Vencer
crises exige rapidez de executivos
Por Ana Paula Lacerda
São Paulo, 03 (AE) - O final de 2006 foi marcado pela crise no setor
aéreo. Passageiros e meios de comunicação reclamavam da falta de
informação sobre os acontecimentos. Segundo os especialistas, a clareza
de comunicação deve ser a maior preocupação de qualquer gestor de
empresas, durante os momentos de crise.
"Em momentos de conflito, a comunicação é fundamental", diz a consultora
Karin Parodi, sócia-diretora do Career Center. "É importante selecionar
uma pessoa bem preparada para atuar como porta-voz da empresa, e
concentrar o fornecimento de informações nas mãos dessa pessoa. Se essa
pessoa tiver treinamento para falar com a mídia, melhor ainda." Karin
esclarece que essas informações devem ser passadas não só aos clientes
ou à mídia, mas também aos próprios funcionários da empresa e aos
fornecedores. "Os funcionários devem saber como atuar, por isso é
necessário que os líderes de equipe estejam informados das decisões da
empresa."
A consultora afirma que, durante uma crise, a empresa deve lançar mão de
todos os recursos para se comunicar com seus funcionários. "É para isso
que existe intranet e comunicação interna." Apesar de as crises serem
momentos tensos, ela recomenda que os gestores mantenham a calma. "A
tendência é entrar em conflito, mas deve-se fazer exatamente o
contrário: trabalhar processos e incentivar a cooperação de áreas
diferentes."
|
Frase |
|
Karin Parodi |
|
Sócia-diretora do Carrer Center |
|
“Nos momentos de crise, a tendência é entrar em conflito. Mas
deve-se fazer exatamente o |
|
contrário: trabalhar processos e incentivar a coperação de áreas
diferentes. As informações |
|
devem ser passadas não só aos clientes, mas também aos funcionários” |
|
|
Um erro comum é o executivo demorar a admitir que a empresa está com
problema. "Alguns gestores não querem de modo algum admitir que sua área,
ou toda a empresa, esteja entrando em um momento crítico", diz o gerente
da divisão de Recursos Humanos da Michael Paige, Augusto Puliti. "Muitos
acham que, ao se deparar com um pequeno problema, podem resolver sozinhos.
Aí o problema aumenta e, quando eles resolvem abrir o jogo com o resto da
equipe, já é uma crise gigantesca." E, segundo o gerente, um líder não
deve ter medo de dizer "não sei" à sua equipe. "Ele tem de ser maduro o
bastante para assumir os problemas e pedir sugestões para a solução."
Puliti acredita que, no caso específico das companhias aéreas, quando
cerca de 30% dos vôos atrasaram na semana do Natal, as que apresentaram
problemas, especialmente a TAM, deveriam ter avisado seus consumidores de
que haveria atrasos ou problemas com overbooking, mantê-los informados dos
vôos existentes e resolver a situação da maneira mais rápida possível. "Já
que houve problemas, o mais correto era ser transparente e avisar os
clientes de tudo o que aconteceu. E claro, resolver rapidamente a
situação." Ele cita um exemplo pessoal. "Uma vez, tive problemas de atraso
com uma empresa aérea, e fiquei horas sentado no saguão. Mas alguns dias
depois, a empresa enviou uma carta assinada aos passageiros explicando a
situação e pedindo desculpas. Foi uma ação bastante respeitosa."
Imagem - Uma das grandes dificuldades das empresas que passam por
problemas é recuperar os danos de imagem. "Ganhar um cliente é caro", diz
Puliti. "Mas reconquistá-lo é muito mais caro e trabalhoso." Na opinião
dele, arriscar oferecer mau serviço aos clientes nas épocas que eles mais
procuram é dar um tiro no pé. "É compreensível que uma empresa passe por
dificuldades temporárias, mas deve ser feito de tudo para prevenir que
isso não ocorra nas épocas de maior procura dos clientes, como ocorreu
recentemente."
Karin, do Career Center, diz que toda empresa deve ter um plano de
prevenção para crises. "Algumas empresas telefônicas aumentam o número de
retransmissores no réveillon e empresas de transporte aumentam o número de
ônibus em véspera de feriados, por exemplo. Isso não é apenas pelo bem dos
clientes, mas das próprias empresas." E, caso a crise seja inevitável,
deve-se enfrentá-la e aprender com ela. "Para que não se repita mais."
Agência
Estado
|
nota Esse artigo foi escrito com
referencia ao "apagão da aviação" no fim do ano de 2007. |