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Pesquisadores a serviço da Comunicação Intercom promove troca de idéias entre estudiosos de todo o país. Criada em 1977, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) é hoje a maior comunidade científica da América Latina no assunto. Em cada um de seus atuais 18 Núcleos de Pesquisa, reúnem-se estudiosos de todas as regiões do país que estejam desenvolvendo projetos referentes a uma área em comum — como jornalismo, relações públicas, publicidade, folkcomunicação (comunicação de folclore, da cultura popular), fotografia, comunicação audiovisual e ficção seriada, entre outros temas. Os trabalhos, feitos pelos pesquisadores muitas vezes em parceria com seus orientandos de mestrado e doutorado, não raro resultam em teses, dissertações e livros, que são apresentados nos congressos anuais, simpósios regionais de pesquisa, conferências e colóquios promovidos pela Intercom. A instituição, que faz parte da rede nacional de sociedades científicas liderada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), tem à frente o professor José Marques de Melo, sócio-fundador e atual presidente da Intercom. “A Intercom não faz pesquisas, mas atua como entidade estimuladora de estudos avançados da comunicação. Ela congrega pesquisadores do Brasil inteiro, discute os resultados dos trabalhos. Hoje, temos cerca de mil associados. Cada núcleo, por sua vez, tem um coordenador, e existe ainda um coordenador-geral, para supervisionar os núcleos”, explica José Marques, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista de São Paulo, e o primeiro brasileiro a defender, no país, uma tese de doutorado em jornalismo (pela USP, da qual foi fundador da Escola de Comunicação e Artes). O presidente lembra que, apesar de as pesquisas em comunicação terem começado no Brasil no fim dos anos 40 e início da década seguinte, a atividade se tornou intensa apenas nos idos de 1960, exatamente no momento em que foi criada a Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo. “A USP foi a primeira instituição do país a ter um corpo de professores-pesquisadores em tempo integral. Em 1977, o governo militar proibiu a reunião anual dos cientistas da SBPC, que seria realizada em Fortaleza. O cardeal D. Evaristo Arns resolveu, naquele momento, abrir as portas da PUC de São Paulo para o encontro. Nessa reunião histórica, foram criadas várias sociedades científicas da área de humanas, entre elas a Intercom”, recorda José Marques, que já publicou 25 livros e organizou uma centena de artigos em periódicos científicos do Brasil e do exterior. Hoje, salienta Marques, as pesquisas de comunicação se concentram, sobretudo, nas universidades. “Praticamente não existe a profissão de ‘pesquisador em comunicação’. Os estudos são feitos nas escolas. Como desdobramento, há os pesquisadores que trabalham em empresas, que não fazem parte do mundo acadêmico. A Intercom foi concebida também com o objetivo de fazer uma ponte entre a universidade e o mercado de trabalho. Mas está sendo difícil. Nesses 30 anos, não conseguimos avançar muito”, lamenta ele. José Marques acrescenta que, dentro da filosofia de aglutinar os estudiosos da comunicação, a Intercom, se preocupa em aproximar pesquisadores do meio acadêmico e de empresas privadas, que são, em sua maioria, alvo de preconceitos. “Alguns acadêmicos os vêem como profissionais de pesquisas encomendadas, sem autonomia. Procuramos derrubar esse mito. De modo geral, o pesquisador acadêmico se considera um crítico, com total liberdade para desenvolver seus estudos. Só que quem trabalha no Estado também faz pesquisa encomendada; quem trabalha na universidade, idem”, argumenta ele. Além de estimular o desenvolvimento de estudos científicos e realizar, anualmente, congressos (dos quais participam cerca de 5 mil pessoas), simpósios regionais de pesquisa (SIPECs), seminários, cursos de curta duração e conferências, a Intercom incentiva o intercâmbio de idéias — por meio de colóquios, por exemplo — entre seus associados e pesquisadores de outros países. Quase sempre, o ponto de partida entre os estudiosos é um tema em comum, que enseja o estudo comparado de trabalhos na mesma área. O último colóquio foi realizado no ano passado, com pesquisadores argentinos: o I Colóquio Brasil-Argentina, que tratou da comunicação no mercado digital. Outra atividade da Intercom passa pela edição e publicação de livros e revistas com temas específicos da comunicação — cada qual voltado a um público diferente. A Revista Brasileira da Ciência de Comunicação, há 30 anos publicada, reúne arquivos dos pesquisadores que têm doutorado e pós-doutorado. As revistas eletrônicas Inovcom e Iniciacom abrangem, respectivamente, os estudiosos que estão ingressando no mestrado ou doutorado e os graduados em iniciação científica. “Temos também um serviço de documentação virtual, que reúne mais de 10 mil documentos. Tudo o que produzimos é colocado em uma base de dados”, informa Marques. Atualmente, o professor desenvolve uma pesquisa — que teve início há dez anos e está prestes a ser concluída — de Midiologia Comparada, cujos resultados serão apresentados na Intercom. Trata-se, segundo ele, de um estudo sobre a mídia, no tempo e no espaço. “Posso dizer que este é um inventário crítico da produção brasileira sobre mídia. Das mediações acadêmicas, do que se pesquisou, dos anos 50 até hoje, sobre a mídia no país. Trabalhamos com livros, teses, arquivos e revistas, para mapear o conhecimento que o Brasil tem sobre o assunto. Não ficaram de fora as principais tendências da pesquisa em televisão, cinema e rádio. O trabalho é gigantesco, e envolveu até agora cerca de 50 pessoas, de várias partes do Brasil”, completa José Marques. A pesquisa, por sinal, já rendeu frutos: com base no material estudado, foram publicados mais de dez livros, entre os quais Pensamento Comunicacional Brasileiro – o Grupo de São Bernardo, organizado por José Marques em parceria com a professora Samantha Castelo Branco. Uma das alunas de José Marques acaba de concluir um trabalho que tem como tema O Desenvolvimento da Imprensa no Maranhão. Na atual fase da pesquisa, conta o professor, os estudiosos procuram identificar os paradigmas da imprensa brasileira. “Já publiquei três livros com minibiografias de personagens. Em breve, será editado outro, que trará referência a nomes como os dos jornalistas Roberto Marinho e Pedro da Costa Rego, além do compositor Tom Jobim”, informa ele. Em 2008, para celebrar o 31º aniversário da sociedade, a Intercom elegeu o tema “Mídia, Ecologia e Sociedade”, que será debatido no congresso anual, a ser realizado em setembro, em Natal (RN), e nos congressos regionais da entidade. Produção biliográfica: MARQUES DE MELO, José. Mídia e Cultura Popular: História, Taxionomia e Metodologia da Folkcomunicação. São Paulo: Paulus, 2008 MARQUES DE MELO, José (Org.) Síndrome da Mordaça. São Bernardo do Campo: Editora da UMESP, 2007. MARQUES DE MELO, José (Org.) Os Bandeirantes da Idade Mídia - Capítulos da história Comunicacional Paulista. São paulo: Angellara, 2007. MARQUES DE MELO, José (Org.); Paiva, Raquel (Org.) Ícones da Sociedade Midiática: Da Aldeia de McLuhan ao Planeta de Bill Gates. São Paulo: Mauad Editora, 2007. MARQUES DE MELO, José (Org.); MORAIS, O. J. (Org.) 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13/05/08 |