São Paulo, domingo, 02 de abril de 2006
 
 
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CHINA EM PROJEÇÃO

Para atrair alunos brasileiros, governo asiático trará ao país feira educacional com 40 universidades

Chineses apostam em educação executiva

ANDRESSA ROVANI
DA REPORTAGEM LOCAL

A Universidade Harvard que se cuide. Superlativa em números e na velocidade com que ganha mercados, a China ensaia mais um projeto audacioso -em que conquista terreno rapidamente.
Desta vez, o alvo não são os produtos baratos produzidos às custas de uma relação trabalhista fragilizada. Pelo contrário. O objetivo é formar dentro de seu próprio território novos líderes globais.
O orgulho chinês tem nome: é a Ceibs (China Europe International Business School), escola de negócios criada há 11 anos que, na lista dos melhores MBAs do mundo, ocupa a 21ª posição, de acordo com o ranking anual do jornal inglês "Financial Times". Há dois anos, ela não figurava sequer entre as 50 primeiras da lista.
"Na década de 1990, milhares de estudantes saíam do país para fazer graduação e pós porque o país não tinha condições de oferecer educação superior com padrões internacionais", explica Paul Liu, presidente-executivo da CCIBC (Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China). "Isso mudou."
Com a experiência de três mestrados internacionais, Daniel Schmidt, 29, anteviu a estratégia oriental e, há seis meses, é um dos raros brasileiros que podem ser vistos nas universidades chinesas.
Schmidt cursa um MBA na Universidade Fudaj, em Xangai. "Embora eu tenha bons conhecimentos em negócios, queria me especializar em Índia e China. Há "milhões" de pessoas com MBA na França, na Inglaterra e nos EUA. Pensei: Não seria só mais um título [cursar um desses MBAs]?"
Para quem pretende manter relações com o gigante asiático, a resposta é "sim", na opinião de Irene Azevedo, professora da BBS (Brazilian Business School) e diretora da consultoria Mariaca. Para ela, quem faz MBA na China "tem ganhos inestimáveis em termos de conhecimento de mercado e habilidades de negociação".
Percebendo a oportunidade, o governo chinês tenta atrair brasileiros para suas escolas. Pela primeira vez na América Latina, em outubro, 40 universidades chinesas aportarão no Brasil para uma feira educacional, a exemplo do que já fazem outros países.
Oportunidades não faltarão. Em 2002, haviam 2.003 instituições de nível superior na China, e o número de pós-graduandos crescia a uma taxa anual de 22%.
O custo de um MBA na Ceibs, por exemplo, é de 288 mil yuans (cerca de R$ 80 mil), acrescido de uma taxa de R$ 10 mil para que as aulas sejam em inglês. Segundo a CCIBC, o número de brasileiros em escolas de lá ainda é ínfimo.
"Eles são uma potência e não podemos negar. Para quem puder ir, vale a pena", recomenda Irene Azevedo. Ela reforça dizendo que muitas transnacionais têm interesse nesse perfil profissional.
"O único problema é que as pessoas não levam a sério [quando diz que estuda negócios na China], a não ser que conheçam o mercado", reclama Schmidt.
Para Paulo Roberto Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, a barreira é outra: "Se é para trabalhar no Brasil, não adianta estudar no exterior. Não é preciso cursar MBA para formar uma rede de relacionamentos".