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Nesta tese são utilizadas as
categorias sistema e mundo da vida (Lebensvelt),
formuladas por Jürgen Habermas, para trabalhar teoricamente a
Comunicação Organizacional dentro de uma dicotomia na qual seu
campo científico, ainda em formação, recebe influências teoréticas
principalmente de duas áreas específicas do saber: as Ciências da
Comunicação e as Ciências da Administração. Nesse cenário,
procura-se demonstrar a existência de um conflito de propósitos
bastante acentuado entre ambas, seja na formação de um corpus
paradigmático, seja na aplicação prática de suas proposições.
Para isso, foi
necessário resgatar, através de uma pesquisa bibliográfica
inicial, tanto os diversos conceitos de ciência, quanto às idéias
dos principais estudiosos da Filosofia da Ciência, que vão
estruturar e discutir os paradigmas fundadores das Ciências da
Comunicação, no seu contraponto com as Ciências da Administração.
Disso resultou a tentativa de delimitação desses dois campos do
conhecimento humano que irão contribuir decisivamente para a
formação daquele que hoje se entende como o da Comunicação
Organizacional, estabelecido numa zona de interseção nem sempre
pacífica entre a Comunicação e a Administração.
É, na verdade, uma
luta pelo poder, que tem impossibilitado uma necessária atuação
interdisciplinar no sentido da criação de uma estrutura comum às
duas disciplinas. E a suspeita para essa falta de sinergia recai
na constatação de que enquanto a vertente administrativa da
Comunicação Organizacional se volta e dá sustentação aos
imperativos sistêmicos, sua porção comunicacional preocupa-se
sobretudo com as manifestações originais do mundo da vida.
Num contexto
neoliberal, muito mais do que o trabalhador da empresa privada, é
o servidor público que está obrigado a transitar entre os vários
matizes dessas duas instâncias, quase sempre sem se dar conta de
ser o protagonista num duplo fluxo: o da tentativa de colonização
do mundo da vida pelo sistêmico, de um lado, e a conseqüente (e
eventual) resistência daquele, por meio do cultural, do doméstico
e do cotidiano, de outro. Parte-se, então, para o teste empírico.
O ambiente da pesquisa é a Delegacia Federal da Agricultura em
São Paulo — DFA/SP —, na qual se utiliza como mediador o
Programa de gestão pela qualidade total — GQT — implantado
pelo Ministério da Agricultura. São, assim, realizadas
entrevistas com várias categorias de seus funcionários. Aí a
palavra chave é negociação.
O uso da qualidade
total como mediador se justifica pelo fato de ser ela um
instrumento de controle sistêmico pensado inicialmente para
aumentar a competitividade de bens materiais no modo de produção
capitalista, mas logo alçado à pretensão de modificador do ator
social. E neste ponto deixa de ser um expediente meramente
administrativo para penetrar numa dimensão na qual a comunicação
não pôde deixar de ser utilizada. As entrevistas são analisadas
sob um prisma qualitativo, sustentado pela perspectiva
metodológica desenvolvida por Max Pagès.
Fonte:
http://www.comunicacaoempresarial.com.br/teses.htm
03/2006 |