| São Paulo, domingo,
05 de abril de 2009 |
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Artigos
A imagem do principal executivo
É possível
vincular a reputação do CEO aos bons
resultados econômicos da empresa
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JOSÉ RAMÓN PIN
ESPECIAL PARA A FOLHA
A reputação do CEO (principal executivo)
transformou-se em um elemento crítico de êxito
empresarial, pois constitui uma fonte potencial de
vantagens competitivas.
É possível estabelecer vínculo direto entre o
prestígio do CEO e os bons resultados econômicos da
empresa. Afinal, um bom líder é um fator positivo
para a imagem da empresa.
O valor das ações na Bolsa de Valores também
apresenta relação direta com a reputação.
Chegou-se a essa conclusão a partir de um estudo que
examinou a tendência das operações na Bolsa de
empresas que integraram a lista da revista "Fortune"
de 1983 a 1997.
Essa ideia é constantemente reforçada por evidências
empíricas, que mostram que o renome do CEO é um dos
fatores que mais influenciam a reputação da empresa
-processo de transferência reputacional.
Devido ao forte impacto financeiro -positivo ou
negativo- que a reputação acarreta a uma empresa, é
importante aprofundar os conhecimentos de quais são
as características que afetam o prestígio e,
consequentemente, a empresa.
Para isso, foi realizado um estudo quantitativo com
CEOs de mil empresas de alto faturamento na Espanha.
Conceituar a percepção da reputação não é fácil e
suscita ao menos três questões. Primeiramente, o
conceito da própria palavra -o que é reputação. Em
segundo lugar, é preciso entender o limite -o que é
reputação e o que é imagem.
Por último, o problema funcional de gestão da
reputação. A construção de um reconhecimento sólido
exige que as organizações tenham sensibilidade
organizacional -atingir as metas que vão além do
preesta- belecido-, gestão proativa da reputação
-introduzi-la no "management empresarial"- e
comportamento corporativo comprometido.
Entre vários fatores que influenciam a percepção
externa da empresa, a imagem do CEO é a face pública
da organização e representa tanto a sua
personalidade como a da instituição.
Por isso, se dirigido corretamente, o prestígio do
CEO pode ser uma das ferramentas mais úteis para
ganhar apoio em tempos de crise, criar valor para os
acionistas e atrair e reter os melhores talentos.
De acordo com o estudo quantitativo, os dez fatores
mais importantes para a reputação do CEO são:
credibilidade, visão estratégica, comunicação
externa, habilidade para atrair e reter talentos,
habilidade para motivar e inspirar os funcionários,
orientação aos clientes, gestão efetiva de crises,
habilidade para aumentar o valor dos acionistas,
proporcionar resultados consistentes e esperados e
construir cultura.
Apesar de não estar entre os dez mais importantes, o
comportamento ético ficou na 11º posição. Na atual
crise econômica, esse aspecto deve receber ainda
mais consideração.
"Controle de complexidade" e "gestão de mudança" são
os principais fatores que diferenciam CEOs, o que é
coerente com o ambiente complexo e variável das
empresas. A reputação do CEO é composta pela
percepção de acionistas, funcionários, clientes,
analistas, mídia, órgãos reguladores, líderes
sociais e outros agentes que têm influência.
A escala de importância dos componentes do perfil da
reputação do CEO não é vista da mesma forma nos
setores.
Na indústria, por exemplo, uma diferença notável é o
valor do comportamento ético e da responsabilidade
ambiental -dois aspectos classificados mais abaixo
no setor financeiro, que valoriza mais a habilidade
para entender o mercado e gerir suas mudanças. Um
dado interessante foi a ausência do componente ético
no perfil para CEOs do setor financeiro.
Os atributos mais reconhecidos entre profissionais
do terceiro setor são a orientação para o cliente, a
inovação e a liderança. Já em telecomunicações, a
prioridade são a boa governança corporativa, a
responsabilidade social e ambiental e o
comportamento ético. Enquanto isso, comportamento
ético, credibilidade, gestão de mudanças e motivação
dos funcionários são a menina dos olhos do serviço
hoteleiro.
Não se pode, porém, ignorar a recíproca da ligação
entre a reputação do CEO e o êxito empresarial: se a
imagem do líder é arruinada, as vendas também
poderão ser afetadas.
Assim, a forma como o CEO responde à conjuntura em
tempos de crise tem impacto maior na reputação
organizacional.
JOSÉ RAMÓN PIN é professor de
gestão de pessoas nas organizações e ética
corporativa da Iese Business School, escola de
negócios da Universidade de Navarra, na Espanha.
Colaboraram LOURDES SUSAETA e MARIA JESÚS
BELIZÓN, pesquisadoras da Iese Business School |
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