Indicação ainda decide emprego

 

A network, também conhecida como rede de contatos, é hoje uma das formas mais eficientes para se encontrar boas oportunidades de emprego.

 

São Paulo/SP - A network, também conhecida como rede de contatos, o antigo “quem indica (QI)”, é hoje uma das formas mais eficientes para se encontrar boas oportunidades de emprego. Boa parte das contratações são feitas atualmente por meio de indicações. Isso é o que revela pesquisas sobre o peso do networking na recolocação de profissionais no mercado de trabalho. Uma dessas pesquisas foi encomendada pela revista Carta Capital à empresa TNS InterScience. De acordo com o estudo, a prática do networking melhora a empregabilidade. Essa é a opinião de 63% dos executivos ouvidos pela pesquisa.

Outras pesquisas indicam que mais da metade dos entrevistados conquistou seu último emprego por meio da rede de contatos. Levantamento feito pelo Grupo Catho junto a 17.801 profissionais indicou que 56% dos cargos operacionais e 43% dos cargos de gerência foram preenchidos com base no QI. Mas não no famigerado “quociente de inteligência” e sim no “quem indicou”.

Para especialistas em recursos humanos como a analista Natália Rodeguero, quando essa rede de contatos é bem feita, o emprego é uma conseqüência. Segundo ela, o networking é uma ferramenta poderosa para auxiliar as pessoas tanto no campo profissional quanto no pessoal.

“Se a rede for bem montada, ela gera muitos benefícios. Mesmo que a pessoa esteja empregada, ele se mantém atualizada e não terá dificuldades para voltar ao mercado de trabalho”, afirma a analista. Mas para isso, é preciso cultivar os contatos o tempo todo, mesmo nos bons momentos, para não parecer um oportunista, que só utiliza a rede quando precisa de ajuda.

Para Jair José Marangoni, personal e professional coach, o mais difícil não é criar uma rede de contatos, mas mantê-la. “É preciso reservar um tempo no dia-a-dia para responder a e-mails, dar alguns telefonemas ou participar de reuniões. O networking funciona muito bem se você souber dar manutenção à rede”, ensina ele. Coach é um trabalho de assessoria que ajuda as pessoas a se conhecerem melhor e a desenvolver seus talentos.

Marangoni, que também é psicólogo, diz que sempre teve facilidade em manter seus contatos. Por isso, nunca lhe faltou trabalho. “Eu já fiquei desempregado, mas nunca sem serviço, justamente por causa da rede”, afirma ele. “É preciso conhecer as pessoas certas, nos locais certos e estabelecer uma troca”, orienta. Podem ser classificadas como as “pessoas certas”, ex-colegas de faculdade, ex-professores e outros profissionais que atuam na área de seu interesse. Os “locais certos” podem ser os cursos, reuniões e feiras relacionadas a sua área de atuação.

A partir desse relacionamento, Marangoni fala que desenvolveu uma série de trabalhos em Bauru e na região em sua área de atuação. “Eu comento com um, que comenta com o outro e assim vai. Às vezes eu nem conheço a empresa, mas chego até ela através da rede”, conta.

A chegada da Internet, segundo ele, facilitou muito a expansão da rede de relacionamentos. Ferramentas como o e-mail, MSN, Orkut e outras tornaram a comunicação entre as pessoas mais fácil e rápida. Pessoas que normalmente são inibidas em público foram favorecidas, porque geralmente elas se soltam mais quando podem se comunicar por meio da escrita.

Marangoni começou a montar sua rede de contatos quando trabalhava em uma livraria. Quando os clientes perguntavam por um determinado produto que não tinha na loja, ele anotava o nome e telefone (na época não existia e-mail) e ligava de volta quando chegava o produto. “Assim fui criando uma rede de amizades que dura até hoje. Tenho uma agenda com o nome e telefone de todos”, comenta ele.

Entre outras dicas para um networking eficiente, Natália recomenda conversar com o contato para trocar informações sobre uma área de interesse e não com o objetivo descarado de apenas querer saber de um emprego. “Não se deve ir direto ao ponto. É preciso antes perguntar sobre o mercado de trabalho e outros assuntos relacionados a sua área de atuação”, ensina.

Ela lembra ainda que se os contatos perceberem que estão sendo usados apenas como um atalho para um futuro emprego a tática pode não funcionar. “Os amigos podem se sentir cobrados e aí a ajuda pode não fluir naturalmente”, diz Natália. Segundo ela, as empresas têm se mostrado receptivas à prática do networking porque seria uma forma de conseguir candidatos mais próximo do perfil desejado por elas. Para a analista, a prática do networking não é nova e sempre funcionou bem. “As pessoas bem relacionadas sempre tiveram vantagens”, afirma.


 

Fonte: Jornal da Cidade
Origem: Notícias
Data: 16/04/2007
www.infobip.com.br