|
|
Caçador de talentos’ amplia linha de atuação
|
| beatriz cutait |
|
 |
Com uma taxa de desemprego que atinge
cerca de 10% da população, segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem reagido ao mercado
de trabalho com o aumento do número de estratégias que visam à
recolocação profissional. Classificados, sites especializados e
agências de emprego são ainda importantes fontes para a procura de
vagas, mas os chamados headhunters — ou caçadores de talentos — e
os consultores de carreiras conseguem destacar-se, por meio de
atendimentos personalizados e mapeamento das qualidades
profissionais.
Os headhunters, profissionais contratados por empresas, têm como
objetivo principal contribuir para a recolocação profissional.
Segundo Ricardo Bevilacqua, diretor-geral da Case Consulting,
empresa de recrutamento especializado de executivos, o mercado de
headhunting vem crescendo 30% ao ano.
“Mais empresas estão contratando o serviço de headhunters para
intermediar as contratações, principalmente nas áreas financeira,
de bens de consumo e de telecomunicação”, diz o diretor. A
principal demanda desse mercado é relacionada à recolocação
profissional para cargos de média gerência, cujos salários variam
de R$ 7 mil a R$ 12 mil. “No início, os headhunters eram
contratados principalmente para cargos de altos executivos, mas as
coisas mudaram ao longo do tempo. As empresas perceberam que
precisam de uma avaliação profissional externa, até mesmo para
validar as competências dos profissionais. É uma garantia que o
candidato está de fato adequado ao cargo”, diz o diretor.
A atual demanda por consultorias de headhunters está ligada a dois
tipos de empresas. O primeiro refere-se a grupos em forte
expansão, com necessidade de preencher muitas vagas, e que não
possuem uma área de recursos humanos (RH) forte o suficiente para
absorver o trabalho. A segunda demanda relaciona-se à substituição
de executivos, processo marcado pela confidencialidade e que conta
com as consultorias para evitar os problemas.
Demanda
“Nós avaliamos as competências necessárias de um profissional para
determinada vaga, examinamos suas referências e vemos se está de
acordo com a cultura da empresa. As empresas se sentem mais à
vontade quando somos nós que fazemos essa parte do trabalho e
estão mais criteriosas, pois perceberam que o valor do
profissional contratado hoje é muito oneroso e é necessário
investir mais tempo no recrutamento, para ter a garantia da
certeza”, avalia Bevilacqua.
Para Cássio Mattos, presidente do Conselho de Administração da
Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), “o
cenário de emprego está fazendo com que as empresas alterem seus
cursos para reduzir os custos. Com isso, uma série de áreas está
sendo terceirizada e o setor de recrutamento está entre elas. Mais
grupos têm recorrido a consultorias externas e como é constante o
surgimento de novos cargos, em especial na área de informática, as
organizações estão até segmentando os setores por atuação, para
facilitar a seleção de profissionais”, diz Mattos.
Segundo Hélio Terra, presidente da Manager Assessoria em Recursos
Humanos, o mercado de consultores de carreiras está muito bom.
“Como surgiram os consultores de carreira? É o desempregado que
virou consultor. Em razão de enxugamento das empresas, por corte
de custos, elas passaram a contar com prestadores de serviço. E
foi nesse momento que entraram os consultores de carreiras. Ao
invés de ter um especialista em postos, eu contrato um consultor
de carreiras. É um mercado em crescimento, bastante interessante e
que dá um bom rendimento para o profissional. É uma das funções
mais promissoras no momento”, acredita o presidente.
Da parte dos profissionais, a grande novidade do mercado é o fato
de que mais jovens estão recorrendo a consultorias de carreira
para promover a colocação profissional. Segundo Marcia Vazquez,
consultora de carreira da Thomas Case e Associados, houve uma
mudança de mentalidade no profissional brasileiro, ao gerenciar
sua carreira.
“O profissional de hoje em dia não tem mais sua carreira tutelada
pela própria empresa. Com a concorrência feroz, o maior acesso às
informações e melhor preparo dos profissionais, a busca pela
recolocação ficou mais complicada. O que as pessoas não sabem é
que um consultor de carreiras não atua apenas na área de
recrutamento, mas também trabalha com profissionais que ainda
estejam no cargo. Nossa preocupação é planejar a carreira de um
profissional e ver qual o mercado-alvo para sua área. Houve uma
mudança de estrutura do nosso tipo de empresa e as consultorias
estão se adequando ao mercado”, revela Marcia.
De acordo com a consultora, para auxiliar no processo de seleção
de emprego, a Thomas Case conta com o trabalho de psicólogos, que
dão apoio emocional aos candidatos. “Para atuar nessa área, é
preciso ser um bom ouvinte, pois para diminuir a ansiedade dos
profissionais, temos que deixá-los falar de suas angústias e
conseguir adquirir segurança”, ressalta Marcia.
Quando as clientes atendidas são as empresas, a Thomas Case
geralmente tem como responsabilidade administrar crises e
identificar possíveis problemas internos. “As empresas estão mais
preocupadas em resolver suas dificuldades de operação. Os grupos
nos contratam para conseguir reter os talentos, conhecer melhor
sua equipe e saber quais modificações devem ser feitas para
contornar eventuais crises. São as próprias empresas que querem
oferecer planos de carreiras para reter os bons profissionais e
não ter que se desgastar na procura por novos executivos”, conclui
a consultora.
Fonte, News Letter CNPL 15;01;07 |
|
|