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02/06/2008 - Cultura geral: um
diferencial valioso para o profissional
*Fabio
Humberg
Assisti no final de 2007 a uma palestra do ex-ministro da Educação
Paulo Renato de Souza sobre capacitação profissional. Acompanhei com
muito interesse a sua argumentação sobre a importância de uma formação
geral mais ampla do que a capacitação técnica. Paulo Renato lembrou que
a capacidade da leitura, a compreensão do que se lê e a reflexão são
resultados do ensino fundamental e médio, que não é voltado para o
trabalho.
Ampliando essa reflexão, podemos voltar-nos para a importância da
formação mais generalista e, por extensão, da cultura geral na vida
profissional. A cultura, sempre tão pouco valorizada no ambiente do
trabalho, não parece ter uma aplicação prática e imediata, ao menos de
forma visível. No entanto, defendo a idéia de que ela traz inúmeros
benefícios aos indivíduos, no âmbito do trabalho.
Para começar, a formação mais ampla é mais adequada à flexibilidade e à
polivalência exigidas dos profissionais de hoje. Isso é um fato
inquestionável. Poucas – ou mesmo nenhuma – atividades e profissões têm
a mesma configuração e nível de exigência do que há 10 anos. A
velocidade das transformações leva à necessidade de novas habilidades,
novos conhecimentos, novas formas de abordar e interpretar os mesmos
temas. Apenas com a formação técnica isso não é possível. O próprio
conceito de formação continuada – que atende à demanda por reciclagem e
atualização constante – reconhece a realidade de que o conhecimento
técnico é extremamente perecível, devendo ser renovado e até
reconstruído periodicamente.
Ler, ouvir música, ir ao
cinema, assistir a espetáculos teatrais ou concertos, freqüentar
exposições de arte e, por que não, até dedicar algum tempo à televisão
(tentando encontrar as ilhas de qualidade num oceano de mediocridade)
são atividades que precisam fazer parte do dia-a-dia dos profissionais.
O mesmo vale para viajar – obviamente não apenas para fazer compras –,
aprender idiomas, estudar filosofia, escrever poesia, discutir política,
acompanhar o noticiário. Tudo isso amplia horizontes, mostra outras
formas de pensar e ver o mundo, contribui para o espírito crítico e para
uma postura mais aberta. Ou seja, oxigena o cérebro.
Ao contrário dos computadores, não temos limitações no nosso HD: quanto
mais conhecimento adquirimos, mais brotam idéias, mais conexões e
inter-relações fazemos, mais soluções e alternativas somos capazes de
encontrar. Inclusive para a carreira profissional, que cada vez mais
tende a não seguir uma só linha reta durante toda a vida. Para não
derrapar nas curvas e nas voltas que a vida profissional dá, é sempre
melhor estar equipado com uma cultura geral ampla, que permita
reinventar-se e adaptar-se a novas situações e desafios.
*Fabio Humberg é editor, consultor e professor de redação
empresarial
- artigo
publicado em 02/06/2008 ESTADO DE SAO PAULO 28/12/2008