O crescimento de relações públicas no Brasil

A atividade entrou no mercado brasileiro em 30 de janeiro de 1914

 

O capitalismo cresceu embalado pela divisão do trabalho e se constituiu pelo grande empenho de empresários que visavam aumentar a quantidade de mercadorias para oferecer ao público encantado com o Novo Mundo.

A mais valia gritava aos ouvidos e pedia sempre mais produção. Mas o acelerado crescimento do mercado fez dele mais concorrente, exigindo um diferencial para cada empresa. Surge, então, relações públicas, que estuda meios de tornar uma empresa ‘única’.

No início da do século 20, Edward Bernays, que mostrou o potencial de relações públicas positiva; e Ivy Lee, que abriu os olhos dos empresários norte-americanos contra o capitalismo selvagem, mostraram que uma empresa se diferencia de outra em razão de sua atitude perante o público e pelo relacionamento com seus funcionários.

O ensaio de adaptação de relações públicas no Brasil, na década 10, foi difícil, porque muitos viam apenas a publicidade como meio de atingir o público. Mas as empresas tentaram investir na comunicação de forma diferente para chamar atenção e se diferenciar pelos princípios de relações públicas, como a identidade corporativa e aproximação do público por ações que mostravam o comprometimento dela com a sociedade, valorizando a marca.

Relações públicas entrou no mercado brasileiro, em 30 de janeiro de 1914, com o primeiro departamento da área na empresa “The Light and Power Co. Ltda”. A idéia era mostrar que a credibilidade não era apenas feita na mídia, mas também por pessoas comuns, como você e eu. Muitos estudiosos de comunicação passaram a investir mais no conhecimento desta ciência. Em 1953, a Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, realizou o 1o. curso de RP.

Desde então, as empresas perceberam que seus públicos tinham de ser estudados se quiserem ter sucesso. A diversidade desses anseios requer delas maior envolvimento com a sociedade, como projetos sociais ou ambientais. Esse grande leque de diferentes vontades faz do ensaio de atuação de relações públicas no Brasil uma necessidade para as corporações.

A linha Ekos, da Natura, por exemplo, cativou o público pelo investimento em projetos ambientais. Já o Bradesco iniciou, em 1995, um projeto de responsabilidade social por sugestão de um cliente portador de deficiência visual. O projeto disponibiliza para seus clientes portadores de deficiência visual computadores com um software – virtual vision – que os inclui no mundo virtual do banco e com cursos que oferecem para esses programas. O Pão Music, do Grupo Pão de Açúcar, é um projeto cultural com shows gratuitos Brasil afora.

 

Confiança em alta

 

Quem seguiu esse caminho se deu bem. O sexto estudo “Barômetro de Confiança”, realizado pela Edelman, maior agência independente de relações públicas do mundo, em dezembro de 2004, indica que a confiança do público nas empresas aumentou de 60% para 67% de 2004 para 2005. O estudo com líderes de opinião nos Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, Alemanha, Japão, China e Brasil, prova que o trabalho feito pelas empresas ganha cada vez mais a credibilidade do público por se envolver mais com os seus desejos.

Os brasileiros mostraram ter maior confiança em empresas com responsabilidade social (73%) e credibilidade em empresas que acredita na marca (93%), entre os países pesquisados.

A relação saudável com o consumidor mantém a confiança e as vendas da empresa, resultado esperado no final do dia pelos empresários. E através de ações de relações públicas a empresa conquista seu lugar no mercado como marca escolhida pelo público. Transparência maior, comunicação na hora certa sobre assuntos relevantes são atitudes de empresas que se comunicam, e certamente terão melhor visibilidade e maior credibilidade.

Ronald Mincheff

* Presidente da Edelman do Brasil, agência de relações públicas