Joan Costa e o
fim da força histórica da publicidade
Em um sistema, a parte não pode pensar pelo todo
O comunicólogo
Joan Costa prevê o fim da hegemonia da publicidade na comunicação
das empresas e vislumbra todas as disciplinas unidas e
capitaneadas por um diretor de comunicação pluralista nas
organizações.
Nara Damante
Consultor de
empresas, comunicólogo, pesquisador e autor de mais de 20 livros e
diversos artigos sobre imagem, design e comunicação, publicados na
Europa e América Latina, Joan Costa fala do fim da hegemonia da
publicidade sobre as demais disciplinas com a autoridade de quem
participou desse ciclo. Ex-publicitário, ele diz que se
“converteu” à integração da comunicação, ou seja, aderiu à idéia
de que todas as ferramentas possam se aliar num projeto comum e
simultâneo. Desta forma, ele imagina que ganhará força nas
organizações um profissional integrador, capaz de relacionar
marketing, relações públicas, publicidade, jornalismo empresarial,
assessoria de imprensa, marketing de relacionamento, promoção, num
único e grandioso esforço. Esse master em comunicação já ganha
espaço no cenário europeu, onde o profissional tem status
equivalente ao que há no Brasil para os diretores de marketing. O
novo diretor de comunicação seria o braço da alta cúpula da
empresa que traçaria uma estratégia única para a organização,
tornando-se o guardião da imagem.
Para Costa, as empresas
irão percebendo, gradativamente, que não são apenas os anúncios
que resolvem os problemas junto a todos os públicos, mas que esse
nível de consciência não será uma virtude da empresa. “Trata-se de
uma necessidade inevitável porque, para colocar a empresa em
igualdade com as demais, é necessário ver que o mundo não é só o
mercado, é um campo social em que há expectativas diversas. E é
nessa percepção que uma empresa se diferencia das outras”, diz
ele.
Convidado pela Aberje,
Costa fez palestra sobre imagem e comunicação empresarial para o
século XXI durante o II Congresso Internacional de Comunicação
para os Recursos Humanos (ver matéria sobre o congresso na página
… ). Nesta entrevista a Comunicação Empresarial, ele relata um
pouco de sua experiência dirigindo mais de 300 programas para
empresas como Telefônica e Ibéria (Espanha), Banco Comercial
Português, Deutsche Bank (Alemanha) e Banco Galicia (Argentina),
dentre outras.
Comunicação
Empresarial - O senhor defende que a comunicação seja um
instrumento integrado em que as disciplinas não sejam formalmente
estipuladas ou organizadas dentro da empresa. O Brasil notadamente
possui excelência em publicidade, as empresas investem milhões de
dólares em propaganda, concentrando seus esforços na área
mercadológica, enquanto as demais disciplinas viriam a reboque. O
senhor já revelou que o fim da hegemonia da publicidade é uma
questão de tempo. Como acredita que haverá essa revolução num País
tão acostumado com as altas produções publicitárias?
Joan Costa - Acontecerá o mesmo processo que ocorreu
na Europa. Não é a vontade de mudar das empresas, é a ordem
natural das coisas que impulsiona a comunicação das empresas cada
dia mais e mais complexas. As empresas vão tomando consciência,
aos poucos, da importância dos recursos humanos, de que os
empregados constituem uma força muito importante no sentido de
haver uma maior cooperação, um maior desejo de compreender a
empresa em que trabalham diariamente. E também, por parte da
empresa, a necessidade de trabalhar em equipe, de exercitar uma
cultura de trabalho colaborador, que impulsione energias e
esforços na mesma direção. Isso deve acontecer sobretudo nas
empresas de serviços, que são a grande inovação. Trata-se da
passagem da cultura material para a cultura dos serviços, na qual
o resultado depende muito do atendimento do funcionário. Em uma
agência de viagens, não é só o empregado que trabalha. Também o
cliente o faz porque tem que dizer aonde gostaria de ir, quanto
pode gastar e se o produto o satisfaz. Há uma interação. O
importante não é o produto e sim o serviço que acompanha o
produto. Daí a necessidade de despertar a consciência para a
relação do empregado com o cliente. O funcionário é uma força
muito importante e, por outro lado, a empresa tem que contribuir
para a formação profissional desse elemento. Tem que prepará-lo
para ser melhores profissionais. Então, há o despertar no sentido
de que há outros campos de comunicação que não se resolvem com a
publicidade, por exemplo a publicidade interna. Descobre-se que a
relação com os acionistas da empresa é um capital muito grande
porque esse público pode mudar de empresa e passar seu dinheiro
para outra. É um tipo de comunicação que começou pela publicidade.
A empresa também precisa entender que há mais demandas sociais que
podem vir no formato de patrocínio para uma causa do tipo cívica
ou de apoio ao meio ambiente. Essas são ações corporativas, não
mensagens publicitárias. Veremos que a empresa diversifica sua
imagem. Eu quero dizer, há uma linha unidirecional da empresa à
televisão e da televisão para todo mundo. Os comerciais de TV são
para todos e notamos que deve haver uma diversificação, vão se
abrindo outras vias de comunicação segmentadas como, por exemplo,
para os acionistas, para os meios de comunicação, para os
sindicalistas etc. Há também um personagem muito importante nisso,
que é o consultor, um profissional que prescreve, aconselha onde
investir o dinheiro nessa empresa e não na outra porque essa está
melhor. A empresa percebe, aos poucos, que não são apenas os
anúncios que resolvem os problemas junto a todos esses públicos.
Esse nível de consciência não é uma virtude da empresa. É uma
necessidade inevitável porque, para colocar a empresa em igualdade
com as demais, é necessário ver que o mundo não é só o mercado, é
um campo social em que há expectativas diversas e é nessa
percepção que uma empresa se diferencia das outras.
CE - Então é o fim
da publicidade como a conhecemos hoje?
Costa - Penso que não. A publicidade não vai
desaparecer porque há necessidade de difundir um produto também de
forma massiva, mas vão se reduzir muito os investimentos
destinados a ela. A publicidade é um instrumento a mais, não é o
único instrumento. Eu estava conversando com um executivo de uma
grande agência de publicidade nos Estados Unidos e ele me dizia
que não compreendia o grande movimento da redução de verbas
publicitárias e me perguntou o que está acontecendo. Eu penso que
isso vai acontecer no mundo inteiro. Aliás, já está acontecendo ou
vai acontecer.
CE - No Brasil, os
investimentos em publicidade ainda são consideravelmente maiores
em relação às verbas institucionais e em comunicação interna. Além
disso, a propaganda brasileira está mostrando a face global de sua
criação e cada vez mais campanhas produzidas no Brasil são
veiculadas em outros países e os profissionais do setor são
chamados a entrar na economia globalizada.
Costa - Sem dúvida, a publicidade cresce mas, ao mesmo
tempo, a comunicação interna também é alavancada, com certeza.
Pode parecer menos visível, mas eu lhe asseguro que é um item
importante. A experiência européia mostra que as empresas que
investem em publicidade estão reduzindo as verbas nessa área para
investir em pesquisas de imagem da empresa, de mercado e de
posicionamento e estão se municiando cada vez mais de informações
internas. O que antes era tudo para o orçamento em publicidade,
agora se divide. Essa é uma necessidade irreparável, que não
elimina nenhuma técnica de comunicação, ao contrário, promove
todas. Esse é o fenômeno. Algumas empresas vão utilizar mais a
publicidade para produtos passivos, outras vão utilizar para
produtos mais seletivos e haverá uma graduação, para cada caso,
dos instrumentos de comunicação. Teremos toda uma diversidade de
instrumentos, ferramentas que vamos utilizar igualmente. Não
haverá uma técnica superior à outra.
CE - Então a
publicidade, e os publicitários, teriam que se adaptar a esse
cenário? Publicidade interna é uma área em que as empresas de
publicidade não estão acostumadas a operar, principalmente porque
não lhe dão tanto retorno financeiro. Qual seria a opção?
Costa - Eu não gosto do conceito de publicidade interna e
de marketing interno, porque marketing vem do mercado e o mercado
vende mercadorias. E assim, eu não vendo mercadorias para meus
empregados, nós intercambiamos reação, conhecimento, esforço etc.
Acho que isso é um abuso de linguagem, que é o habito em marketing
e publicidade, como a expressão marketing de relacionamento. As
empresas que usam essa disciplina, como por exemplo os bancos,
fazem marketing de relacionamento norteado em promoções, sorteios
para os clientes e não-clientes. Isso não é marketing de
relacionamento, é promoção. Cada linguagem tem sua especificidade
e, para uma ótima comunicação, é preciso que as empresas dominem
bem cada uma delas de maneira a misturá-las perfeitamente e
extrair maior rendimento.
CE - No Brasil,
nós temos as consultorias de relações públicas, assessorias de
imprensa, empresas de promoção e também as agências de
publicidade. Olhando o mercado de uma forma geral, parece que as
agências são as mais ricas. Dentro do cenário traçado pelo senhor,
elas estariam fadadas a ter seus faturamentos reduzidos. Qual
seria a melhor forma de elas se adaptarem a esse novo paradigma:
realizar todas as disciplinas internamente ou estabelecer
parcerias com consultorias de RP e assessorias de imprensa?
Costa - A publicidade é fundamentalmente business e nós
que trabalhamos com comunicação, a vemos como um problema pessoal.
Meu trabalho em comunicação não é propriamente um business, mas
basicamente uma forma de aprender, de avançar, de melhorar e de
viver disso. Eu publiquei um livro que se chama “Reinventar a
publicidade”, que critica duramente a publicidade. Mas é uma
crítica feita por uma pessoa que compreende publicidade e que é
ex-publicitário. A crítica não é dura porque sou um inimigo, mas
sim porque sou um colega que mudou de idéia e se converteu à
religião da comunicação.
CE - Como
aconteceu essa conversão?
Costa - Essa conversão não aconteceu por causa da
publicidade. É uma vocação pessoal que eu transmiti à minha
empresa para o pessoal de publicidade e business e não houve
nenhuma vontade deles em mudar. Para as empresas de publicidade, é
manter as coisas como estão, não mudar nada. É o mesmo que um
grande diretor de uma empresa que procura se agarrar à sua
poltrona e não quer que a mudem de lugar. Na prática, vi um caso
muito dramático de uma agência de publicidade cujo cliente
necessitava de outros serviços além de publicidade E a agência se
incumbiu de provindenciar as demais disciplinas que o cliente
necessitava. Essa é a lógica das agências de publicidade hoje:
buscam um parceiro de design, de relações públicas, de pesquisa.
Porém, o que acontece é que elas não sabem nada além de
publicidade. Em um sistema, a parte não pode pensar pelo todo
porque as disciplinas de comunicação são baseadas na técnica. Se a
agência de publicidade se posiciona acima dos demais fornecedores
sem conhecer amplamente as características de cada uma delas, não
pode coordenar o trabalho. No caso que citei, a agência de
publicidade não tinha a visão do conjunto e o case foi um fracasso
porque ela só pensou em difundir a marca do produto. Mas a agência
desconhecia as necessidades internas da empresa e de estratégia
institucional. Simplesmente aproveita sua posição de confiança, de
conhecimento com seu cliente, para amparar todo o conjunto do
negócio. Isso não funciona. O cliente pensa: quero uma cabeça que
me resolva todos os problemas, gerando menos trabalho para a
empresa. Então, ela confia tudo à sua agência. E, por outro lado,
outro fenômeno que se sobrepõe a esse é que cada vez mais as
empresas vão despertando e criando parcerias com empresas do setor
de relações públicas, editorial etc, acreditando que a agência de
publicidade tem interesses econômicos ao indicar fornecedores. A
agência pensa: encontraremos colaboradores de várias disciplinas e
juntos faremos uma grande empresa de comunicação e vendemos o
pacote ao cliente. Essa mentalidade está fraquejando, em parte,
porque não se faz o trabalho tão bem feito como deveria. Falta
maturidade para coordenar todo o processo. E, por outro lado, há
cada vez mais bons especialista de cada coisa isoladamente.
CE - Se hoje o
publicitário domina toda essa coordenação da comunicação do
cliente, qual o perfil profissional de quem iria comandar essa
operação? Qual o papel do comunicólogo?
Costa - Na Europa, há especialistas para cada
área, mas também nasce uma nova profissão, o responsável de
comunicação, o diretor de comunicação. Nas universidades, crescem
os cursos para masters em direção de comunicação das empresas. É
uma nova profissão e essa é a figura que vai ocupar alto posto nas
empresas, relacionando-se diretamente com o presidente da
organização e tendo como pilares a comunicação institucional, com
um braço ligado a marketing, voltado para a comunicação comercial
e outro braço com comunicações internas. O diretor de comunicação
estaria no centro desse triângulo, coordenando tudo isso numa
posição estratégica para compreender as necessidades da empresa,
acima de tudo. E, a partir dessas necessidades, estabeleceria o
plano estratégico da empresa. Essa pessoa intervém na
interpretação do plano, traduz o que está escrito no papel e checa
os eixos que permitem a congruência dessa ideologia da empresa.
CE - Ele teria o
status que tem hoje no Brasil um diretor de marketing?
Costa - Sim. Ainda existe a predominância do diretor de
marketing porque, desde o início do século, as empresas tinham que
vender o que produziam. Desta forma, há uma força histórica da
publicidade e isso é muito difícil de mudar. Depois vem um invento
muito importante no mundo comercial que é o marketing. Ele tem uma
força muito grande dentro da empresa e como está focado ao
negócio, à venda, então o marketing tem um grande predomínio na
organização. O mesmo acontece com a agência de publicidade que
está fora da empresa. São os dois grande pólos. Ainda assim,
emerge a imagem do diretor de comunicação, que é essa figura
integradora que está no centro da problemática da empresa e não
fora, num departamento como marketing. Ele deve estar diretamente
conectado com a presidência e essa figura tem uma visão total da
empresa.
CE - Na prática,
esse modelo já se formalizou principalmente em que empresas e
países ?
Costa - Na Europa, a maioria das empresas médias e
grandes já tem um responsável pela comunicação que, muitas vezes,
é uma pessoa da própria organização, advindo das áreas de relações
públicas, jornalismo ou até mesmo, do jurídico. O master da
direção da comunicação também pode ser alguém de fora. Quando
atuamos junto a programas globais para empresas em que não há a
centralização da comunicação, recomendo que se organize isso.
Recentemente o banco francês Galicia encomendou um programa muito
completo para a Argentina, que incluía uma auditoria estratégica
para implantar uma imagem futura que a empresa deseja, uma
política e estrutura de marcas para o banco, comunicação interna,
mudança cultural e design do interior das agências. Era uma
mudança radical, total. Depois de tudo aprovado, antes de iniciar
o projeto, existia um departamento de comunicação que só se
ocupava de relações públicas, tendo apenas um jornalista nesse
departamento. Essa pessoa mais duas outras formavam o departamento
de comunicação da empresa. Havia também a área de publicidade,
ligada a marketing. Então, quando se apresentou um projeto tão
integrador, eu mesmo disse ao presidente que tinha gostado do
projeto e que se fosse aprovado, antes de começar eu recomendaria
que se organizasse um departamento único de comunicação. Ou seja,
um só departamento que trabalhasse com estrutura de marketing,
jornalismo, relações públicas, mas que tudo fosse coordenado por
um profissional. Expliquei que se não se constituísse essa unidade
de comunicação para onde se dirigiriam todas as diretivas de
comunicação, melhor que nem começassem o projeto porque iriam se
perpetuar os erros anteriores. O projeto foi aprovado e se
organizou o departamento com todos os outros meios envolvidos. O
profissional que assumiu a área agora tem mais influência sobre a
comunicação e tudo que se faz e ainda mantém um diálogo direto com
a presidência.
CE - Um dos pontos
abordados pelo senhor durante sua palestra no II Congresso
Internacional de Comunicação para os Recursos Humanos foi a
questão dos organogramas informais nas empresas. Como eles
funcionariam nas organizações?
Costa - As pessoas são as mesmas dentro das empresas,
obedecem a uma hierarquia imposta, mas há um excesso de
racionalismo. Tudo passa pela razão e privilegiamos o que é
racional acima de outras coisas. A empresa faz seu organograma
hierárquico porque precisa ter pessoas que mandem mais que outras
e se organiza de modo que todos saibam a quem tem que obedecer.
Porém, há uma hierarquia invisível e que tem muito poder real, que
são as secretárias, por exemplo. Entra aí o sociograma que vai
expressar quem poderia trabalhar com quem, quem desejaria
trabalhar ao lado de que funcionário, quem detesta trabalhar com a
pessoa a qual está trabalhando. O pessoal de recursos humanos tem
que trabalhar com isso também. Não se pode tecer uma separação do
que é emocional e o que é racional. O universo em que se manifesta
mais a emoção das pessoas é quando se relaciona com seu
companheiro, seu parceiro do trabalho ou com sua pessoa de
confiança. E depois há outro organograma que é oculto, são os
rumores que surgem aqui e ali e circulam pela empresa. Ninguém
sabe de onde saíram, porém eles têm muita força. As empresas não
explicam esse fenômeno, mas sabem que precisam cortá-los. A melhor
forma de evitar essa situação é substituir rumor por informação. O
rumor surge quando a informação é insuficiente ou quando não é
verdadeira.
CE - Hoje, a
comunicação interna não é o principal foco no budget de
comunicação da empresa que ainda privilegia os investimentos
voltados para a força de vendas. O que leva as empresas a olhar
para dentro e perceber o momento de mudar tudo e pensar em
comunicação de uma outra forma?
Costa - Penso que é justamente quando a empresa
se dá conta ou intui ou descobre que tem que conquistar outros
clientes e também quando existe a influência do ambiente. Por
outro lado, cada vez se fala mais de comunicação interna e essa é
outra fonte de influência que constitui esta textura. Cada vez há
mais informação, as revistas de economia e negócios,
principalmente, dedicam muitas páginas para explanar cases de
empresas que organizaram sua comunicação interna porque havia uma
necessidade. Há nas empresas uma espécie de dinâmica própria. O
que quero dizer é que, quando cada departamento tem autonomia para
fazer coisas e as faz bem, acaba se tornando autônomo. Eu percebi
que existe esse “perigo”, porque as áreas apresentam propostas
para novos boletins, multimídia, vídeo. Há aí o risco de um
excesso de informação e os empregados não têm tempo para tanta
notícia, tantas páginas. É preciso simplificar, ter menos páginas
nos house organs, simplificar a linguagem, criar atrativos. Às
vezes, há uma tendência em cobrir toda comunicação com perfeição e
se peca pelo excesso. E quando há excesso, há saturação. Temos que
estar atentos a isso. Em veículos voltados ao público interno,
recomendo que não se utilize o estilo publicitário, nem o estilo
literário, apenas o jornalístico: título forte, texto da notícia,
crédito, foto. As empresas se acostumaram a editar jornais com
textos que dobram as páginas esquecendo que o hábito de leitura de
jornais é o de visualizar colunas estreitas.
CE - E onde se
situam as intranets nesse contexto? Essa é uma forma rápida,
democrática, simultânea de comunicação dentro da organização. Ela
pode substituir todos os outros canais?
Costa - O correio interno é um método muito bom porque
a informação chega a todos ao mesmo tempo e todo mundo tem acesso
à informação. Isso resolveu um problema que acontecia nas empresas
em que o responsável de recursos humanos era um personagem que
acabava não dando informações a todos, mas só para as pessoas
próximas a ele. A intranet auxiliou nessa democratização da
informação interna. Mas não resolve todos os problemas. Veja a
televisão, ela não acabou com a notícia impressa, ao contrário,
cada dia há mais revistas especializadas que surgem. Em uma
sociedade em que há uma influência grande da comunicação, os meios
não se anulam uns aos outros. Ao contrário, criam-se novos meios,
como o multimídia, por exemplo. Cada linguagem tem sua
especificidade. A capacidade de ter um papel embaixo dos olhos e
poder virá-lo, ver atrás, na frente, é uma vantagem que o
computador não tem. Internet serve basicamente para difusão e
venda e para a informação.
http://www.aberje.com.br/rev_37_entrevista.htm