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OPORTUNIDADES
O Estado de S.Paulo - pag. ce 2
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  Alunos devem ter experiência profissional e atuar em gerência

Especialistas dizem que idade adequada para cursar um MBA é a partir de 28 anos, quando já há boa bagagem

Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, cada ponto no currículo pode ser um diferencial na hora de uma contratação, promoção ou reconhecimento profissional. A busca por essa melhora, entretanto, tem causado uma verdadeira febre na área dos gestores: a dos cursos de Master Of Business Administration, popularmente conhecidos como MBA.

Sinônimo nos últimos tempos de profissional qualificado, a sigla se multiplica pelas instituições de ensino Brasil afora, mas corre o risco de ser banalizada. E esta preocupação é legítima, como afirma o coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, professor Fabio Appolinário. “Existe hoje um apelo mercadológico indevido e é preciso ficar atento para não cair em ciladas”, alerta.

EXPERIÊNCIA

O boom que o Brasil vive atualmente em relação a esse tipo de curso é tão grande que até mesmo jovens que nunca trabalharam já procuram melhorar seus currículos com a especialização. E a falta de critérios mais rígidos no processos de seleção de muitas instituições é um dos problemas do MBA brasileiro. “Aqui no nosso país é difícil recusarem aluno, então você encontra recém-formados de 22 anos dividindo sala de aula com executivos de 40. É uma distorção terrível da idéia de um MBA”, diz Appolinário.

Segundo ele, a hora ideal para o profissional matricular-se é após ter adquirido cinco anos de experiência geral no mercado de trabalho e mais três na área gerencial, ou seja, o candidato terá de 28 anos para cima.

Appolinário fez uma pesquisa com 60 MBAs dos Estados Unidos e Europa que serviu para remodelar o próprio curso da Trevisan. “Com os resultados obtidos, mudamos carga horária, conteúdo e algumas disciplinas, dando ênfase às habilidades de comunicação e liderança.”

Outra instituição que aprimorou seu programa após ouvir os norte-americanos foi a Brazilian Business School (BBS), que firmou parceria com a Universidade de Richmond, no Estado da Virgínia e fez algumas adaptações. “Eles disseram que nosso programa estava mais parecido com um mestrado em finanças. Deixamos o curso mais generalista e fiel ao MBA internacional”, conta o diretor da BBS, o nova-iorquino John Schulz.

A média de idade dos alunos na instituição é de 32 anos, o que Schulz considera ideal . “O recém-formado deve buscar primeiro cursos de pós-graduação e mestrado, enquanto adquire experiência no mercado de trabalho. Quem quer cursar um MBA deve ter bagagem”.

CONTEÚDO

Outro aspecto levantado pelos especialistas como uma grande falha dos MBAs brasileiros é o conteúdo específico. Appolinário diz que muitos dos cursos oferecidos se prendem às matérias tradicionais e às salas de aula. “Um MBA deve formar gestores, líderes e incluir visitas a empresas.”

As habilidades de relacionamento humano, segundo ele, devem ser desenvolvidas, assim como a inteligência emocional. “São coisas mais vivenciais e que são, quase sempre, deixadas de lado”. Mas tudo é uma questão de saber quem procurar e quando procurar.

Um bom MBA, feito na hora certa, pode alavancar a carreira de um executivo, inclusive no que diz respeito ao salário. “O interessado deve pesquisar, pois quem acaba julgando se um MBA é respeitável ou não é o próprio mercado. Em São Paulo existem pelo menos cinco ou seis cursos de nível internacional”, diz Schulz.

RANKING

Appolinário ressalta que existem os rankings publicados na imprensa, que podem servir como indicador. O professor alerta, entretanto, que, uma vez estabelecidos parâmetros e eleito os dez melhores cursos, a maioria das instituições vai querer figurar na lista.A tendência, então, é que todos sigam os mesmos passos das “melhores” e deixem de inovar. “Isso cria uma homogeneização. As universidades devem ser livres e independentes, montar um programa de acordo com o que acreditam e acham certo e não serem escravas de rankings. Está na hora de as universidades pensarem mais na formação de seus alunos e não apenas no dinheiro”