” ao afirmar: “a perda da honra aflige mais que a da fortuna” e “poucas vezes se expõe a honra por amor da vida e quase sempre se sacrifica a vida por amor da honra”, expressamos veementemente nosso mais profundo repúdio ao seu texto, bem como à sua, no mínimo incorreta, opção por não ouvir as partes ofendidas, no caso os profissionais de Relações Públicas, que pautam seu trabalho pela dedicação e honra, dispondo de um dos mais severos códigos de ética da área de Comunicação Social.

 

         Assim, à mercê de ainda legar alguma honra a Revista Marie Claire – pelo histórico da Editora Globo com relevantes serviços ao bem comum – rogamos que seja concedido ao Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas igual espaço jornalístico, explicitando o trabalho dos verdadeiros profissionais de Relações Públicas, o que por certo minorará  a infelicidade das citações incorretas, ou nos veremos todos obrigados a recolher as penas da injúria que ao vento foram atiradas, o que há de provocar pesados desgastes a todas as partes interessadas.

 

O texto desta carta foi aprovado em Reunião Plenária deste Conselho, realizada no dia 26 de fevereiro de 2005, pelos Conselheiros Federais presentes e pelos Presidentes dos Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Publicas, a saber:

 

Mário Carlos da Silva Lopes  - Presidente do CONRERP/1ª Região

Fábio França  - Presidente do CONRERP/2ª Região

Angelina Gonçalves de Faria Pereira – Presidente do CONRERP/3ª Região

           Marina Martinez  - Presidente do CONRERP/4ª Região

            José Cordeiro de Souza  - Presidente do CONRERP/5ª Região

            Silvia Valéria Mergulhão -  Presidente do CONRERP/6ª Região

            Adeilce Gomes de Azevedo -  Presidente do CONRERP/7ª Região

 

No aguardo de suas providências, despedimo–nos

 

Atenciosamente

 

 

João Alberto Ianhez

Presidente

CONRERP/2ª Região