Networking, questão de atitude
 
Não deixe para pratica-lo quando a situação estiver insustentável
 
Desde que ingressei no mercado corporativo, anos atrás, venho escutando varias discussões relacionadas ao networking. Duas, em particular, me chamaram a atenção: a primeira refere-se ao fato de as pessoas dizerem que não cresciam na vida porque não tinham nenhum "QI" (quem indique) e que, se tivessem, tudo seria diferente. O outro tema refere-se a questão do tempo - repetidamente escutei essas mesmas pessoas dizendo que não tinham tempo para cultivar seus relacionamentos. O mais curioso é que, ao passarem por situações de dificuldade, foram obrigadas a parar de reclamar e arrumar o tempo.
Realmente, o dia-a-dia não é fácil e nem sempre se tem o tempo de que se necessita. Por outro lado, é sabido que determinados contatos-chaves podem nos abrir portas e nos fazer economizar tempo. Parece até um enigma: não cultivamos o networking porque não temos tempo ou não temos tempo porque não o cultivamos?
A resposta é simples: nenhum nem outro, pois networking não é uma atividade que exija hora, data ou local para ser exercido.  Desenvolver e cultivar relacionamentos profissionais duradouros é baseados na confiança mútua não depende disso, mas apenas de atitude. Deixe-me colocar desta forma: quantas horas por dia você dedica a praticar uma gentileza ? Percebeu ? Ou você é gentil com as pessoas ao seu redor ou não .  Ou você é uma pessoa que cultiva seus relacionamentos  profissionais ou não . Trata-se de uma característica inerente de cada um de nós e que pode ser melhorada. Ainda, há quem acredite que fazer networking é ligar para alguém, combinar um almoço e pedir um favor. A isso prefiro chamar de "helpworking", ou seja, tais pessoas possuem uma determinada dificuldade. não sabem como resolvê-la e entao  correm atrás de ajuda.  E o mais desagradável é que muitas vezes acabam transferindo seus problemas para o outro, e assim, acabam espantando os contatos-chaves em potencial.
O exemplo mais comum de "helpworking" acontece quando um profissional é desligado da empresa e começa a ligar para contatos da sua antiga agenda telefônica na tentativa de se recolocar no mercado. Além de o profissional ficar mal visto pelos colegas, esse procedimento não gera resultados imediatos, já que ele terá de vencer a resistência e a inércia. Sem dúvida, esses profissionais não tiveram a atitude de praticar o networking,  bem como de cultivar e desenvolver seus relacionamentos enquanto podiam , ficando à mercê dessa desagradável situação.
Profissionais de todas as áreas, de todos os segmentos e de todos os níveis hierárquicas  devem adotar uma atitude correta em relação ao networking se quiserem atingir seus objetivos de maneira rápida e eficaz, mas sobretudo dentro de um padrão mínimo de ética. Devem parar de reclamar do tempo e da sorte e aproveitar todas as oportunidades para fazer contatos, principalmente quando ainda não estiverem precisando para que, quando precisarem tenham à disposição contatos bem amadurecidos.
Seja na hora do almoço, em reuniões, em visitas a clientes, em cursos ou em qualquer outro tipo de evento, aproveite para conhecer novas pessoas e se inteirar sobre o que elas fazem.   Com base nesses dados, selecione quais desses contatos sugerem sinergia e, portanto, quais valem a pena ser alimentados.   Mantenha essa sinergia sempre em alta: ligue de vez em quando, passe um e-mail e pergunte "como vai?". Cultive tais relacionamentos como uma amizade.  não ponha seus objetivos profissionais sempre em primeiro lugar - seja um verdadeiro amigo. Construa um relacionamento "ganha-ganha" e, assim, saberá que, quando precisar da outra pessoa, poderá contar com ela.
Gazeta Mercantil, 20/12/2005,  "Opinião" pág. A-3 Lion Andreassa, Diretor da Contatos BR