Viviane Macedo
Ele pode ser seu melhor amigo ou seu pior inimigo. Pode fazer com
que você seja lembrado positivamente pelas pessoas, ou que elas
prefiram manter-se a metros de distância. O marketing pessoal,
quando mal utilizado, surte efeito contrário e prejudica a carreira
de um profissional. Conhecê-lo e saber trabalhar com ele a seu favor
é muito importante.
O QUE É?

Marketing
pessoal é a arte de vender um produto chamado "Eu". Com ele, você é
capaz de posicionar-se no mercado e mostrar suas habilidades, a fim
de criar uma percepção positiva nas pessoas a seu respeito.
"É
uma maneira de se divulgar para promover as próprias competências
pessoais e técnicas profissionais junto ao mercado", explica o
consultor e palestrante
Ari Lima.
Lima afirma que essa prática ganhou força diante da necessidade de
os profissionais se promoverem, como já fazem, naturalmente, as
empresas. Segundo o consultor, com a instabilidade apresentada pelo
mercado é cada vez mais importante apresentar o próprio talento e
vender-se como um verdadeiro serviço.
"O profissional precisa
gerenciar constantemente a própria carreira, porque nada lhe garante
que ele vai ter o mesmo
emprego para o resto da vida. A qualquer momento, ele ou a
empresa podem resolver seguir rumos diferentes, daí a necessidade do
marketing pessoal."
Mas não basta achar que você "se vende bem", pois é preciso estudar
uma estratégia antes de começar a agir.
"É fundamental fazer um
planejamento estratégico da sua marca, desse produto que é você,
para identificar de que maneira você pode agir para apresentar sua
imagem para as pessoas", diz
Alexander Baer, consultor de
marketing pessoal estratégico.

Para
Adriana Oliveira,
professora do
ICEP - Instituto de Capacitação e Ensino
Profissionalizante, esse processo respeita uma seqüência de
acontecimentos. Em primeiro lugar, você gera uma lembrança nas
pessoas. A partir dessa lembrança, elas passam a ter um sentimento
sobre você. Por fim, as pessoas adotam atitudes que podem
privilegiá-lo.
"O marketing pessoal deve começar por meio do despertar da
percepção desses elementos. Atuar na sociedade de maneira planejada,
ou seja, programando a atitude que queremos que as pessoas ao nosso
redor tenham em relação a nós", explica a professora Adriana.
E COMO NÃO SE TORNAR UM CHATO?
Marketing pessoal é um tema muito delicado, no qual uma atitude
impensada pode causar resistência e antipatia nas pessoas - um
perigo é acabar caindo na autopromoção. O cuidado deve ser
redobrado, pois há uma linha muito tênue entre o marketing pessoal e
a inconveniência.
Essa situação acontece, muitas vezes, sem que o indivíduo perceba,
pois para ele já se tornou comum abordar as pessoas e tentar falar
sobre suas conquistas, dar um cartão de visitas e se apresentar.
Dependendo da abordagem, porém, a percepção das outras pessoas pode
ser justamente oposta à pretendida pelo marketeiro pessoal. Tentar
chamar a atenção a qualquer custo faz com que o profissional,
inevitavelmente, caia na armadilha da autopromoção.
"A pessoa começa a fazer tudo para se divulgar e acha que é o
centro das atenções. Não vê, ouve ou percebe as outras pessoas. E
isso não é marketing pessoal. O tiro sai pela culatra porque as
pessoas têm a percepção do chato, do exibido. Em vez de ser
positivo, acaba sendo extremamente negativo para o profissional",
diz Alexander.

Para
não cometer esse erro, Adriana alerta que é preciso prestar muita
atenção na reação das pessoas que estão em volta.
"As reações
podem ser fortes ou sutis em relação às nossas atitudes. Elas podem,
por exemplo, se afastar, mudar de assunto, chamar outros para compor
a conversa ou mesmo calar-se. Dá para se ter um termômetro do quanto
estamos sendo agradáveis ou não", garante.
BONS RESULTADOS
Quando o profissional passa a ter uma visão mais panorâmica e
abrangente, e entende que marketing pessoal não é (e nem pode ser)
apelativo, ele começa a colher bons resultados com a prática.
"Quando você faz um bom plano de marketing, se apresenta ao mercado,
mostra suas competências e a sua capacidade de uma forma sutil, a
história muda. Não é mais você que vai buscar as pessoas, mas elas
que vêm até você", diz Lima.
E Baer finaliza.
"O marketing pessoal estratégico traz conquistas
não só na vida profissional, mas também na área pessoal. É preciso
definir suas diretrizes para projetar sua imagem no mundo e, mais do
que isso, se ver no futuro obtendo os resultados definidos e
alcançando os sonhos."