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O presente a nós pertence

João Faria - Relações Públicas da DPZ
(VOX NEWS) – 07/11/2006 

É óbvio afirmar que o mercado publicitário passa por um momento de profunda transformação. O leitor do Voxnews, que é formador de opinião, também está cansado de saber da nossa obrigação em conhecer as novidades, inovações, enfim, tudo aquilo que seja futurista para que exceutar uma comunicação moderna, de vanguarda. Qual a previsão de faturamento para o primeiro trimestre de 2007? O que deve ser da mídia exterior com a aprovação do projeto Cidade Limpa? O que muda com a chegada da TV Digital? Qual o meio que vai engolir o outro? Enfim, as perguntas são tantas que poderia terminar o texto produzindo questionamentos até o ponto final.

É evidente que os jornais não falam do passado e natural que façamos inúmeras tentativas de prever o futuro. Também concordo que devemos sempre olhar para frente. Porém, aproveito esse espaço para refletir sobre algo tão significativo e importante quanto o futuro: o presente.

Ele mesmo. O agora. O nesse exato momento. O já. Não seria essa a hora de executar nossa idéia guardada a sete-chaves, de mexer no baú das soluções mirabolantes, de colocar em prática algo que tanto sonhamos e sempre fica para uma próxima oportunidade? Por exemplo aquele prospect que temos certeza de que pode entrar para agência. Ou então aquela proposta que você nem quis ouvir por algum motivo e que pode ser um passo importante na sua trajetória profissional. Mas não, sempre tem algum detalhe ou um agente complicador que impede o triunfo. Claro que não faço dessas palavras algo irresponsável, onde o sujeito larga tudo e sai como um louco panfletando suas ambições. Não tenho nehuma outra pretensão que não seja a de registrar que no universo da propaganda não se discute mais, ou melhor, sequer se cogita discutir, o raio x do momento.

Estive na Bahia, mais precisamente na cidade de Barreiras, junto com um grupo de profissionais que levam um pouco do que acontece no fervoroso mercado paulista para outras regiões. E toda vez que estamos em alguma dessas localidades algo nos surpreende. Foi ali que um espectador - que atua num veículo local - colocou com pertinência que estava na hora de parar de enxergar sempre o futuro daquela cidade - que já é um polo riquíssimo do oeste do Estado - e começar a tratá-la como realidade, lembrando aos anunciantes locais que o futuro já começou ao invés de apresentar dados que configurem o "paraíso do amanhã".

Outro fato curioso é nossa briga eterna com os prazos. Muitas vezes esqueçemos da nossa tarefa de surpreender, de sermos ousados. Em outros tempos os anúncios de oportunidade pipocavam por todos os lados quando os redatores ainda portavam máquinas de escrever. Em pleno tempo dos Ipods e Palms esses recursos praticamente desapareceram em virtude dos "prazos apertados", "compra da mídia", "tempo de criação", prazo, prazo, prazo, maldito prazo que enterra grandes idéias. E faturamento.

Os grandes players do nosso mercado tem como principal virtude entender o agora. Ao contrário do que as pessoas possam pensar, o bonzão é o que executa agora e não o adivinhão que põe sua bola de cristal embaixo do braço e grita pelos quatro cantos sobre o que vai acontecer. Para ser bem sincero, estou cansado daqueles que se antecipam sobre o futuro da propaganda. E, cada vez mais, admiro aqueles que fazem do agora a grande semente do amanhã. Basta dos comunicólogos do futuro que, em sua maioria, não entendem nada de nada.

João Faria é Especialista em Comunicação Estratégica e Relações Públicas da DPZ