edição 85 - [sumário]

Aqui tem carreira

Pesquisa da FGV-RJ aponta as melhores cidades para trabalhar de Norte a Sul do país: oportunidade existe, mas você está pronto para mudar?

Por Juliana de Mari

Quem olhar atentamente o ranking apresentado nas páginas seguintes vai perceber que, embora São Paulo continue firme como a número um entre as 100 melhores cidades para trabalhar no país, segundo pesquisa da FGV-RJ, publicada pela VOCÊ S/A pelo quarto ano consecutivo, há muitos municípios, de Norte a Sul, que estão entrando para ficar no mapa das oportunidades profissionais. Especialmente no Sudeste, que emplacou outras 50 cidades este ano, confirmando a liderança em nível regional. Macaé (RJ), a melhor não-capital do país, Betim (MG), que sintetiza a vocação plural de setores na região, e Campinas (SP), um pólo tecnológico de altíssimo nível que, graças à movimentação de executivos e de negócios, ganhou até vôo internacional recentemente, são os destaques da região. O Sul, com 24 cidades classificadas, desponta como celeiro de vagas qualificadas, tanto nas capitais Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR) quanto em cidades do interior, como Canoas (RS) e Joinville (SC). As nove capitais nordestinas aparecem na lista. Duas delas, Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre as dez melhores cidades para trabalhar do país. Já no Centro-Oeste, representado com seis municípios, além de Brasília, vale ficar atento aos movimentos não só do agronegócio, mas da indústria em Goiânia (GO). E a grande novidade da pesquisa este ano: a presença de uma capital do Norte, Belém (PA), entre as primeiras colocadas.

 

"Engana-se o executivo que ainda acredita que ter uma carreira bem-sucedida é sinônimo de estar em São Paulo", diz Gino Oyamada, vice-presidente da consultoria Fesa Global Recruiters, de São Paulo, e sócio responsável pela região Sul. "O profissional que finca raízes no eixo Rio-São Paulo pode, ao contrário do que imagina, estar criando uma barreira para o seu crescimento." Cerca de 40% dos projetos da Fesa hoje envolvem mudança de cidade. Ninguém questiona que é na capital paulista que acontecem a maior parte dos negócios e dos eventos profissionais que mexem com o país, condição que não deve mudar a médio prazo. Não à toa, São Paulo é a primeira colocada no quesito educação, um dos indicadores de maior peso da pesquisa. É também na cidade que a concorrência assume sua face mais acirrada -- e que a caçada dos headhunters é mais intensa. Mas o executivo que usa o argumento de que não vai mais estar na vitrine antes de considerar uma oferta fora da capital paulista dá prova de pouca flexibilidade e de visão limitada.

Para o consultor Carlos Mello, da Korn/Ferry International, de São Paulo, oportunidade, Brasil afora, tem. O que não existe entre os executivos brasileiros é a cultura da mobilidade. A consultoria conduziu recentemente projetos de grande porte no interior de São Paulo, em Brasília, Manaus e Goiânia. De 50 executivos abordados, apenas 1% considerou a hipótese de analisar a vaga."Não há a cultura de tomar o risco", diz Carlos. É claro que não dá para dissociar o tamanho da economia regional do potencial do mercado de trabalho. As melhores oportunidades, tradicionalmente, estão nos centros de decisão, onde estão instaladas as maiores empresas do país. Dependendo do momento de carreira, no entanto, ganha o executivo que arrisca expandir sua área de atuação. Ou, como diz o consultor Gino Oyamada, "aplica o conceito de globalização dentro do próprio país".

"A única coisa que deveria impedir um profissional de mudar de cidade é a falta de perspectiva", diz o professor Moisés Balassiano, da FGV-RJ, coordenador da pesquisa. Nem mesmo o salário deveria ser um fator determinante. Afinal, se escolher um destino no Nordeste, como o fez o executivo carioca João Ramires, presidente da Refrescos Guararapes, em Recife, o profissional vai ver o salário cair, em média, 20% em relação a São Paulo, mas o custo de vida cairá na mesma proporção e a qualidade de vida só aumentará. "Meu padrão de vida provavelmente não seria melhor se eu morasse em São Paulo ou no Rio", diz João, que mudou de cidade há cinco anos. Em alguns casos, o executivo pode até sair de bolso mais cheio. É o que descobre quem se aventura a uma vaga em Goiânia, capital de Goiás. Lá, os salários são entre 10% e 20% maiores se comparados com os de quem fica na capital paulista. Soma-se o fato de que a cidade tem menos assaltos, menos trânsito e mais incentivo ao tempo livre. Ou seja, oferece aquilo que a maioria dos executivos brasileiros aponta como fator primordial para sua satisfação: oportunidades de carreira e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Para quem tem qualificação sempre vai haver mercado, seja lá qual for a cidade escolhida para fixar residência e trabalhar. O setor petroquímico, por exemplo, forte em cidades do Sul e do Sudeste e que já impacta o mercado baiano, quando cresce necessariamente abre vagas, todas para quem é altamente especializado. Segundo o criador do site www.clickmacae.com.br, o empreendedor Walter Bonifácio, existem cerca de 5 000 empresas em Macaé (RJ) que gravitam em torno do petróleo. "Muitas vezes falta mão-de-obra para atender ao mercado", diz Walter. "Engenheiros, geólogos, mergulhadores e pilotos de helicóptero estão sendo muito procurados", avisa Fabiana Fantoni, analista da Tendências Consultoria Integrada, de São Paulo. Usa melhor o ranking quem considera que ter visibilidade depende mais de atitude do que do local de trabalho e assume o desafio de entrar em um novo mercado sem cair na zona de conforto. Mãos à obra!  

ENTENDA A METODOLOGIA
Para chegar ao resultado final do ranking, coordenado pelo professor Moisés Balassiano da FGV-RJ, foram selecionados os 5% maiores municípios do país: têm população superior a 170 000 habitantes e um total de depósitos à vista maior que 210 milhões de reais. A pesquisa analisou 100 cidades, 23 delas incluídas por critérios qualitativos, mais as 27 capitais. As cidades foram avaliadas em quatro dimensões de indicadores: educação, saúde, vigor econômico (que usou dados relativos ao PIB municipal, divulgados pelo IBGE recentemente) e fundo de participação dos municípios. Para cada uma das dimensões foi atribuído um peso (de 1 a 5), sendo educação a mais valorizada. 

 

CIDADES

PONTOS FORTES

1
São Paulo (SP) Serviços, com 82 700 estabelecimentos, é o forte da cidade
2
Rio de Janeiro (RJ) Cresce o turismo de negócio: quatro em cada dez visitantes vão a trabalho
3
Belo Horizonte (MG) Quase 70% dos trabalhadores da cidade têm carteira assinada
4
Recife (PE) Melhor cidade no NE: pólo médico, tecnológico e de consultorias
5
Brasília (DF) Briga por professores qualificados aquece o setor de educação local
6
Porto Alegre (RS) Considerada pela ONU a metrópole da qualidade de vida no Brasil
7
Curitiba (PR) Um dos melhores índices de área verde por habitante no país: 51 m2
8
Belém (PA) As melhores oportunidades estão nas indústrias madeireira e mineradora
9
Macaé (RJ) A Petrobras é a principal empregadora, com 8 800 funcionários diretos
10
Fortaleza (CE) Turismo e comércio são as atividades fortes na cidade
11
Salvador (BA) Recepção, hospedagem e lazer de turistas puxam a economia local
12
Manaus (AM) Há vagas para executivos no pólo industrial de eletroeletrônicos
13
Vitória (ES) A Vale do Rio Doce está lá: foco na pelotização e exportação de minério de ferro
14
Campinas (SP) Melhor cidade do interior paulista: pólo tecnológico chama atenção
15
S. J. Campos (SP) A Embraer é a maior empregadora, com mais de 11 000 funcionários
16
Cubatão (SP) Engenheiros do setor petroquímico têm o melhor salário da cidade
17
Goiânia (GO) Agronegócio em alta: quem entende de exportação é bem-vindo
18
Campos (RJ) Importante ligação viária com outras cidades do pólo petroquímico
19
Betim (MG) Tem a fábrica da Fiat e o novo centro de logística das Casas Bahia
20
Florianópolis (SC) Além das belas praias, destaca-se como centro regional no comércio
21
Natal (RN) 20 km de praias: turismo é a principal atividade econômica na cidade
22
Barueri (SP) Tem atraído empresas à base de incentivo fiscal
23
João Pessoa (PB) Serviço público, comércio e turismo puxam a economia local
24
Ribeirão Preto (SP) Está na região que é a maior produtora mundial de açúcar e álcool
25
São Carlos (SP) Mais de cem empresas tecnológicas: de automação a química fina
26
Cabo Frio (RJ) Turismo e indústria petrolífera são os maiores empregadores
27
Maceió (AL) Tem 800 000 habitantes e recebe um número equivalente de turistas
28
Niterói (RJ) Demanda por mão-de-obra qualificada graças ao novo boom do petróleo
29
São Luís (MA) Patrimônio histórico e cultural da humanidade: turismo em alta
30
São Caetano (SP) A General Motors é a maior empregadora, com 8 500 funcionários
31
São Bernardo (SP) Tem um parque industrial consolidado, com 1 300 empresas
32
Uberlândia (MG) É a terceira cidade em arrecadação de tributos em Minas Gerais
33
Cuiabá (MT) A economia local é baseada no comércio e em serviços
34
Volta Redonda (RJ) É a sede da maior usina siderúrgica da América Latina, a CSN
35
Piracicaba (SP) Em 2004, foi o 15o município no ranking nacional de exportações
36
Jundiaí (SP) Maior produtora de frutas do país, está no centro do mercado consumidor
37
Canoas (RS) Um dos maiores parques industriais e o segundo PIB gaúcho
38
S. J. Pinhais (PR) Cidade atrativa para executivos, é a sede de O Boticário e da Renault
39
Resende (RJ) Demanda mão-de-obra qualificada em logística e infra-estrutura
40
Teresina (PI) Tem um pólo para receber empresas com baixo potencial poluidor
41
Londrina (PR) Tem 13 000 empresas de serviços e metade da mão-de-obra no setor
42
Maringá (PR) É um importante corredor de importação e exportação
43
Americana (SP) Tem 1 700 indústrias em setores diversificados, do têxtil à alimentação
44
Duque de Caxias (RJ) Abriga a segunda refinaria do país e cresce no rastro do petróleo
45
Caxias do Sul (RS) Uma empresa do setor hortifruti para cada 14 habitantes
46
Taubaté (SP) Indústria de autopeças deu impulso à economia da cidade
47
Araraquara (SP) Sedia a Cutrale, maior empresa produtora de suco de laranja do país
48
Santo André (SP) Comércio e serviços empregam mais de 65% da população
49
Aracaju (SE) Sol o ano inteiro e patrimônio histórico preservado atraem os turistas
50
Santos (SP) Maior porto do Hemisfério Sul em movimentação de carga e infra-estrutura
51
Jacareí (SP) Tem empresas como Ambev, Kaiser, Latasa e Rohm and Haas
52
Uberaba (MG) Pólo químico com 24 empresas e grande centro médico
53
Guarulhos (SP) 90 000 empregos estão na indústria de transformação
54
Rio Grande (RS) A refinaria de petróleo Ipiranga é a empresa mais importante
55
Campo Grande (MS) Uma das cidades com maior renda per capita do país: 5 904 reais
56
Foz do Iguaçu (PR) Sedia uma das maiores hidrelétricas do mundo, Itaipu
57
Joinville (SC) Seu parque fabril emprega 58 000 funcionários
58
Juiz de Fora (MG) A expectativa de vida supera a média nacional: acima dos 73 anos
59
Mogi das Cruzes (SP) Maior produtora de orquídeas da América Latina
60
Ipatinga (MG) A maior oferta de empregos está nas 4 305 empresas do comércio
61
Blumenau (SC) A indústria têxtil e o pólo de computação são os destaques
62
Bento Gonçalves (RS) Sede da melhor empresa para trabalhar do país, a Todeschini
63
Palmas (TO) Localização estratégica: liga os Estados mais distantes do N, NE e CO
64
Bauru (SP) No ano passado, foram abertas mais de 2 400 empresas por lá
65
Rio Claro (SP) A Brascabos é a maior empregadora da cidade
66
Ponta Grossa (PR) Tem fábricas de variados setores, como Kaiser, Sadia e Tetrapack
67
S. J. Rio Preto (SP) Destaque para o setor de medicina de alta complexidade
68
Chapecó (SC) Pólo de empresas exportadoras de suínos, aves e derivados
69
Sorocaba (SP) Gerou 8 000 empregos em 2004, um aumento de 8,4%
70
Sertãozinho (SP) Centro agroindustrial, tem cinco usinas de açúcar e álcool
71
Limeira (SP) As indústrias da cidade empregam cerca de 22 000 pessoas
72
Serra (ES) Tem a melhor logística do Estado e concentra 62% do PIB capixaba
73
Diadema (SP) O forte é o setor de serviços, com 12 300 empresas
74
Suzano (SP) Sede de empresas do porte da Suzano, Aventis, Kimberly e Clariant
75
Pelotas (RS) Maior produtora de pêssego para a indústria de conservas do país
76
Itajaí (SC) Pesca forte e uma complexa rede de processamento de frutos do mar
77
Cascavel (PR) A principal cultura da cidade é a soja, que representa 50% da produção local
78
Porto Velho (RO) A indústria extrativa de minério, como ouro e cassiterita, é o forte
79
Várzea Grande (MT) Segundo maior município do Estado, focado em tecnologia
80
Boa Vista (RR) Setores agropecuário e comércio são os que mais empregam
81
Novo Hamburgo (RS) Responde por 80% das exportações de calçados do país
82
Passo Fundo (RS) Comércio é o foco da cidade: são quase 6 000 estabelecimentos
83
Osasco (SP) Os centros de distribuição da Ponto Frio e da Coca-Cola estão lá
84
Contagem (MG) Destaque para o parque industrial, com quase 2 500 empresas
85
Rio Branco (AC) É a maior cidade do Acre, com mais da metade da população total
86
São Leopoldo (RS) Sede da Unisinos, com 30 000 alunos é a maior do interior gaúcho
87
Marília (SP) Sedia grandes empresas na produção de alimentos, como a Marilan
88
Dourados (MS) Comércio é o forte: a cidade ganha este ano seu primeiro shopping
89
Macapá (AP) A vocação da cidade, banhada pelo Rio Amazonas, é o comércio
90
Pres. Prudente (SP) Está na região que mais exporta carne bovina no país
91
Taboão da Serra (SP) O setor moveleiro é o grande destaque do município
92
Petrópolis (RJ) Turismo e indústria têxtil são o forte da cidade
93
Pouso Alegre (MG) Fama de cidade próspera e PIB 45,36% maior que a média nacional
94
Santa Maria (RS) Qualidade de vida e educação no interior do Estado
95
Nova Friburgo (RJ) Novas instituições de ensino e de pesquisa estão renovando a cidade
96
Criciúma (SC) Conhecida pela produção cerâmica e a força na agricultura
97
Campina Grande (PB) Cidade high-tech, exporta software para vários países
98
Anápolis (GO) Tem o maior pólo industrial de medicamentos genéricos do Brasil
99
Guarapuava (PR) A economia da cidade está baseada no setor madeireiro
100
Ilhéus (BA) Depois da crise do cacau, renasceu no turismo e no pólo tecnológico

Quem olhar atentamente o ranking apresentado nas páginas seguintes vai perceber que, embora São Paulo continue firme como a número um entre as 100 melhores cidades para trabalhar no país, segundo pesquisa da FGV-RJ, publicada pela VOCÊ S/A pelo quarto ano consecutivo, há muitos municípios, de Norte a Sul, que estão entrando para ficar no mapa das oportunidades profissionais. Especialmente no Sudeste, que emplacou outras 50 cidades este ano, confirmando a liderança em nível regional. Macaé (RJ), a melhor não-capital do país, Betim (MG), que sintetiza a vocação plural de setores na região, e Campinas (SP), um pólo tecnológico de altíssimo nível que, graças à movimentação de executivos e de negócios, ganhou até vôo internacional recentemente, são os destaques da região. O Sul, com 24 cidades classificadas, desponta como celeiro de vagas qualificadas, tanto nas capitais Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR) quanto em cidades do interior, como Canoas (RS) e Joinville (SC). As nove capitais nordestinas aparecem na lista. Duas delas, Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre as dez melhores cidades para trabalhar do país. Já no Centro-Oeste, representado com seis municípios, além de Brasília, vale ficar atento aos movimentos não só do agronegócio, mas da indústria em Goiânia (GO). E a grande novidade da pesquisa este ano: a presença de uma capital do Norte, Belém (PA), entre as primeiras colocadas.

 

"Engana-se o executivo que ainda acredita que ter uma carreira bem-sucedida é sinônimo de estar em São Paulo", diz Gino Oyamada, vice-presidente da consultoria Fesa Global Recruiters, de São Paulo, e sócio responsável pela região Sul. "O profissional que finca raízes no eixo Rio-São Paulo pode, ao contrário do que imagina, estar criando uma barreira para o seu crescimento." Cerca de 40% dos projetos da Fesa hoje envolvem mudança de cidade. Ninguém questiona que é na capital paulista que acontecem a maior parte dos negócios e dos eventos profissionais que mexem com o país, condição que não deve mudar a médio prazo. Não à toa, São Paulo é a primeira colocada no quesito educação, um dos indicadores de maior peso da pesquisa. É também na cidade que a concorrência assume sua face mais acirrada -- e que a caçada dos headhunters é mais intensa. Mas o executivo que usa o argumento de que não vai mais estar na vitrine antes de considerar uma oferta fora da capital paulista dá prova de pouca flexibilidade e de visão limitada.

Para o consultor Carlos Mello, da Korn/Ferry International, de São Paulo, oportunidade, Brasil afora, tem. O que não existe entre os executivos brasileiros é a cultura da mobilidade. A consultoria conduziu recentemente projetos de grande porte no interior de São Paulo, em Brasília, Manaus e Goiânia. De 50 executivos abordados, apenas 1% considerou a hipótese de analisar a vaga."Não há a cultura de tomar o risco", diz Carlos. É claro que não dá para dissociar o tamanho da economia regional do potencial do mercado de trabalho. As melhores oportunidades, tradicionalmente, estão nos centros de decisão, onde estão instaladas as maiores empresas do país. Dependendo do momento de carreira, no entanto, ganha o executivo que arrisca expandir sua área de atuação. Ou, como diz o consultor Gino Oyamada, "aplica o conceito de globalização dentro do próprio país".

"A única coisa que deveria impedir um profissional de mudar de cidade é a falta de perspectiva", diz o professor Moisés Balassiano, da FGV-RJ, coordenador da pesquisa. Nem mesmo o salário deveria ser um fator determinante. Afinal, se escolher um destino no Nordeste, como o fez o executivo carioca João Ramires, presidente da Refrescos Guararapes, em Recife, o profissional vai ver o salário cair, em média, 20% em relação a São Paulo, mas o custo de vida cairá na mesma proporção e a qualidade de vida só aumentará. "Meu padrão de vida provavelmente não seria melhor se eu morasse em São Paulo ou no Rio", diz João, que mudou de cidade há cinco anos. Em alguns casos, o executivo pode até sair de bolso mais cheio. É o que descobre quem se aventura a uma vaga em Goiânia, capital de Goiás. Lá, os salários são entre 10% e 20% maiores se comparados com os de quem fica na capital paulista. Soma-se o fato de que a cidade tem menos assaltos, menos trânsito e mais incentivo ao tempo livre. Ou seja, oferece aquilo que a maioria dos executivos brasileiros aponta como fator primordial para sua satisfação: oportunidades de carreira e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Para quem tem qualificação sempre vai haver mercado, seja lá qual for a cidade escolhida para fixar residência e trabalhar. O setor petroquímico, por exemplo, forte em cidades do Sul e do Sudeste e que já impacta o mercado baiano, quando cresce necessariamente abre vagas, todas para quem é altamente especializado. Segundo o criador do site www.clickmacae.com.br, o empreendedor Walter Bonifácio, existem cerca de 5 000 empresas em Macaé (RJ) que gravitam em torno do petróleo. "Muitas vezes falta mão-de-obra para atender ao mercado", diz Walter. "Engenheiros, geólogos, mergulhadores e pilotos de helicóptero estão sendo muito procurados", avisa Fabiana Fantoni, analista da Tendências Consultoria Integrada, de São Paulo. Usa melhor o ranking quem considera que ter visibilidade depende mais de atitude do que do local de trabalho e assume o desafio de entrar em um novo mercado sem cair na zona de conforto. Mãos à obra!  

ENTENDA A METODOLOGIA
Para chegar ao resultado final do ranking, coordenado pelo professor Moisés Balassiano da FGV-RJ, foram selecionados os 5% maiores municípios do país: têm população superior a 170 000 habitantes e um total de depósitos à vista maior que 210 milhões de reais. A pesquisa analisou 100 cidades, 23 delas incluídas por critérios qualitativos, mais as 27 capitais. As cidades foram avaliadas em quatro dimensões de indicadores: educação, saúde, vigor econômico (que usou dados relativos ao PIB municipal, divulgados pelo IBGE recentemente) e fundo de participação dos municípios. Para cada uma das dimensões foi atribuído um peso (de 1 a 5), sendo educação a mais valorizada. 

 

CIDADES

PONTOS FORTES

1
São Paulo (SP) Serviços, com 82 700 estabelecimentos, é o forte da cidade
2
Rio de Janeiro (RJ) Cresce o turismo de negócio: quatro em cada dez visitantes vão a trabalho
3
Belo Horizonte (MG) Quase 70% dos trabalhadores da cidade têm carteira assinada
4
Recife (PE) Melhor cidade no NE: pólo médico, tecnológico e de consultorias
5
Brasília (DF) Briga por professores qualificados aquece o setor de educação local
6
Porto Alegre (RS) Considerada pela ONU a metrópole da qualidade de vida no Brasil
7
Curitiba (PR) Um dos melhores índices de área verde por habitante no país: 51 m2
8
Belém (PA) As melhores oportunidades estão nas indústrias madeireira e mineradora
9
Macaé (RJ) A Petrobras é a principal empregadora, com 8 800 funcionários diretos
10
Fortaleza (CE) Turismo e comércio são as atividades fortes na cidade
11
Salvador (BA) Recepção, hospedagem e lazer de turistas puxam a economia local
12
Manaus (AM) Há vagas para executivos no pólo industrial de eletroeletrônicos
13
Vitória (ES) A Vale do Rio Doce está lá: foco na pelotização e exportação de minério de ferro
14
Campinas (SP) Melhor cidade do interior paulista: pólo tecnológico chama atenção
15
S. J. Campos (SP) A Embraer é a maior empregadora, com mais de 11 000 funcionários
16
Cubatão (SP) Engenheiros do setor petroquímico têm o melhor salário da cidade
17
Goiânia (GO) Agronegócio em alta: quem entende de exportação é bem-vindo
18
Campos (RJ) Importante ligação viária com outras cidades do pólo petroquímico
19
Betim (MG) Tem a fábrica da Fiat e o novo centro de logística das Casas Bahia
20
Florianópolis (SC) Além das belas praias, destaca-se como centro regional no comércio
21
Natal (RN) 20 km de praias: turismo é a principal atividade econômica na cidade
22
Barueri (SP) Tem atraído empresas à base de incentivo fiscal
23
João Pessoa (PB) Serviço público, comércio e turismo puxam a economia local
24
Ribeirão Preto (SP) Está na região que é a maior produtora mundial de açúcar e álcool
25
São Carlos (SP) Mais de cem empresas tecnológicas: de automação a química fina
26
Cabo Frio (RJ) Turismo e indústria petrolífera são os maiores empregadores
27
Maceió (AL) Tem 800 000 habitantes e recebe um número equivalente de turistas
28
Niterói (RJ) Demanda por mão-de-obra qualificada graças ao novo boom do petróleo
29
São Luís (MA) Patrimônio histórico e cultural da humanidade: turismo em alta
30
São Caetano (SP) A General Motors é a maior empregadora, com 8 500 funcionários
31
São Bernardo (SP) Tem um parque industrial consolidado, com 1 300 empresas
32
Uberlândia (MG) É a terceira cidade em arrecadação de tributos em Minas Gerais
33
Cuiabá (MT) A economia local é baseada no comércio e em serviços
34
Volta Redonda (RJ) É a sede da maior usina siderúrgica da América Latina, a CSN
35
Piracicaba (SP) Em 2004, foi o 15o município no ranking nacional de exportações
36
Jundiaí (SP) Maior produtora de frutas do país, está no centro do mercado consumidor
37
Canoas (RS) Um dos maiores parques industriais e o segundo PIB gaúcho
38
S. J. Pinhais (PR) Cidade atrativa para executivos, é a sede de O Boticário e da Renault
39
Resende (RJ) Demanda mão-de-obra qualificada em logística e infra-estrutura
40
Teresina (PI) Tem um pólo para receber empresas com baixo potencial poluidor
41
Londrina (PR) Tem 13 000 empresas de serviços e metade da mão-de-obra no setor
42
Maringá (PR) É um importante corredor de importação e exportação
43
Americana (SP) Tem 1 700 indústrias em setores diversificados, do têxtil à alimentação
44
Duque de Caxias (RJ) Abriga a segunda refinaria do país e cresce no rastro do petróleo
45
Caxias do Sul (RS) Uma empresa do setor hortifruti para cada 14 habitantes
46
Taubaté (SP) Indústria de autopeças deu impulso à economia da cidade
47
Araraquara (SP) Sedia a Cutrale, maior empresa produtora de suco de laranja do país
48
Santo André (SP) Comércio e serviços empregam mais de 65% da população
49
Aracaju (SE) Sol o ano inteiro e patrimônio histórico preservado atraem os turistas
50
Santos (SP) Maior porto do Hemisfério Sul em movimentação de carga e infra-estrutura
51
Jacareí (SP) Tem empresas como Ambev, Kaiser, Latasa e Rohm and Haas
52
Uberaba (MG) Pólo químico com 24 empresas e grande centro médico
53
Guarulhos (SP) 90 000 empregos estão na indústria de transformação
54
Rio Grande (RS) A refinaria de petróleo Ipiranga é a empresa mais importante
55
Campo Grande (MS) Uma das cidades com maior renda per capita do país: 5 904 reais
56
Foz do Iguaçu (PR) Sedia uma das maiores hidrelétricas do mundo, Itaipu
57
Joinville (SC) Seu parque fabril emprega 58 000 funcionários
58
Juiz de Fora (MG) A expectativa de vida supera a média nacional: acima dos 73 anos
59
Mogi das Cruzes (SP) Maior produtora de orquídeas da América Latina
60
Ipatinga (MG) A maior oferta de empregos está nas 4 305 empresas do comércio
61
Blumenau (SC) A indústria têxtil e o pólo de computação são os destaques
62
Bento Gonçalves (RS) Sede da melhor empresa para trabalhar do país, a Todeschini
63
Palmas (TO) Localização estratégica: liga os Estados mais distantes do N, NE e CO
64
Bauru (SP) No ano passado, foram abertas mais de 2 400 empresas por lá
65
Rio Claro (SP) A Brascabos é a maior empregadora da cidade
66
Ponta Grossa (PR) Tem fábricas de variados setores, como Kaiser, Sadia e Tetrapack
67
S. J. Rio Preto (SP) Destaque para o setor de medicina de alta complexidade
68
Chapecó (SC) Pólo de empresas exportadoras de suínos, aves e derivados
69
Sorocaba (SP) Gerou 8 000 empregos em 2004, um aumento de 8,4%
70
Sertãozinho (SP) Centro agroindustrial, tem cinco usinas de açúcar e álcool
71
Limeira (SP) As indústrias da cidade empregam cerca de 22 000 pessoas
72
Serra (ES) Tem a melhor logística do Estado e concentra 62% do PIB capixaba
73
Diadema (SP) O forte é o setor de serviços, com 12 300 empresas
74
Suzano (SP) Sede de empresas do porte da Suzano, Aventis, Kimberly e Clariant
75
Pelotas (RS) Maior produtora de pêssego para a indústria de conservas do país
76
Itajaí (SC) Pesca forte e uma complexa rede de processamento de frutos do mar
77
Cascavel (PR) A principal cultura da cidade é a soja, que representa 50% da produção local
78
Porto Velho (RO) A indústria extrativa de minério, como ouro e cassiterita, é o forte
79
Várzea Grande (MT) Segundo maior município do Estado, focado em tecnologia
80
Boa Vista (RR) Setores agropecuário e comércio são os que mais empregam
81
Novo Hamburgo (RS) Responde por 80% das exportações de calçados do país
82
Passo Fundo (RS) Comércio é o foco da cidade: são quase 6 000 estabelecimentos
83
Osasco (SP) Os centros de distribuição da Ponto Frio e da Coca-Cola estão lá
84
Contagem (MG) Destaque para o parque industrial, com quase 2 500 empresas
85
Rio Branco (AC) É a maior cidade do Acre, com mais da metade da população total
86
São Leopoldo (RS) Sede da Unisinos, com 30 000 alunos é a maior do interior gaúcho
87
Marília (SP) Sedia grandes empresas na produção de alimentos, como a Marilan
88
Dourados (MS) Comércio é o forte: a cidade ganha este ano seu primeiro shopping
89
Macapá (AP) A vocação da cidade, banhada pelo Rio Amazonas, é o comércio
90
Pres. Prudente (SP) Está na região que mais exporta carne bovina no país
91
Taboão da Serra (SP) O setor moveleiro é o grande destaque do município
92
Petrópolis (RJ) Turismo e indústria têxtil são o forte da cidade
93
Pouso Alegre (MG) Fama de cidade próspera e PIB 45,36% maior que a média nacional
94
Santa Maria (RS) Qualidade de vida e educação no interior do Estado
95
Nova Friburgo (RJ) Novas instituições de ensino e de pesquisa estão renovando a cidade
96
Criciúma (SC) Conhecida pela produção cerâmica e a força na agricultura
97
Campina Grande (PB) Cidade high-tech, exporta software para vários países
98
Anápolis (GO) Tem o maior pólo industrial de medicamentos genéricos do Brasil
99
Guarapuava (PR) A economia da cidade está baseada no setor madeireiro
100
Ilhéus (BA) Depois da crise do cacau, renasceu no turismo e no pólo tecnológico

Fonte: www.vocês/a,com.br/julho 2005