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Professores estão entre os que mais sofrem com a voz
A cada 110 educadores afastados por doenças vocais, 7 deixam a
função em razão de acidente de trabalho
PRISCILA PASTRE-ROSSI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Ela é usada o tempo todo. Invisível, trabalha entre seis e 12 horas
por dia. Cigarro, ar-condicionado, gordura e álcool estão entre seus
piores inimigos.
Fundamental ao sustento de mais da metade dos trabalhadores do país, a
voz muitas vezes não recebe a atenção merecida antes de dar os
primeiros sinais de que algo não vai bem.
Mas há quem sofra mais. Entre os "profissionais da voz", estudo do
Laboratório de Saúde do Trabalhador, da UnB (Universidade de
Brasília), aponta os professores como uma das categorias com a maior
incidência de afastamentos por essa causa, sendo que 6,4% são
caracterizados como acidentes de trabalho.
Outra pesquisa, da USP (Universidade de São Paulo), com 108 educadores
de oito creches da capital, registrou que 80% deles já notaram
alteração vocal. Desse total, somente 26% foram em busca de
tratamento.
Edith Sonagere, 46, faz parte dessa amostra. Professora há 24 anos,
descobriu o problema nas cordas vocais por acaso. "Fiz um exame de
rinite e soube que tenho um espaçamento nas cordas vocais, agora sendo
corrigido com sessões de fonoterapia", comenta Sonagere.
Ela diz que já sentia rouquidão havia algum tempo, mas não considerava
um problema de saúde. Caso não fosse diagnosticada, porém, a doença
poderia levá-la a perder a fala.
"Cerca de 80% dos educadores vêm ao consultório precisando de
tratamento. Infelizmente, poucos pensam na prevenção", diz a
fonoaudióloga Fabiana Zambon, do Sindicato dos Professores de São
Paulo.
Orientações bem simples, como tomar bastante água durante o trabalho e
aquecer a voz antes de começar o expediente já seriam suficientes para
reduzir o número de pessoas com necessidade de tratamento, apontam
especialistas.
Alimentação
Geraldo Druck Sant'Anna, presidente da Associação Brasileira de
Laringologia e Voz, afirma que a alimentação também está ligada às
doenças. Por isso, diz, é recomendável evitar comidas gordurosas, que
causem refluxo gastroesofágico. "O refluxo faz com que o ácido suba
para a garganta e irrite as cordas vocais", explica.
Entre todos os inimigos da voz, contudo, o pior é o cigarro. "O tabaco
pode levar ao câncer de laringe", destaca, lembrando que o consumo de
bebidas alcóolicas aumenta as chances de o fumante desenvolver a
doença.
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