O mundo corporativo coloca em pólos opostos o empregado,
acreditando-se injustiçado porque ganha menos do que julga merecer, e
o empregador, convencido de que paga mais do que deveria pela produção
gerada.Para vencer a batalha de conseguir um aumento salarial,
informação e astúcia são os ingredientes básicos, aplicados conforme
as dicas a seguir.
1. Faça uma auto-avaliação criteriosa. Aumentos devem ser
obtidos por mérito antes mesmo de serem desejados. Por isso, pondere
sobre sua performance. Acompanhe seus relatórios de avaliação de
desempenho e competências e o feedback de seu supervisor e colegas de
trabalho.
2. Pesquise o mercado. Analise a média salarial do seu cargo
no mercado comparando-a com a média paga por sua empresa. Lembre-se de
considerar o porte da companhia. Não se pode esperar de uma pequena
corporação a mesma capacidade de remuneração de uma multinacional.
3. Conheça a política salarial de sua empresa. Uma companhia
com plano de cargos e salários bem estruturado apresenta regras para
promoção, premiação e remuneração. Assim, pode haver critérios que
considerem não apenas questões qualitativas, vinculadas a resultados,
mas também ciclos cronológicos relacionados às faixas salariais. As
normas podem até mesmo limitar a autonomia do gestor na concessão de
aumentos, impedindo-o de atender à sua demanda.
4. Estude o ambiente. Observe o desenvolvimento de seus
colegas de trabalho. Procure identificar um padrão de comportamento
que possa ter conduzido alguns profissionais a uma posição superior.
Examine o mercado e a posição relativa de sua empresa para descobrir
como anda sua saúde financeira no momento. Faça uma leitura do perfil
e das reações de seu gestor a fim de notar a melhor ocasião para
abordá-lo.
5. Prepare o terreno. Faça um levantamento de suas
atividades buscando mensurar os resultados alcançados. Elabore uma
relação dos benefícios que você traz para a corporação e como pode
potencializá-los. Prepare uma proposta de solicitação de elevação
salarial atrelada às metas da empresa, com um planejamento detalhado
para um horizonte de doze meses, por exemplo, com gatilhos de
incremento em seus proventos a cada fase concluída do projeto.
6. Dê o bote. O melhor local: na própria empresa, em uma
reunião a portas fechadas para minimizar o risco de interrupções. O
momento certo: logo após a realização de um projeto bem sucedido e num
dia em que o gestor esteja de bom humor. A abordagem recomendada:
clareza e objetividade na exposição, porém sem denotar agressividade.
Iniciar enaltecendo com autenticidade a companhia, o cargo exercido, a
liderança e a equipe. Explicitar o trabalho realizado, os pontos
positivos e as perspectivas futuras, conforme o planejamento traçado
anteriormente.
7. Quanto negociar. Não há uma regra para isso. Primeiro,
porque depende da política da empresa. Os dissídios coletivos anuais
são da ordem de 5%. Já os aumentos vinculados ao tempo de serviço ou
mudança de função dentro do plano de cargos e salários giram em torno
de 10%. Os maiores índices podem ser obtidos quando acoplados ao
resultado da companhia.
8. Esqueça os apelos emocionais. A corporação não está
preocupada com o fato de sua família aguardar a chegada de trigêmeos,
o filho mais velho ter ingressado numa universidade privada ou seu avô
exigir um caríssimo tratamento médico. Separe a pessoa do problema.
Justificativas de cunho emocional podem até funcionar uma primeira
vez, mas o risco maior é causar constrangimento e denunciar que você é
um mau administrador de suas finanças pessoais – e, por conseguinte,
um péssimo exemplo de gerenciamento para a própria companhia. O foco
deve estar em seu desempenho e o nome do jogo é meritocracia.
9. Esteja pronto para negociar. Evidentemente, sua proposta
pode ser total ou parcialmente recusada. Neste caso, negocie
benefícios, objetivando ganhar mais no longo prazo com base em seu
desenvolvimento pessoal. Assim, um curso de idiomas ou um MBA podem
representar uma transferência de despesa pessoal que você teria e que
será assumido pela empresa.
10. Mantenha a confiança e a auto-estima. Uma postura
determinada e segura compõe uma imagem adequada ao seu marketing
pessoal. Além disso, calcule os riscos de sua iniciativa. Cuidado
também com a opção de flertar com oferta de trabalho de outra empresa.
Poderá receber um “até logo” quando imaginava que a proposta seria
coberta.
Você avaliou seu desempenho, estudou o mercado e sua companhia,
planejou uma argumentação sólida e coerente para respaldar seu pedido
de aumento salarial e negociou. Se mesmo assim a empresa tem
sucessivamente negado um reconhecimento efetivo pelo trabalho, é hora
de considerar a possibilidade de mudar de emprego. Afinal, tapinha nas
costas não paga contas.
TOM COELHO - CONSULTOR
Graduado em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP;
Curso de especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de
Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP;
Diretor da Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp;
Empresário, consultor, professor universitário, escritor e
palestrante.
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