Relações públicas:
por que ter um?
Organizações podem se
beneficiar desses profissionais que trabalham pela
construção positiva da imagem
Por: Marcio Zeppelini
Relacionar-se bem com o público é uma atividade de
extrema importância para todos os setores. Na área
comercial, por exemplo, é essencial agradar o cliente; na
política, uma boa reputação atrai mais votos da população.
No Terceiro Setor não é diferente. Transmitir uma imagem
idônea e agir com transparência também significa ter boas
relações com o público, composto por parceiros, doadores,
colaboradores, voluntários, beneficiários e a sociedade como
um todo.
Fato já conhecido pelas organizações é que a
profissionalização se faz cada vez mais necessária na área
social quando se buscam resultados de qualidade. Por isso,
ninguém melhor que o profissional de relações públicas para
trabalhar pela imagem da instituição e por um bom
relacionamento com todos. Segundo a Associação Brasileira de
Relações Públicas (ABPR), a área representa a “atividade e o
esforço deliberado, planejado e contínuo para estabelecer e
manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou
privada e os grupos de pessoas a que esteja, direta ou
indiretamente, ligada”.
O que são as relações públicas?
De acordo com a resolução normativa nº 43, de 24 de agosto
de 2002, algumas das atividades são:
-
Elaborar o planejamento de comunicação da organização
com o objetivo de proporcionar unidade e otimização de
esforço;
-
Realizar e analisar pesquisas de opinião pública;
-
Promover divulgação jornalística e elaborar veículos
internos de comunicação (boletins, malas-diretas, vídeos
etc.);
-
Organizar estrutura geral de eventos culturais,
esportivos, sociais, empresariais, científicos, entre
outros, incluindo a logística;
-
Redigir e coordenar cerimoniais e protocolos;
-
Fazer interagir a organização com a comunidade por meio
do marketing social;
-
Zelar pela construção e credibilidade da imagem / marca
da organização;
-
Intermediar a criação de campanhas institucionais e
mercadológicas;
-
Administrar interface com todos os stakeholders.
Essas e outras ações, quando desenvolvidas de maneira
profissional, melhoram a visibilidade da instituição, ajudam
na captação de recursos, devido à credibilidade que geram, e
desenvolvem um bom relacionamento com a sociedade em geral.
Atuação no setor social
Para trabalhar na área social, o profissional de relações
públicas pode ter de se adaptar a uma realidade diferente,
como ao fato de trabalhar com o orçamento reduzido. Por
isso, é aconselhável que algumas tarefas, como a pesquisa da
realidade, o planejamento e a organização do trabalho sejam
executadas. A pessoa que atuar como relações públicas em uma
instituição deve se sentir membro da entidade, identificar
os ideais da profissão aos da organização, conhecer a
realidade social da região e analisar seu campo de ação.
Dessa forma, acreditando na causa, ela poderá ser bem
retransmitida aos outros.
Quando trabalha no Terceiro Setor, o profissional adquire
uma experiência diferenciada. Primeiro, por lidar com uma
motivação maior, levada pelo apoio à causa. Segundo porque,
muitas vezes, devido à necessidade, é preciso agir com mais
criatividade, agilidade e pró-atividade, otimizando os
recursos não só financeiros, mas também humanos, físicos e
materiais.
Definição do público-alvo
Uma atitude recomendável é avaliar quais são os públicos e
seus diferentes interesses, para que se definam as atitudes
a serem tomadas em relação a cada um deles. No caso das
organizações sociais, há alguns exemplos:
-
Conselho e diretoria: atuam pelos valores da
organização;
-
Voluntários: procuram ajudar nas atividades da
instituição oferecendo seu tempo e talento;
-
Funcionários: dependem financeiramente do emprego e
buscam sua permanência e crescimento no mercado de
trabalho;
-
Beneficiários: têm interesse nos serviços prestados;
-
Governo: precisa da organização como uma aliada para
desempenhar algumas atividades;
-
Parceiros: veem a instituição como o meio de execução de
projetos.
Depois de traçar esse perfil, o profissional pode
estabelecer diferentes estratégias de aproximação com cada
público. O trabalho realizado com as relações públicas,
então, se torna importante para que todos possam aderir
efetivamente à causa, seja qual for seu interesse, já que,
no Terceiro Setor, é ela que define o grau de envolvimento
das pessoas com a instituição.
Às vezes também chamado de “relações institucionais”,
esse profissional pode atuar fortemente no pacto de
parcerias com outras instituições sociais, governo ou
empresas, fazendo o meio de campo entre as duas diretorias.
No entanto, não se devem confundir as funções: se ele for
visto como um captador de recursos, pode acabar fechando
algumas portas importantes, pois são funções completamente
distintas.
Práticas do Segundo Setor
É importante trazer experiências do setor privado para o
trabalho de relações públicas no Terceiro Setor,
especialmente quando se trata de gestão organizacional. O
paralelo também pode ser feito em relação à causa da
instituição, principal ferramenta de trabalho desse
profissional. Ela pode ser comparada à marca de uma empresa
privada. Assim, a credibilidade e o grau de confiabilidade
dela devem ser sempre altos, e o caminho para esse status é,
novamente, a transparência.
Para colocar a causa em primeiro plano, por exemplo, não
é recomendável que a organização se alie a uma empresa pelo
investimento, sem antes analisar se os interesses dessa
companhia são realmente verdadeiros e se vão agregar valores
à cultura da instituição. Isso mancha a imagem da
organização, e pode afetar a visão que os diferentes
públicos têm dela.
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Assessoria de imprensa X Relações
Públicas
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| Ao contrário do que se pensa,
a função do assessor de imprensa deveria ser
realizada por um profissional de relações públicas,
que tem a formação mais adequada para o cargo, e não
por um jornalista ou publicitário. Isso acontece
porque existem muitos formados em comunicação para
poucas vagas. Durante o curso de relações
públicas, os alunos adquirem conhecimentos sobre
comunicação empresarial e corporativa, relações
exteriores e institucionais, Ombudsman,
endomarketing, lobby, assessoria de imprensa,
organização de eventos e outras áreas que dão base
ao trabalho de construção da imagem empresarial ou
organizacional e sua transmissão, tanto para os
públicos em geral quanto para a imprensa.
Por isso, existe a concorrência no mercado e a
confusão na definição de funções da área de
comunicação (publicidade, marketing, jornalismo e
relações públicas). Vale lembrar que essa é apenas
uma das atribuições adquiridas na faculdade, e que
as organizações do Terceiro Setor podem se
beneficiar da contratação de um profissional de
relações públicas por um conjunto de motivos que
trazem transparência e ações organizadas e
planejadas. |
Links
www.aberje.com.br
www.abrpnacional.com.br
Marcio Zeppelini.Diretor executivo da
Zeppelini Editorial e editor da Revista Filantropia
Revista Filantropia - On-line - nº189