Desemprego: Um dos problemas crônicos no Brasil

( Sao Jose do Rio Preto, São Paulo, Brasil - Comunique-se - ) O desemprego não escolhe raça, religião ou classe social. Acarreta insegurança, miséria e um inevitável sentimento de vergonha. O seu combate é um dos maiores desafios para o governo.

Procurar por inúmeros anúncios nos classificados de jornal e bater de porta em porta trás de uma oportunidade de emprego. Essa é a real situação de milhões de brasileiros que estão sem emprego. Do ponto de vista social, a situação é um drama vivenciado por muitos. Os fatores negativos relacionados ao desemprego incidem sobre uma série de outros indicadores: precariedade da moradia, desmotivação educacional e fragilidade das condições de aprendizado das crianças, fome, mortalidade infantil, aumento da violência, aumento das doenças etc.

A preocupação maior é em relação ao fato de não haver políticas eficazes de combate ao problema. Para o Consultor Financeiro e Presidente da Boriola Consultoria, Dr. Cláudio Boriola, o governo precisa tomar atitudes mais específicas para reverter a situação. “Se faz necessário que o Poder Público pense melhor no aspecto financeiro do País. Ao invés de tantos impostos colhidos de todos os seguimentos, porque não abaixa as taxas ou até mesmo liquida as cobranças de certos tributos a fim de oferecer ao mercado oportunidades para novas contratações? Se fosse feito desta forma, certamente melhoraria tanto para o empregado como para o empregador que teria sua produção interna, grande salto econômico”, explica Boriola.

Baseado em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do próprio Ministério do Trabalho, o estudo revela que o gasto anual do governo com cada desempregado caiu de R$ 1.410,40 em 1995 para R$ 913,40 em 2000. Aponta ainda que a União gasta pouco e mal em políticas de emprego.

Os investimentos brasileiros em políticas de emprego também são pequenos em comparação com outros países. Em 2000, quando o desemprego atingia 15% da população economicamente ativa (PEA) do Brasil, foi investido 0,9% do Produto interno Bruto (PIB) em políticas de emprego. No mesmo ano, a Espanha, que tinha uma taxa de desemprego de 14,1%, aplicou 2,6% de seu PIB.

Estudos mostram ainda que as regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil foram responsáveis por 19,2% do desemprego no país em 2000. Mas absorveram 53% dos gastos em políticas ativas de emprego do governo federal. A Região Sudeste, que representou 47,9% do desemprego do país em 2000, recebeu 32,5% dos gastos públicos em políticas sociais de combate ao desemprego e geração de renda.

Desemprego é realidade até para formados

Correr atrás de um novo emprego não é uma realidade apenas dos trabalhadores sem formação. No Brasil, até os executivos de alto escalão passam meses esperando por uma oportunidade de recolocação.

“Ficar sem emprego significa estar sem sustento, o que acarreta miséria, insegurança e vergonha. Mas o problema não é exclusividade brasileira e muito menos de países subdesenvolvidos. É um fator atribuído ao crescimento econômico e a intrincados fundamentos da globalização. O que muda são as maneiras de lidar e a urgência que cada país tem em relação ao problema. No Brasil o que nota-se é que fala-se muito e pouco se faz para tornar a situação, uma página virada e um exemplo para outras localidades”, comenta Boriola.

Falta de oportunidade gera informalidade

Como a economia não cresce de forma sustentada, gerando bases para que cresça por si só e se mantenha, esses trabalhadores não conseguem ingressar no mercado de trabalho. A maioria deles acaba absorvida pelo chamado trabalho informal, no qual eles não têm carteira assinada, nenhum tipo de proteção previdenciária e não entram nas estatísticas oficiais sobre o emprego, além de, na maioria das vezes, receberem salários bem abaixo da média.

Além do baixo crescimento, Cláudio Boriola atribui o desemprego à organização institucional do mercado de trabalho, que considera obsoleta e ineficiente. Por isso, afirma que a reforma trabalhista é uma tarefa inevitável do governo caso ele queira mesmo conter e reduzir o desemprego. “Enquanto o Brasil espera a definição de um novo modelo de desenvolvimento, outras opções para sanar emergencialmente o desemprego seriam o financiamento da microeconomia, investimentos públicos em obras de saneamento e infra-estrutura, o que, conseqüentemente, geraria postos de trabalho, e a redução da jornada de trabalho. As propostas das centrais sindicais de redução da jornada de 44 para 40 horas espelham-se em medidas parecidas adotadas em outros países que combatem o desemprego de maneira muito mais eficaz, como a França, por exemplo”, conclui Boriola. (Fabrício Andrade)
Fonte: Comunique-se
Pauta postada em: 12/02/2007 14:19