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Executivo poliglota
02/03/2005
Enquanto o ltamarati abranda as exigências de conhecimento
do inglês para os futuros diplomatas, no mundo corporativo a
fluência nesse idioma há muito deixou de ser um diferencial,
entrando para a fileira dos pré requisitos. O português também
ganhou importância, tanto pela maior exposição dos
executivos, até mesmo na mídia, quanto pelo advento do e mail,
que vem forçando os profissionais a se aperfeiçoar na língua
pátria. Com a globalização dos negócios e a organização
regional das empresas, o conhecimento de outros idiomas passou a
ser mais do que desejável. Em alguns casos é condição sine
qua non para o exercício da liderança e a obtenção de
resultados, como bem sabem os brasileiros em postos de comando
na América Latina, onde o "portunhol" chega a ser
embaraçoso, afetando a credibilidade. Em um mundo sem
fronteiras, o estudo de idiomas conquista novos adeptos, até
mesmo para opções menos convencionais como o mandarim,
impulsionado pela relevância da China no cenário global.
Selecionar e conseguir avaliar a fluência dos profissionais tem
sido um desafio também para as empresas de recrutamento, que
precisam contar com times igualmente letrados. "Para
algumas posições, as exigências são tamanhas que a expressão
'agulha no palheiro' não chega a ser um exagero", relata a
especialista em talentos consultada nesta edição. O Painel
Executivo traz ainda a experiência de um poliglota descendente
de chineses. Embora compreenda alguns dialetos de seus
ancestrais, o executivo só coloca no currículo os idiomas em
que admite fluência de fato inglês, alemão, francês e
espanhol , além, é claro, do português.
PATRÍCIA EPPERLEIN - Sócia diretora da Mariaca
& Associates - "Para alguns cargos, á falta
de fluência em diferentes idiomas pode prejudicar os negócios
deforma significativa. Esse fator é especialmente crítico para
profissionais das áreas de exportação, gerentes de contas
internacionais, dirigentes de empresas e outros executivos que
transitam no ambiente global. A perda ocorre nos momentos de
descontração, que exercem papel fundamental para o
estreitamento das relações. Se o inglês é suficiente para os
trâmites comerciais, o conhecimento do idioma do interlocutor
permite uma melhor interação, até porque possibilita
compreendera cultura do outro, facilitando assim o contato. Por
parte das empresas, as exigências vêm aumentando cada vez
mais. O inglês é considerado condição básica e, para os
altos postos, a procura se concentra em pessoas com conhecimento
em idiomas como alemão, francês, japonês, chinês e espanhol.
O famigerado 'portunhol' não encontra espaço. Mais e mais
brasileiros têm se dedicado ao estudo da língua espanhola,
pois sentem a necessidade de se expressar com correção para a
interface na América Latina. Outra questão interessante é que
a necessidade das companhias tem exigido também uma maior
especialização das empresas de hunting, que precisam de
profissionais à altura para avaliar os candidatos. A verdade é
que o mundo está cada vez mais próximo e, como parte de um
todo, precisamos nos comunicar. Quem se isola perde na troca o
que pode ser crucial para a conquista de resultados em um cenário
de alta competição."
CHARLES LEE - Gerente Geral de Novos Negócios da
Diageo - "Filho de chineses e com vários contatos
no exterior, cresci exposto a várias línguas e sempre tive a
ambição de me tornar poliglota. Aos 10 anos, comecei a estudar
inglês e, com 18, já possuía uma base sólida, me expressando
com fluência. Na faculdade, depois de uma temporada morando nos
Estados Unidos, iniciei os estudos do alemão e do francês. Então
me dediquei ao espanhol, como autodidata. Sempre procurei
conhecer profundamente os idiomas e também a cultura dos países.
Não tenho dúvida de que isso tem me ajudado muito nas negociações
que realizo ao redor do mundo. Ainda que prefira conduzir as
transações em inglês, por me sentir mais confortável e
seguro, o fato de interagir com os demais em suas línguas de
origem cria um ambiente favorável e uma predisposição para um
desfecho positivo. Ao estudar um idioma e imergir na cultura de
um povo, compreendemos melhor o funcionamento do raciocínio do
outro, conseguindo mesmo antecipar reações. Ser poliglota não
representa, por si só, uma alavanca para a carreira. Essa
competência tem de estar combinada a outras atribuições e
qualidades. Porém uma coisa é certa: ter domínio de outras línguas
é um grande diferencial e pode abrir muitas portas."
Fonte: Revista Exame 837 02/03/05
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