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CHINA EM PROJEÇÃO
Para atrair alunos brasileiros, governo asiático trará ao país
feira educacional com 40 universidades
Chineses apostam em educação executiva
ANDRESSA ROVANI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Universidade Harvard que se cuide. Superlativa em números e na
velocidade com que ganha mercados, a China ensaia mais um projeto
audacioso -em que conquista terreno rapidamente.
Desta vez, o alvo não são os produtos baratos produzidos às custas
de uma relação trabalhista fragilizada. Pelo contrário. O objetivo
é formar dentro de seu próprio território novos líderes globais.
O orgulho chinês tem nome: é a Ceibs (China Europe International
Business School), escola de negócios criada há 11 anos que, na
lista dos melhores MBAs do mundo, ocupa a 21ª posição, de acordo
com o ranking anual do jornal inglês "Financial Times". Há dois
anos, ela não figurava sequer entre as 50 primeiras da lista.
"Na década de 1990, milhares de estudantes saíam do país para
fazer graduação e pós porque o país não tinha condições de
oferecer educação superior com padrões internacionais", explica
Paul Liu, presidente-executivo da CCIBC (Câmara de Comércio e
Indústria Brasil-China). "Isso mudou."
Com a experiência de três mestrados internacionais, Daniel
Schmidt, 29, anteviu a estratégia oriental e, há seis meses, é um
dos raros brasileiros que podem ser vistos nas universidades
chinesas.
Schmidt cursa um MBA na Universidade Fudaj, em Xangai. "Embora eu
tenha bons conhecimentos em negócios, queria me especializar em
Índia e China. Há "milhões" de pessoas com MBA na França, na
Inglaterra e nos EUA. Pensei: Não seria só mais um título [cursar
um desses MBAs]?"
Para quem pretende manter relações com o gigante asiático, a
resposta é "sim", na opinião de Irene Azevedo, professora da BBS (Brazilian
Business School) e diretora da consultoria Mariaca. Para ela, quem
faz MBA na China "tem ganhos inestimáveis em termos de
conhecimento de mercado e habilidades de negociação".
Percebendo a oportunidade, o governo chinês tenta atrair
brasileiros para suas escolas. Pela primeira vez na América
Latina, em outubro, 40 universidades chinesas aportarão no Brasil
para uma feira educacional, a exemplo do que já fazem outros
países.
Oportunidades não faltarão. Em 2002, haviam 2.003 instituições de
nível superior na China, e o número de pós-graduandos crescia a
uma taxa anual de 22%.
O custo de um MBA na Ceibs, por exemplo, é de 288 mil yuans (cerca
de R$ 80 mil), acrescido de uma taxa de R$ 10 mil para que as
aulas sejam em inglês. Segundo a CCIBC, o número de brasileiros em
escolas de lá ainda é ínfimo.
"Eles são uma potência e não podemos negar. Para quem puder ir,
vale a pena", recomenda Irene Azevedo. Ela reforça dizendo que
muitas transnacionais têm interesse nesse perfil profissional.
"O único problema é que as pessoas não levam a sério [quando diz
que estuda negócios na China], a não ser que conheçam o mercado",
reclama Schmidt.
Para Paulo Roberto Feldmann, professor da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade da USP, a barreira é outra: "Se é
para trabalhar no Brasil, não adianta estudar no exterior. Não é
preciso cursar MBA para formar uma rede de relacionamentos". |