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A tentativa de se prever o futuro é uma atividade bastante
empolgante porém extremamente arriscada, especialmente quando o
mundo passa por uma fase dinâmica, marcada pela rápida obsolescência
e extrema competição. A tecnologia da informação, entre outras
coisas, contribuiu para um grande aumento no poder dos indivíduos,
seja no acesso à informação, seja na decisão de consumo de produtos
ou de mídia. Um indivíduo com acesso à Internet pode obter hoje mais
informações sobre produtos e serviços do que num passado recente e,
muitas vezes, mais do que um vendedor poderia lhe fornecer.
No entanto, a internet potencializou o dilema entre o volume de
informações disponível e a qualidade das mesmas. Nestes tempos de
excesso de informação, mais informação não é necessariamente
positivo. A relevância e a qualidade das informações e das fontes,
sim. O paradoxo dos consumidores é que eles terão mais informação,
mas menos tempo para decidir.
Assim, os consumidores são primordialmente atraidos para as marcas
que reconhecem como “top of mind” esperendo encontrar, nos diversos
segmentos e também na Internet, os atributos positivos que as
diferenciam e o apoio necessário intrínseco para a tomada de decisão
de compra.
Na Suécia, mercado onde a internet tem penetração junto à população
acima dos 70% e recebe 10% do total do investimento publicitário, um
estudo desenvolvido em 2004 por Peter Callius descreveu a
importância crescente das marcas no apoio à tomada de decisão dos
consumidores, indicando que cada vez mais as pessoas precisam de
ajuda para decidir, podendo transferir esta tarefa a marcas em quem
confiam e com as quais se identificam - primeiro emocionalmente e
depois logicamente.
Nos diversos estudos desenvolvidos pelo IBOPE NetRatings sobre o uso
da Internet no Brasil e no mundo, observamos o grande crescimento no
uso dos blogs, fotologs, sites de Comunidades e, mais recentemente,
dos sites de vídeos.
De setembro de 2005 a setembro de 2006, observamos um crescimento de
quase 160% na audiencia da sub-categoria Videos/Movies, em parte
potencializado pelo site YouTube, enquanto a SubCategoria Member
Communities, que congrega as Comunidades como o Orkut, já
ultrapassava a marca dos 10 milhões de usuários únicos, com alcance
aproximado de 70% dos usuários domiciliares ativos.
Os dados de audiência indicam uma clara tendência de crescimento na
produção e consumo de conteúdo individual (n:n), e também do uso dos
relacionamentos na web para busca e validação de informação de
diversos tipos.
Tal tendência exigirá um esforço extra das marcas e dos
profissionais de Comunicação na busca de formas diferenciadas de se
relacionar com estes indivíduos, formadores de opinião. A
complexidade só aumenta na medida que novas plataformas de mídia
como “wireless”, “video-on-demand”, “blogs”, “podcasts”, “word-of-mouth”,
e “advergaming” - publicidade em games- ganham relevância para os
consumidores e maior participação no mix de mídia.
O aparecimento de sites como o Joost, que se propôe a criar uma
infra-estrutura para os internautas construirem suas TVs pessoais, e
a versatilidade com que os conteúdos poderão ser apresentados no
padrão de TV digital prometem um cenário de
comunicação extremamente rico e competitivo para os próximos anos.
O sucesso, sob uma perspectiva de medição, depende de se compreender
cada tecnologia, se aproveitar os benefícios que cada uma pode
oferecer e então usá-la de forma adequada e relevante para se
quantificar uma mensagem específica.
*Fabia Georgetti Juliasz é CEO do IBOPE
NetRatings
Fonte: Meio e Mensagem on line
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