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ARISTÓTELES definiu o estudo da retórica (comunicação) como
sendo a procura de "todos os meios disponíveis de persuasão". A
meta principal da comunicação é a persuasão - a tentativa de
levar outras pessoas a adotarem o ponto de vista de quem fala.
Mas também existem os objetivos de informar e divertir.
A teoria contemporânea sobre a conduta humana julga proveitoso
abandonar a dicotomia mente/corpo, tendendo a defender o ponto
de vista de que o organismo pode ser analisado com melhores
resultados se deixarmos de pensar nestas entidades. O teórico do
comportamento comunicativo está muito próximo da posição
clássica aristotélica; e refinada à luz da pesquisa e do
pensamento posteriores.
Temos então três objetivos da comunicação: educar (informar),
persuadir e divertir.
Alguns comunicadores profissionais dos setores da imprensa e da
educação afirmam que não procuram convencer as pessoas, dizendo
que simplesmente lhes dão informações. Uma crítica final a esta
definição é a de que ele, com freqüência, não se concentra no
comportamento, mas na mensagem, visto que, freqüentemente,
olhamos a mensagem (discurso, manuscrito, peça teatral, anúncio
etc.) a fim de determinar o objetivo de comunicação.
A comunicação deve ser especificada de maneira tal que:
1) Não seja logicamente contraditória ou incoerente consigo
mesmo.
2) Que se concentre no comportamento. Isto é, que seja expressa
em termos de comportamentos humanos.
3) Específica o suficiente, para que seja possível relacioná-la
com o real comportamento de comunicação.
4) Coerente com os meios pelos quais as pessoas se comunicam.
A comunicação é base de uma ação recíproca, das relações entre
seres humanos, de forma a nos tornarmos agentes influentes,
afetando os outros, nosso ambiente físico e nós mesmos. Dessa
forma, produziremos certa reação. Mas, mesmo que se destine a
pessoas específicas, uma mensagem pode ser recebida também por
pessoas a quem não se destinava.
Em qualquer situação de comunicação há pelo menos dois conjuntos
de respostas desejadas:
1) A resposta que interessa à pessoa que produz a mensagem.
2) A que interessa a quem recebe a mensagem.
Quando os objetivos da fonte e do recebedor são incompatíveis,
rompe-se a comunicação, mas quando são independentes (ou
complementares), a comunicação pode prosseguir.
Ao empregar a linguagem para descrever um processo, precisamos
escolher certas palavras, "congelando" de algum modo o mundo
físico, percebendo os elementos da comunicação: quem está
comunicando, por que está comunicando e com quem se está
comunicando. Mas a comunicação também é formada pelo Código (uma
linguagem), pela Mensagem e pelo Canal (aquele ou aquilo que
transmite a mensagem).
Mas, para que uma mensagem seja bem sucedida, existem quatro
espécies de fatores que podem aumentar a fidelidade da mensagem:
habilidades comunicativas; certas atitudes; nível de
conhecimento e posição dentro do sistema cultural-social.
Um código pode ser definido como qualquer grupo de símbolos
capaz de ser estruturado de maneira a ter significação para
alguém. Os idiomas, por exemplo, são códigos.
Agora o código precisa chegar até alguém, por uma espécie de
"veículo de mensagem". As ondas sonoras, na linguagem oral, por
exemplo, são o Canal. A escolha do Canal é importante na
determinação da qualidade e afetividade da comunicação. Às
vezes, quando se utilizam dois canais simultâneos, se aumenta a
qualidade da mensagem (ver e ouvir, por exemplo, é melhor do que
só ver ou só ouvir).
A mensagem pode ser entendida como um estímulo. Ao decodificar a
mensagem, você a está percebendo como um estímulo. Ao codificar
nova mensagem, você está dando uma resposta descoberta ao
estímulo, como foi percebido e interpretado.
Em qualquer situação de comunicação, fonte e receptor são
interdependentes. A e B são independentes se, e somente se,
nenhum afetar o outro.
Haverá uma relação de dependência entre A e B caso A afete B,
mas somente se B não afetar A.
A interdependência pode ser definida como a dependência
recíproca ou mútua. Resumindo, a comunicação compreende
freqüentemente e interdependência de ação e reação. A ação da
fonte afeta a reação do recebedor e a reação do recebedor afeta
a subseqüente reação da fonte etc. Fonte e recebedor podem
utilizar as reações do outro.
Toda a comunicação humana envolve predileções, pela fonte e pelo
recebedor, quanto à maneira como outras pessoas responderão à
mensagem. Todo comunicador leva consigo a imagem do recebedor.
Assim, a criação de expectativas pela fonte sobre o recebedor
tem contrapartida na criação de expectativas pelo recebedor
quanto à fonte.
Quando duas pessoas interagem, põem-se no lugar da outra,
procuram perceber o mundo como a outra o percebe, tentam
predizer como a outra responderá. A interação é o ideal da
comunicação, a meta da comunicação humana.
Ao comunicar, procuramos realizar objetos relacionados com a
nossa intenção básica de afetar o ambiente e a nós mesmos.
Mensagens são os produtos de comportamentos relacionados com os
estados internos das pessoas. Mensagens são expressões de idéias
(conteúdo) expressas em forma determinada (tratamento) através
do emprego de um código.
Quanto à linguagem, podemos resumir as melhores suposições sobre
suas origens:
1) A linguagem consiste num conjunto de símbolos significativos
(vocabulário) somado a métodos significativos de combiná-los
(sintaxe).
2) Os símbolos de cada idioma foram escolhidos por acaso. Não
são fixos nem dádiva divina.
3) O homem construiu sua linguagem sob os mesmos princípios de
interpretação, resposta e recompensa que governam toda a
aprendizagem.
4) O homem criou gradualmente a linguagem, a fim de exprimir
suas intenções para si e para os outros, de modo a fazer com que
outras pessoas tivessem os mesmos sentidos que ele e para
produzir respostas que aumentassem a sua capacidade de afetar.
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Fonte: (K. Berlo)
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