Almoço de negócios: elegância bem dosada


 

Profissionalismo para o ritual de um encontro de negócios.


 

São Paulo/SP - Os almoços de negócio ajudam a ampliar e consolidar as relações no mundo corporativo e entraram definitivamente nas agendas dos executivos das empresas. Mas podem causar efeito inverso, se os protagonistas não estiverem preparados para a ocasião.

Há um ritual elegante a ser cumprido, sob pena de pôr a perder negócios bem encaminhados. Detalhes como desligar o celular, nunca tirar o paletó – e no caso das mulheres, vestir-se com elegância e sobriedade –, além de uma pauta previamente definida, fazem a diferença. As normas de comportamento abrangem a parte do convidado, a parte do anfitrião e também os detalhes do local escolhido. Há restaurantes que se especializaram no clima certo para esse encontro.

Customização

O estilo do encontro fica ao gosto do freguês e conveniência do momento. O almoço pode até ser transformado em um evento gastronômico customizado, como propõe a chef uruguaia Clo Dimet, à frente do La Table O & Co. e do Clo Restaurante. Há seis anos no Brasil e há 20 envolvida com as nuanças da gastronomia, ela observa que a customização é um fenômeno recente por aqui – mas já ocorre na Europa e é oferecida, cada vez mais, por cozinheiros brasileiros. Para uma fusão entre empresas de países distintos, por exemplo, a especialista sugere pratos que harmonizem ingredientes típicos das duas culinárias. Em geral, são almoços mais longos.

O mais comum, no entanto, são encontros com duração média de duas horas e meia, com uma entrada, prato principal, sobremesa e bebida – ao custo de R$ 80 por pessoa. Para esse público, que representa 50% de sua clientela, Clo também oferece opções de serviços personalizados, além de espaço reservado.

Avaliação

Independente do lugar, essas ocasiões vão além de um negócio, observa a diretora corporativa da Trevisan, Iêda Patrício Novais. "É um momento para se tentar conhecer o outro, o seu comportamento. Os dois lados são extremamente avaliados", alerta. Tanto que esse tipo de almoço também é utilizado na hora de se contratar um executivo. "É um ótimo momento para se observar a pessoa em situações que exigem traquejo social."

Bom senso e modos impecáveis à mesa são fundamentais para se sair bem. O tema do encontro deve fluir com naturalidade, mas de forma objetiva. Duas horas é o tempo máximo para a duração de um almoço, na opinião de Iêda.

Ela participa, em média, de dois almoços de negócio por semana. É convidada, mas também anfitriã. "Quem convida, paga a conta", sentencia. E isso vale também para as mulheres, mesmo quando o convidado é um homem e ele insiste em fazer o pagamento. "Eu resolvo brincando, mas pago."

Iêda recomenda que a mulher tenha cuidados redobrados. "Ela tem que ser impecável". Decotes ousados, por exemplo, nem pensar. A executiva opta pelo tailleur, saia, ou um vestido, salto alto e meias de naylon.

A experiência lhe mostrou que o tailleur ou vestido, em vez do tradicional terninho, rendem tratamento diferenciado – "vestida assim, você fica mais feminina e menos invasiva. As pessoas abrem as portas, são mais gentis. Isso tem um impacto bom junto ao seu interlocutor", acredita Iêda.

Para que isso ocorra, no entanto, é preciso ter empatia com o lugar aonde se vai almoçar, civilidade no trato com seus funcionários, conversar com o garçom olhando em seus olhos. "Quando voltar lá, ele vai se lembrar de você".


Aprendizado

Rotineiros nas grandes corporações, nem sempre esse tipo de encontro profissional é visto como uma estratégia de negócio para as empresas de pequeno porte.

O aprendizado sobre o tema deve ser visto como um investimento, recomenda o consultor de marketing do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae-SP), Wlamir Bello. O retorno chega em forma de reconhecimento da empresa pelo cliente, fechamento de contratos e ampliação das relações.

Há muito tempo, os banquetes já eram montados com o intuito de fazer com que as negociações fluíssem melhor. "Hoje, com um número maior de restaurantes, com todo tipo de conforto e variedades, o almoço de negócio ficou disponível para empresas de todos os tamanhos", pondera a diretora geral da Etiqueta Empresarial Executive Manners Consulting, Maria Aparecida Araújo.


 

Fonte: Diário do Comércio - Fátima Lourenço
Origem: Economia
Data: 07/02/2007
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