Cada um na sua, mas com muita coisa em comum
Felipe Basso

http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=2688

O que é um jornalista e o que é um assessor de imprensa? Assino a coluna
como jornalista assessor de imprensa e um leitor comentou que tal expressão
soa contraditória.

O comentário ficou na minha cabeça a semana toda. O jornalista é sempre um
jornalista. Agora, o assessor de imprensa deixa de ser jornalista quando
vira assessor de imprensa? O que os diferencia? O fato de trabalhar para
empresas, pessoas ou instituições o descaracteriza como jornalista? Mas o
jornalista de redação não trabalha para uma empresa também?

A Federação Nacional dos Jornalistas publica o Manual dos Jornalistas em
Assessoria de Comunicação. Em um dado momento, o documento afirma: "o
jornalista que atua em assessoria de comunicação e um jornalista como outro
qualquer, apenas desempenhando sua atividade fora da redação. Não é um
profissional do marketing ou um lobista. Deve seguir o Código de Ética do
Jornalista e assegurar a credibilidade de seu trabalho".

Mais adiante... "Não adianta tentar divulgar o que é impublicável, fugindo
da regra básica do que é jornalístico - o novo, o inusitado, o diferente, o
que merece e precisa ser divulgado. Hoje, as assessorias de comunicação são
e funcionam bem quando encaradas como extensão das redações, selecionando o
que é notícia previamente. Para isso é preciso convencer o assessorado sobre
o que é e o que não é notícia, evitando o desperdício de contatos
infrutíferos, que nunca resultam em ocupação de espaço nos jornais, mas sim
em descrédito da empresa".

Essa conceituação apenas ajuda a tentar entender o papel de assessor, mas
com certeza, não a define. Quando o Manual fala em que devemos seguir o
Código de Ética do Jornalista, acredito que o que se pretende dizer é que
antes de tudo somos jornalistas e devemos zelar pela informação,
trabalhando-a corretamente, para que seja usada de forma adequada.

Por exemplo, um dos itens do Código de Ética do Jornalista diz que o
compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu
trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta
divulgação. Ou seja, o jornalista assessor deve fazer da apuração e da
correta divulgação as bases do seu trabalho. Uma das particularidades é que
teremos apenas uma fonte, na maioria das vezes.

E se o assessorado decide ocultar ou alterar as informações para benefício
próprio? O bom assessor de imprensa deve estar sempre tomando conhecimento
do mercado de seu assessorado, tornando cada vez mais difícil tais práticas
inadequadas ao exercício da profissão.

Agora, isso impede que o assessor de imprensa atue como um profissional do
marketing? Quando somos chamados a participar do planejamento de comunicação
de uma empresa, não estamos participando da formação das estratégias de
marketing da companhia?

Nesse momento, não podemos nos furtar a contribuir com opiniões que tratem
das estratégias de comunicação. Devemos, sim, aliar nosso conhecimento como
jornalistas e adequá-los a nossa função como assessores, sem prejuízos para
qualquer uma das partes envolvidas.

Um outro ponto diz que é preciso convencer o assessorado sobre o que é e o
que não é notícia. Bem, deixemos isso para uma outra semana, pois o assunto
rende uma manchete e tanto.
março 2008