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O
responsável por sua carreira é você |
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| Por Ricardo de
Almeida Prado Xavier* |
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Antigamente a relação entre estudo e
trabalho era ordenada e simples: a pessoa dedicava as
primeiras décadas de sua vida produtiva aos estudos e depois
passava a concentrar esforços e tempo no trabalho, sem maiores
preocupações com a reciclagem e atualização dos conhecimentos.
Nos dias de hoje, os conhecimentos evoluem em ritmo
aceleradíssimo e a distração com a reciclagem acaba resultando
em rápida obsolescência profissional, o que tem forte impacto
negativo sobre a carreira.
Qual é a hora certa para a reciclagem? A resposta é simples: é
agora, pois nunca é cedo demais para começar, mas também nunca
é tarde para recuperar o terreno perdido. O melhor,
naturalmente, é manter-se afiado e competente para os desafios
do tempo, mas, quando não se fez isso, em vez de lastimar o
tempo perdido, é melhor reagir e dar a volta por cima, como
nos mostra a história real de um executivo que assessoramos.
Negligenciou a reciclagem e teve surpresa desagradável
Um alto executivo, ex-presidente de uma grande empresa, que
fez uma das mais brilhantes carreiras, trabalhando em uma
única organização. O profissional iniciou sua carreira na
função de auxiliar de contabilidade e, pela sua dedicação,
trabalho e competência, foi aos poucos atingindo cargos mais
elevados. Foi promovido a supervisor de contabilidade e,
posteriormente, a contador, atingindo, após dez anos, a
posição de controller.
Trata-se de uma empresa familiar, em que a direção era
dividida por três irmãos. Apesar de terem vários herdeiros,
nenhum deles demonstrou interesse em participar no
gerenciamento do negócio.
Assim, os três sócios resolveram participar apenas do conselho
de administração, para dedicar-se mais a outras atividades.
Nomearam para tocar a empresa o executivo que já exercia a
função de controller e que, por vários anos, tinha demonstrado
total dedicação e fidelidade à empresa. Durante mais 15 anos,
então, ele exerceu o cargo de presidente da empresa, com todos
os poderes e liberdade de ação. Com a globalização e a entrada
de multinacionais no mercado, os três acionistas e seus filhos
herdeiros acharam conveniente vender o controle acionário da
empresa e realizaram a transação, como é comum nesses casos,
da forma mais sigilosa possível, sem que o seu próprio
presidente soubesse das negociações.
Concluída a transação, o presidente foi surpreendido ao ser
apresentado ao seu novo chefe, um americano que pouco falava o
português. Como ele também não falava inglês, o diálogo teve
que ser traduzido por intérpretes. Nosso assessorado,
ex-presidente, ficou apenas mais três meses na empresa e
negociou um excelente pacote de benefícios para sua saída,
entre elas a assessoria personalizada do outplacement. Nas
primeiras reuniões de orientação, percebemos que era difícil
para ele entender o que tinha ocorrido, ou seja, a plena e
total dedicação à empresa fizeram com que ele deixasse de
investir na administração de sua própria carreira
profissional.
Na verdade, nunca viajara ao exterior, apesar de os demais
executivos da empresa viajarem a negócios. Nunca se preocupara
em aprender outro idioma, apesar de a empresa negociar com
vários países do mundo. Ansioso, logo no início do processo de
outplacement, quis saber: – “Será que eu conseguirei um novo
emprego com a mesma faixa salarial e status semelhante ao que
eu tinha?” Respondemos que ele teria de dedicar pelo menos
seis meses na preparação às mudanças para adaptação ao mundo
globalizado, ou seja, atualização e especialmente imersão no
idioma inglês. Por sorte, ele reagiu a tempo e tomou as
medidas necessárias para um reposicionamento positivo em sua
carreira. Após três meses no exterior e três meses de
reciclagem, voltou ao mercado de trabalho em condições
semelhantes às que ele almejava.
Lições da vida
A história do nosso assessorado traz ensinamentos:
· Nunca conte com estabilidade vitalícia em um emprego, por
mais que ele pareça garantido. Não há garantias reais, as
coisas mudam e trazem ameaças, novos desafios que deverão ser
enfrentados com qualificação mais sintonizada com o tempo.
· Pense em carreira vitalícia. Muitas pessoas fazem planos
para “pendurar as chuteiras” prematuramente, e por isso brecam
o autodesenvolvimento. É um erro, pois o trabalho é uma
dimensão importante da vida e, o profissional talentoso e
saudável, poderá até reduzir sua carga de trabalho e escolher
melhor suas ocupações à medida que a idade chega, mas nunca se
sentirá bem sem trabalhar. Ao pensar em carreira vitalícia,
planos de longo prazo podem ser feitos, o que inclui busca de
competências diferenciadas para outras ocupações.
· Sempre tenha um plano de contingência, um desses chamados
“what if plans” (Plano do tipo “e se ocorrer isso ou aquilo”),
isto é, aqueles que serão acionados se algo inesperado
acontecer (por exemplo, a perda do emprego). Deve-se ter um
plano B para essas circunstâncias inesperadas e ele deve
prever a busca de reciclagem constante.
· Faça revisões periódicas de seu estado de adequação às
exigências do mercado. Você tem a qualificação necessária para
as demandas atuais das empresas? Em caso de observar qualquer
fraqueza em seu perfil, não hesite em investir imediatamente
na melhoria.
Em síntese: não pense que você está livre das implacáveis leis
do mercado, não pense que elas só existem para os outros.
Todos, em qualquer cargo ou situação, por mais seguro e
confortável que essa seja, poderão ser surpreendidos pela
mudança. Antes que se tenha de fazer esforço extra e incerto
para sanar os prejuízos da desatualização, é importante buscar
a reciclagem de modo estratégico, tranqüilo e bem direcionado. |
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*Ricardo de Almeida Prado
Xavier, administrador de empresas, é presidente da Manager
Assessoria em Recursos Humanos.
Fonte: O Estado de S. Paulo,
09/10/2005 pág. Empregos Ce3
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