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Configurando-se como uma megatendência contemporânea, que inclui
valores éticos e de compromisso social, a questão ambiental
poderia ser abordada por diversos ângulos, porque muitas são as
vertentes que devem se cruzar para promover uma consciência
coletiva voltada para a preservação da natureza, em que se torna
imprescindível a ação dos vários segmentos sociais.
Aqui, optamos por destacar o papel das empresas no tratamento das
questões ambientais, porque é evidente que parte dos impactos
causados ao meio ambiente são de sua responsabilidade.
Além disso, por serem constituídas principalmente por pessoas,
seja como agentes produtores, seja como agentes consumidores e
serem integrantes de uma ou mais comunidades, também usufruem
da qualidade de vida ou dos efeitos nocivos à natureza, que elas
próprias podem ajudar a proporcionar.
Muitas empresas estão em busca do aprimoramento de sua atuação e,
para tanto, trocam experiências, estudam alternativas, unindo
esforços, dentro de uma perspectiva que exige ação efetiva de
todos os entes envolvidos com a questão ambiental.
A empresa, nesse sentido, não pode ser vista como vilã ou heroína.
Seu significado é muito mais amplo, pois, também como ser social,
precisa buscar a resolução de seus problemas, inclusive os de
ordem ambiental, para ganhar credibilidade.
Por outro lado, há empresas que não se empenham e não têm boa
vontade para buscar soluções que resolvam ou amenizem seus
impactos ambientais, mas felizmente, é possível identificar, em
certas organizações, uma mentalidade que já vê a questão
ambiental não mais como modismo, mas como quesito indispensável
para que se mantenha num mercado cada vez mais aberto, competitivo
e exigente, onde o compromisso social e a ética são itens levados
em consideração.
Com toda essa perspectiva parece-nos natural que a área de
Comunicação e, em especial a de Relações Públicas, esteja
familiarizada com todo o processo, conjugando esforços com as
outras áreas da empresa, para que sejam implementadas ações de
divulgação e de conscientização junto aos públicos internos e
externos, pois agindo assim, além de ser possível colaborar para a
própria educação ambiental, que vem sendo destacada como o caminho
que permitirá o reposicionamento de todos os setores da sociedade
frente ao meio ambiente, também propiciará maior interação e
participação da comunidade para com a empresa e vice-versa.
Já podemos identificar que a questão ambiental vem sendo cada vez
mais enfatizada pelas empresas. Prova disso, está no número
crescente de organizações que vêm estruturando internamente a
área de meio ambiente.
Mesmo com essa perspectiva favorável, percebe-se, todavia, a
grande ausência de atuação de profissionais de Relações Públicas
e/ou Comunicação nesse contexto.
Esta ausência talvez possa ser atribuída à falta de informação que
as empresas têm sobre a importância da área de Comunicação e, em
especial, de Relações Públicas, não só na divulgação, mas
principalmente na formulação de uma política ambiental que envolva
os públicos e que busque o comprometimento e a conscientização de
todos.
Há sempre um hiato na política de meio ambiente, quando não se
realiza um trabalho sistemático de comunicação, que aproxime e
envolva os públicos ligados à empresa, quer sejam seus
funcionários, quer os fornecedores, os acionistas, os
consumidores, a comunidade, a imprensa.
Este é, portanto, um papel que a área de Relações Públicas pode
desempenhar, desde que seus profissionais acompanhem as
tendências dos novos tempos, reconhecendo na política de meio
ambiente a possibilidade de estabelecer e manter um conceito de
responsabilidade e credibilidade para a organização, orientada
para a necessidade de uma conduta que atenda ao interesse
público.
Profª. Dra. Maria José da Costa Oliveira
Bacharel na área de Relações Públicas. Mestre e Doutora em
Ciências da Comunicação. É coordenadora dos cursos de graduação em
Relações Públicas e Publicidade e Propaganda, além de coordenadora
do curso de Pós-Graduação em Comunicação Pública e
Responsabilidade Social da METROCAMP.
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