Mestres e doutores fazem a diferença hoje no mercado

 
Quem diria: com a popularização dos cursos, portar um certificado de MBA já não é suficiente para se garantir no mercado. O mestrado e o doutorado ganham destaques, com nível mais alto de qualificação.

 
São Paulo/SP - Nos EUA e em diversas partes do mundo, o MBA (Master in Business Administration) tem um grau equivalente ao de mestre, como o próprio nome diz (master). “No Brasil, o mestrado tradicional é mais voltado para quem deseja se aprofundar num tema e seguir a carreira de pesquisador. A formação é mais acadêmica. Na outra ponta, existem as especializações e o MBA, que são cursos mais pragmáticos, voltados para o mercado. Um meio termo é o mestrado profissional, que une esse aprofundamento acadêmico do mestrado tradicional com o lado pragmático do MBA e das especializações”, comenta Fábio de Biazzi, da Ibmec São Paulo.

O problema é que o mestrado profissional ainda não é tão popular. A Capes reconhece apenas 201 cursos. Segundo a entidade, trata-se de um mestrado que enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de alto nível de qualificação profissional. Esta ênfase é a única diferença em relação ao mestrado acadêmico e ambos conferem o grau de mestre ao formado, permitindo com isso o exercício de docência. O mestrado profissional foi criado em 1998 pela Capes e tem a finalidade de ser um curso para aqueles que estão atuando profissionalmente. Foi uma exigência do mercado, que passou a exigir profissionais mais complexos, que não estavam sendo atendidos pelos cursos de pós-graduação e especializações.

Para a diretora de pós-graduação e pesquisa da universidade Anhembi Morumbi, Marisa Forghieri, foi-se o tempo em que os cursos stricto sensu, como mestrado e doutorado, eram apenas para quem desejava seguir uma carreira acadêmica: “Hoje, com o mercado de trabalho feroz e competitivo, ter um diferencial é importante. Neste contexto, ter um profissional com mestrado passa a ser interessante para as empresas, pois é alguém com espírito crítico e que poderá dar respostas a questões novas”.

Ela explica que diferença entre mestrado acadêmico e mestrado profissional está na proposta e no perfil do corpo docente: “Enquanto que no mestrado acadêmico os professores precisam ter trabalhos científi-cos publicados, no mestrado profissional eles devem ter patentes registradas. Nos dois casos, o objetivo é a pesquisa e a produção de conhecimentos, mas no mestrado profissional, em que não há bolsa de estudos, isso seria voltado mais para suprir as necessidades do mercado. A diferença realmente é tênue”.

Alberto Luíz Albertin, coordenador dos programas de pós-gradução stricto sensu da FGV-EAESP (Fundação Getúlio Vargas- Escola de Administração de Empresas de São Paulo) afirma que houve uma popularização dos cursos de MBAs e ter este certificado, em muitos casos, já não é um diferencial de peso: “Há dez anos esse tipo de curso era novidade e havia poucos profissionais com MBA, ao contrário de hoje. Claro que há cursos de primeira linha, que seguem padrões internacionais e são muito valorizados, mas o mestrado profissional, que oferece o título de mestre, é um curso mais completo, profundo, que exige mais do aluno, pois é preciso fazer uma dissertação dentro de regras mais rigorosas, reguladas pela Capes. Por isso ele acaba se tornando um diferencial mais atraente”.

Para Albertin, o fato de haver poucos cursos de mestrado profissional no País se deve mais pela falta de amadurecimento do mercado e também um pouco pela concorrência dos MBAs: “Tanto no mestrado acadêmico como no profissional, há exigências na formação do núcleo docente, que precisa ter professores titulados e com pesquisas científicas publicadas. No mestrado profissional, ainda mais em administração, que é o nosso caso, valem também consultorias e artigos e entrevistas em veículos de comunicação, mas basicamente o nível dos docentes é o mesmo em ambos os casos. Como o mestrado acadêmico é o mais tradicional, a escola precisa ter uma estrutura maior para abrigar também o mestrado profissional, e muitas acabam ficando só com o primeiro”.

Faltam doutores

Em meados de abril, durante o 3º Fórum Brafitec, que reuniu pesquisadores brasileiros e franceses em Fortaleza (CE), Jorge Guimarães, presidente da Capes, comentou em sua palestra que em 2005 o Brasil formou 1.114 doutores em Engenharia. Naquele ano, o País somava 8.989 doutores nesta área. Nos próximos quatro anos, o Brasil terá de quadruplicar o número de doutores na área se quiser melhorar o desempenho industrial e empresarial. "O número de doutores em Engenharia é insuficiente para atender a demanda. O que formamos mal substitui as aposentadorias dos núcleos de pesquisa das universidades", afirmou Guimarães.

Segundo ele, os engenheiros contribuem diretamente no desenvolvimento de processos, produtos e geração de novas empresas: "Há enorme demanda de pessoal qualificado nas áreas de energia, petróleo, gás, minas e metalurgia, automação industrial, bens de capital e outras. Essa demanda é manifestada junto a Capes por diversas empresas, como Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce, Itaipu Binacional e muitas outras". O País possui 4.894 docentes em engenharia; são 139 cursos de doutorado, dos quais 98% em instituições públicas. Isso mostra que o doutorado também é um bom caminho a ser trilhado, pois faltam profissionais titulados no mercado.

 
Fonte: Diário do Comércio
Origem: Geral
Data: 16/05/2007
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