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Agora a seleção pode
ser global
Sirlene Toledo*
A primeira fase de seleção de candidatos
pode ocorrer no empate entre paises e não em nível pessoal.
É muito comum que os candidatos perguntem à
empresa selecionadora quantos oponentes concorrem para a mesma vaga. A
pergunta é clássica e faz muito sentido, afinal é uma forma de avaliar,
por meios estatísticos, a probabilidade de conseguir o emprego.
Atualmente, porém, em algumas carreiras e
situações, essa pergunta pode não ser tal facilmente respondida. Afinal,
com o advento do chamado offshore ou outsourcing, migração de empregos
de um pais para outro, podemos disputar vagas com candidatos que vivem
do outro lado do mundo, por exemplo.
Os avanços tecnológicos permitem que o call
center ou até mesmo o centro tecnológico de uma corporação estejam
localizados em qualquer pais do mundo, independentemente de onde esteja
a matriz, os clientes ou fornecedores de uma empresa. Assim, as
primeiras fases de um processo seletivo podem ocorrer na arena global,
em um empate entre paises e não entre pessoas. Desta forma, ao escolher
o fornecedor de serviços de recursos humanos, por exemplo, uma empresa
avaliará primeiramente o pais cujo custo/beneficio seja mais vantajoso
para depois definir os profissionais que "entregarão" o serviço.
Neste processo, não estamos falando em
transferência de profissionais de um país para outro, mas sim da
migração de postos de trabalho.
O cliente é quem toma a decisão do país a
partir do qual terá serviços realizados. Neste processo decisório
costumam-se levar em conta itens como: fuso horário, estabilidade
econômica, política, cultura, localização geográfica, infra-estrutura
disponível (transportes, energia, telefonia, etc), preparação de
mão-de-obra, mercado interno, distancia e, obviamente, os custos.
Apesar de levar vantagens em vários
quesitos, tais como fuso horário, cultura, localidade geográfica, baixo
risco político, social e baixissima probabilidade de desastres naturais,
o Brasil ainda não consegue enfrentar a Índia e China em pé de
igualdade.
Além de enfrentar problemas estruturais
sérios, como a carga tributaria, custos trabalhistas, valorização, do
real frente ao dólar e rígida legislação trabalhista, o principal
gargalo é de longe é a indisponibilidade de mão-de-obra capacitada em
tecnologia da informação e em línguas estrangeiras, principalmente
inglês, espanhol e francês.
O profissional pode até se sentir impotente
frente a esse cenário repleto de variáveis sobre as quais não se tem
ingerência. No entanto, é preciso não perder de vista que na conjuntura
política, economia ou fiscal do pais, ou no âmbito empresarial, tudo o
que o profissional pode fazer e torcer para que o processo esteja em
mãos competentes e hábeis. No entanto, o candidato poderá aumentar
suas reais chances se preparando adequadamente para este cenário.
Num mercado de trabalho globalizado.
conhecimento técnico, especialização e linguais são os alicerces mínimos
para conquistar um bom emprego, mas para manter-se nele e assegurar uma
carreira de sucesso e sempre em ascençao, é preciso desenvolver
competências, como espírito de equipe, foco no cliente, colaboração,
flexibilidade e orientação para resultados.
Além disso, as grandes corporações têm
valorizado também os profissionais que saibam administrar suas vidas de
uma forma equilibrada, isto é, que pratiquem esportes, que possuam um
hobby, que tenham amigos e relações familiares saudáveis. Estudos
comprovam que uma pessoa feliz tende a ser bem-sucedida em todas as
áreas de sua vida. Isto é, cultivar uma vida saudável pode impactar sua
carreira profissional de maneira positiva.
Como disse o historiador Edward Gibbon:"O
vento e as ondas são sempre a favor do navegador habilidoso". O litoral
é vasto, os portos estão abertos, basta aproveitarmos a maré!
*Sirene Toledo, gerente de RH para parcerias
Educacionais da IMB Brasil.
Fonte; O Estado de S. Paulo - Empregos Ce3
12/02/2008
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